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Mulheres brasileiras expõem-se contra proibição do aborto

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Mulheres brasileiras expõem-se contra proibição do aborto

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Aos protestos massivos contra o possível endurecimento das regras antiaborto em várias cidades brasileiras somam-se as vozes de mulheres que relatam na primeira pessoa - sem preconceitos e como forma de pressão - experiências traumáticas.

São cada vez mais as manifestações contra o texto-base de uma proposta de emenda constitucional aprovado em novembro do ano passado.

Entre outras coisas, poderá ditar uma proibição de todas as formas de aborto, mesmo em caso de violação ou quando a vida da mãe estiver em perigo.

"Perdi a vergonha de falar. Penso que temos mesmo de falar para acabar com a criminalização das mulheres. Passar por um aborto ilegal e manter o segredo gera muito sofrimento", diz Raissa Arruda, mãe de duas crianças que viveu um aborto.

Shirley Lopes, mãe e ativista acrescenta: "Se for para ter um bebé apenas por ter não é uma decisão de amor. É uma decisão, muitas vezes, de convenção, de dor."

O texto, a favor da proibição total do aborto, foi votado num comité do Congresso liderado por Cristãos Evangélicos.

18 vozes a favor e apenas uma contra, a da deputada Érika Kokay, a única mulher presente durante a sessão e que integra o Partido dos Trabalhadores.

"A vida das mulheres importa. Não podemos estar a legislar a favor da violação, que é o que significa a obrigatoriedade da manutenção de uma gravidez fruto da própria violação", disse na altura Érika Kokay.

Para se tornar efetivamente lei, a medida precisa de ter dois terços dos votos tanto na Câmara dos Deputados como no Senado.

Para vítimas de violação sexual, em situações de incesto, em que a vida da mãe esteja em risco e nos casos em que ocorra anencefalia do feto (um defeito congénito que envolve o cérebro), o aborto é tolerado no Brasil.