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Os laços comerciais entre África e os Emirados

Os laços comerciais entre África e os Emirados
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A 5ª edição do Fórum Global de Negócios sobre África, no Dubai, foi uma oportunidade para discutir os desafios e as oportunidades de negócio no continente africano.

A melhoria da tecnologia e as mudanças a nível político, em África, são vistas como fatores positivos que aumentam a confiança dos investidores. É o caso da eleição do primeiro-ministro da Etiópia, Abiyi Ahmed, que recebeu este ano o prémio Nobel da Paz. Outro exemplo que tem contribuido para melhorar o clima de negócios em África foi a assinatura, há dois anos, do Acordo de Livre Comércio Continental Africano, que visa criar um mercado único africano de bens e serviços.

Os laços entre os Emirados e África

Os Emirados Árabes Unidos fazem parte dos países que querem fortalecer os laços com o continente. Em 2013, a China propôs a a vários países o relançamento de uma das rotas comerciais mais antigas do mundo, a chamada iniciativa Cinturão e Rota. "A iniciativa Cinturão e rota é uma grande aposta dos governos dos Emirados Árabes Unidos, da China e de África, para interligar essas três regiões, sublinhou Isaac Kwaku Fokuo JR, fundador do grupo Botho Emerging Markets.

Em 2018, as exportações não petrolíferas e as reexportações dos Emirados Árabes Unidos para África totalizaram cerca de 18 mil milhões de euros. Muitas das mercadorias foram encaminhadas pela DP world, empresa de gestão portuária do Dubai. África representa 10% das receitas da empresa. "A empresa de impressão do grupo Al Ghurair tem negócios importantes em África, imprimem cartões de eleitor e passaportes e há também moeda que é impressa no Dubai para a África", afirmou William Stenhouse, fundador do UAE-África networking group.

Muitas empresas, incluindo no setor da logística, exploram os laços entre o Dubai e África. "Quando olhamos para os principais mercados, vemos que empresas muito ágeis se expandem para os emirados e chegam a todos os destinos onde haja boas ligações", acrescentou William Stenhouse.

Em busca da melhor estratégia em África

No terreno, muitas empresas procuram conselhos sobre a melhor forma de fazer negócios em África. "Quando conseguem acertar na estratégia, as empresas começam a ter sucesso em África", considerou Tina Blazquez-Lopez, conselheira do Bryan Cave Leighton Paisner, um grupo especializado no aconselhamento jurídico no setor da inovação tecnológica. "Em 50% dos casos são exigidos documentos de financiamento compatíveis com a lei islâmica e a xaria. Isso acontece na área tecnológica e noutras áreas, o que, às vezes requer uma abordagem mais inovadora", explicou Tina Blazquez-Lopez.

O potencial da região do Mar Vermelho

O Mar Vermelho é visto como uma zona com elevado potencial a nível comercial, apesar dos problemas geopolíticos. "Imaginemos uma zona de mercado comum entre os países do Mar Vermelho, sob liderança dos Emirados Árabes Unidos. Atualmente existem alguns pontos complexos em termos geopolíticos. Quando essas questões forem resolvidas, penso que haverá uma enorme oportunidade de crescimento na região do Mar Vermelho, afirmou Isaac Kwaku Fokuo JR, fundador do grupo Botho Emerging Markets.

Trocas comerciais entre EAU e África em alta

Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Dubai, África é um mercado fundamental para Emirados. "As nossas trocas comerciais com o mundo, nos últimos cinco anos, mantiveram-se estáveis ou baixaram. Mas, com África, as trocas continuaram a crescer e quase duplicaram. Estamos a tentar atrair empresas, como a Carrefour, para que, em vez de venderem a África, estabeleçam grandes mercados em Nairóbi ou na Tanzânia. Essa empresa está a considerar connosco uma implantação na Etiópia. São 100 milhões de habitantes, dez vezes mais do que nos Emirados Árabes Unidos. É um modelo do que queremos fazer", afirmou Hamad Buamim, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Dubai.

O modelo das parcerias com África

"Queremos estar no terreno. A questão é: como podemos trazer soluções para os desafios em África? O financiamento não é fácil. Mas se o projeto e o modelo de negócios forem bons, podem vir para o Dubai onde podem ter acesso a capital de risco e onde há um interesse por África. Muita gente não sabe como fazer negócios em África porque é difícil. Mas neste caso trata-se de uma parceria com África. Deixemos os africanos fazerem as coisas, nós financiamos e participamos", acrescentou o responsável. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Dubai acredita no potencial das parcerias com empresas africanas. "Em África há incertezas e riscos, mas há também um certo apetite. Temos um bom histórico desde 2012, ao nível dos nossos investidores que investiram em países que nós identificámos e que ficaram bastante satisfeitos com os retornos que conseguiram. Quero que esse modelo seja aplicado noutros mercados emergentes, seja na América Latina, na Oceania ou na Ásia Central", disse Hamad Buamim.

Mudanças políticas em Angola, Etiópia e África do Sul

Em 2020, os setores tradicionais como as minas e agricultura deverão continuar a liderar o crescimento. Por outro lado, o acesso à eletricidade continua a ser um grande desafio. No capítulo da política, alguns economistas vêm com bons olhos as mudanças ao nível da liderança em certos Estados. "Se olharmos para Angola e África do sul, para a estabilidade no Quénia, vemos que há novos líderes, que podem traçar um caminho mais construtivo para o continente", sublinhou Goolam Ballim, economista-chefe, do Standard Bank South Africa.

A Etiópia tem um novo primeiro-ministro, elogiado a nível internacional, e a economia registou o crescimento mais rápido do continente, em 2018, mas, a população continua a sofrer devido aos conflitos étnicos. "Ele quer continuar a avançar, apesar dos desafios em várias partes do país. A sociedade como um todo está a avançar mas isso não significa que o caminho será fácil", considerou Melesse Minale Tashu, consultor do Banco Nacional da Etiópia.

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