Última hora

Última hora

Animadora de rádio crítica do Kremlin esfaqueada na redação

Segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas, 58 repórteres foram assassinados na Rússia nos últimos 25 anos.

Em leitura:

Animadora de rádio crítica do Kremlin esfaqueada na redação

Tamanho do texto Aa Aa

Uma animadora da rádio russa Echo, de Moscovo, conhecida pelas posições críticas em relação ao Kremlin, foi esfaqueada em plena redação, no centro da capital russa, por um desconhecido.

Segundo as testemunhas, o atacante interpelou Tatiana Felguengauer, antes de a atacar, no que é o último exemplo de uma longa lista de agressões contra jornalistas russos independentes russos nos últimos anos. A vítima encontra-se hospitalizada.

Tatiana Felguengauer, de 32 anos, é chefe de redação da rádio e apresentadora de um programa matinal muito popular na capital russa, é conhecida por marcar presença de forma regular nas manifestações levadas a cabo pela oposição.

Segundo um dos diretores da rádio, Alexeï Venediktov, o autor do ataque começou por imobilizar um dos guardas do prédio onde se encontra a redação, “antes de esfaquear Tatiana Felguengauer no pescoço”.

Em declarações aos media russos, Venediktov contou que o autor das facadas “parecia visar especificamente Tatiana”.

“Havia muito sangue por todo o lado e ela ficou em estado de choque”, continuou o jornalista.

Os médicos do hospital onde Felguengauer deu entrada, cerca de uma hora e meia depois do ataque, informaram que a vida da animadora não se encontra em perigo.

Pouco se sabe, no entanto, do atacante, que terá sido imobilizado por agentes ligados à segurança do prédio depois do ataque e entregue à polícia, segundo a Agência France Presse. O diretor da rádio, Alexeï Venediktov, disse à AFP, que este “poderia ser estrangeiro”, sem avançar com mais detalhes.

A polícia de Moscovo disse, entretanto, que o ataque teria sido levado a cabo por um “homem de 48 anos” que teria “problemas pessoais” contra a jornalista.

A rádio moscovita Echo é a primeira estação nascida antes da queda da União Soviética, em 1990, tendo passado para o controlo do grupo público Gazprom 11 anos depois, quando Vladimir Putin chegou ao poder.

No entanto, a Echo conseguiu permanecer como uma das poucas vozes alternativas no panorama mediático russo, com pontos de vista independentes, contrastando com as grandes cadeias de rádio e televisão, que funcionam com um apertado controlo público.

Segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas, 58 jornalistas foram assassinados na Rússia nos últimos 25 anos.

Com AFP