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Entrevista à Euronews: médico em Lampedusa lamenta "campos de concentração"

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De  Lilia Rotoloni
Entrevista à Euronews: médico em Lampedusa lamenta "campos de concentração"

<p>A existência de casos de escravidão entre os migrantes e refugiados dos campos de detenção na Líbia provocou a condenação da parte das <a href="http://www.un.org/es/index.html">Nações Unidas</a>.</p> <p>O <a href="http://www.ohchr.org/FR/Pages/Home.aspx">Alto Comissariado da <span class="caps">ONU</span> para os Direitos Humanos</a> (<span class="caps">OHCHR</span>, sigla em inglês), definiu a situação como “intolerável” e recomendou o envio de membros de Organizações Não Governamentais para o terreno, de forma a impedir o tráfico de Seres Humanos. Uma posição apoiada por Executivos do sul da Europa, como foi o caso do Governo italiano. </p> <p>No entanto, em entrevista exclusiva à Euronews, <a href="https://www.amnesty.org/en/latest/news/2015/05/lampedusas-medic-to-the-migrants/">Pietro Bartolo</a>, diretor dos serviços médicos do campo de migrantes da ilha italiana de Lampedusa diz que, a serem tomadas, tais decisões chegam tarde e que a Europa tem tomado as decisões erradas:</p> <p>“Penso que fizemos pior do que fez a Europa com a Turquia. Porque na Turquia, criaram campos de refugiados. Na Líbia, depois do acordo, criaram-se campos de concentração”, disse Bartolo.<br /> <br /> <strong>Tortura, racismo e abusos</strong><br /> <br /> “Os migrantes são torturados e as mulheres são violadas. Lidamos com casos de pessoas cuja pele foi arrancada. Passaram fome e quando chegam a Lampedusa são pele e osso. Fazem-lhes tudo isto para que não protestem”, continuou.</p> <p>O diretor dos serviços médicos do campo de migrantes e refugiados de Lampedusa explicou ainda que o facto de que muitos dos migrantes sejam negros piora a situação, já que são vítimas de abusos racistas:</p> <p>“É preciso entender que na Líbia, estas pessoas, especialmente os negros, não são vistas como humanos. São considerados inferiores. E pode fazer-se o que se quiser com eles. Detetámos todo o tipo de sinais de tortura: com arma de fogo, com recurso a choques elétricos, queimaduras, chicotadas, coisas inaceitáveis. Toda a Europa deveria indignarse”.</p> <p>Pietro Bartolo disse ainda que os países do sul, como Itália, Grécia ou Malta não podem lidar com o problema sozinhos. A resposta, defendeu, deve ser coordenada a nivel europeu.</p> <p>Bartolo passou mais de duas décadas como profissional de assistência a migrantes e refugiados oriundos do norte de África. Recentemente, apresentou, na região da cidade francesa de Lyon, o libro “Lágrimas de Sal”.<br /> <BR><br /> <strong>Com Marco Lemos e António Oliveira e Silva</strong><br /> <BR></p>