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ONG e governos em confronto sobre resgate no mar

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ONG e governos em confronto sobre resgate no mar

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O barco e o avião usados pela organização não-governamental alemã "Sea Watch" nas operações de busca e salvamento no mar Mediterrâneo estão impedidos de operar a partir de Malta.

É como se alguém impedisse uma ambulância de ir ao local de um acidente de viação

Reuben Neugebauer Ativista, Sea Watch

A organização afirma que não existem fundamentos legais para esta decisão do governo de Valletta, que acusa de "repressão política" e de pôr em risco a vida de refugiados e migrantes.

"Vamos, com certeza, desafiar as autoridades maltesas e ver quais são as possibilidades para voltar às operações o mais rapidamente possível, porque as pessoas estão a morrer no mar", disse, à euronews, via Skype, Reuben Neugebauer, ativista da Sea Watch, que tem sede em Berlim.

"No caso do avião, em particular, não podem dizer que contribua para o conluio com traficantes. Um avião limita-se a procurar as pessoas em perigo e isso é, claramente, uma operação de busca e salvamento. É como se alguém impedisse uma ambulância de ir ao local de um acidente de viação. Alguém que faz isso, acaba por ser levado a tribunal", acrescentou.

A euronews pediu um comentário das autoridades maltesas, que alegaram que o país "não solicitou a ajuda de terceiros nas missões de vigilância no mar ou no espaço aéreo".

O papel da organização não-governamentais (ONGs) no resgate no mar e a cooperação da União Europeia com as autoridades da Líbia são alguns dos temas abordados pela euronews numa entrevista a Eugenio Cusumano. O professor na Universidade de Leiden, na Holanda, investiga o tema do mar como terreno de ação humanitária.

"As ONGs ainda são necessárias porque, de momento, não há uma presença europeia suficientemente capaz de operar na costa da Líbia e a guarda costeira da Líbia, que foi treinada pela Itália e pela União Europeia, ainda não está totalmente preparada para realizar operações de busca e salvamento por conta própria", disse o especialista.

"Um país que não tem um Centro de Coordenação de Resgate Marítimo, e está em tal estado de fragilidade, não é de total confiança para a condução de operações de busca e salvamento. Os portos espanhóis estão muito longe para fornecer um local de desembarque seguro de forma sistemática. Idealmente, seria melhor, do ponto de vista humanitário e logístico, que os migrantes fossem desembarcados em Itália e depois transferidos para outros países da União Europeia", acrescentou Eugenio Cusumano.