Última hora

Eleições alemãs em direto: Uma vitória ensombrada pelo nacionalismo

As pessoas, os partidos, os números e a formação de um futuro Governo Federal da maior economia da zona euro e da Europa.

Em leitura:

Eleições alemãs em direto: Uma vitória ensombrada pelo nacionalismo

Tamanho do texto Aa Aa

Eleições Federais alemãs de 2017. Uma Chanceler que permanece. Uma vitória assombrada pelo nacionalismo. Um período de negociações que se espera duro. As principais conclusões.




Democratas-cristãos da CDU/CSU esperavam melhores resultados

Angela Merkel saboreia uma vitória que sabe a pouco. A líder dos democratas-cristãos da CDU/CSU reconheceu que esperava melhores resultados.

Há quem culpe a “deriva centrista” da Chanceler alemã pelos fracos resultados e pal necessidade de que, mais uma vez, o novo Governo Federal alemão venha a ser formado por mais do que um partido.

Os cerca de 33% projetados pelas televisões públicas garantem um resultado relativamente inferior ao de 2009 (33,8%), mas particularmente dececionante quando comparado com o das legislativas de 2013 – menos oito pontos percentuais.

A CDU/CSU perdeu terreno face aos movimentos com programas considerados mais à direita, como os liberais-democratas do FDP e a direita populista do AfD, particularmente críticos com a política migratória de Merkel.

É também a política migratória de Merkel que deverá centrar o debate que deverá ter lugar em breve no seio da força democrata-cristã. O parceiro bávaro da CSU, Horst Seehofer, diz que o resultado é fruto “do vácuo que foi deixado à direita.”



Seehofer diz também que o importante agora é adotar políticas que permitam controlar a migração, a segurança e que garantam que “a Alemanha continua a ser a Alemanha”.

Os cristãos-sociais bávaros alcançaram, na Baviera, um resultado considerado baixo (cerca de 38%), pressionados pela direita populista.

Derrota sem precedentes para os sociais-democratas alemães

Uma derrota histórica para o SPD face aos democratas-cristãos de Angela Merkel (20%). É uma das grandes conclusões das eleições federais alemãs de 2017.

Uma derrota que muitos enquadram na atual crise da social-democracia europeia. Os partidos do centro-esquerda têm perdido terreno em eleições de vários Estados-membros da UE, como os Países Baixos, França ou Espanha.

Até agora, o pior resultado do SPD foi registado em 2009, com 23%, enquanto, há quatro anos, os sociais-democratas subiram alguns pontos, chegando aos 25,7%.

O candidato do centro-esquerda, Martin Schulz, decidiu que o melhor, para o partido e para o país, seria tornar-se no primeiro partido da oposição.

O antigo presidente do Parlamento Europeu rejeita um novo Governo de coligação ao centro. Schulz recorda que os populistas de direita da AfD “não podem ser a primeira força de oposição”.

O fantasma da extrema-direita alemã no Bundestag

Com 13% dos votos e mais de 80 deputados no parlamento, a direita populista do AfD, Alternativa para a Alemanha, parece ter quebrado um tabu social e político da maior economia da União Europeia.

Para a Chanceler alemã, Angela Merkel, estes quatro anos serão “um novo desafio”. Um desafio de peso, já que o AfD passa a ser a terceira força no Bundestag.

Fundado em 2013, o Afd caracteriza-se por ser abertamente contra o islão, contra os emigrantes e contra o euro. É particularmente popular nas zonas mais pobres da antiga RDA, onde é mesmo a segunda força mais popular.

Os líderes do partido prometeram que a primeira medida que irão tomar será pedir uma comissão de inquérito no parlamento alemão para que seja investigada a decisão de Angela Merkel de abrir as fronteiras aos migrantes que Médio Oriente, em busca do Estatuto de Refugiado.

Uma campanha baseada na frustração de muitos dos desempregados, apesar de a Alemanha ter uma taxa de desemprego inferior a 5,7%. Mas os líderes do AfD acenam com outro perigo: o da “crescente islamização da Europa.”

Liberais-democratas do FDP de volta ao parlamento

Com mais de 10% dos votos, os liberais-democratas do FDP são os mais prováveis candidatos a formar um Governo de coligação com os democratas-cristão de Merkel.

Christian Lindern, disse, no entanto, que apesar de estar pronto a entrar para uma coligação com Merkel, “muito vai ter de mudar” em termos de política. O FDP é crítico das políticas do Governo em relação aos migrantes e refugiados.