Última hora
This content is not available in your region

Emirados lançam sonda para estudar Marte

euronews_icons_loading
Emirados lançam sonda para estudar Marte
Direitos de autor  euronews   -   Credit: Dubai Tourism
Tamanho do texto Aa Aa

Nos últimos anos, os Emirados Árabes Unidos (EAU) começaram a desenvolver e a lançar uma série de satélites. No ano passado, o primeiro astronauta dos Emirados estreou-se na Estação Espacial Internacional. Atualmente, o país está de olhos postos em Marte. O culminar destes esforços é uma sonda espacial que deverá estudar o planeta vermelho.

"Estamos a finalizar os diferentes procedimentos de teste para garantir que a nave espacial possa funcionar independentemente do que acontecer no terreno. Em maio deste ano, vamos enviar a sonda para o local de lançamento, no Japão", disse à euronews Sarah Al Amiri, ministra de Estado para a Ciência, dos Emirados Árabes Unidos.

euronews
Sarah Al Amiri, ministra de Estado para a Ciência, dos Emirados Árabes Unidoseuronews

Estudo de Marte ajuda a perceber alterações climáticas

"A nossa missão deverá fornecer dados reais ao longo de um ano inteiro sobre a totalidade do planeta Marte. Por que razão é importante fazê-lo? Uma das razões prende-se com as alterações climáticas. Podemos perceber melhor a dinâmica climática. A missão pode ajudar-nos a conhecer melhor as alterações climáticas na Terra e o que acontece naturalmente em termos de alterações climáticas. Quando enviarmos seres humanos para Marte, poderemos perceber melhor o que vamos enfrentar aqui", acrescentou Sarah Al Amiri, ministra de Estado para a Ciência, dos Emirados Árabes Unidos.

EAU apostam no espaço para reforçar economia

O projeto faz parte das ambições dos EAU para favorecer uma economia mais competitiva e inovadora. "O governo dos Emirados Árabes Unidos queria uma grande mudança que permitisse a construção de uma economia criativa, competitiva e inovadora, baseada no conhecimento e considerou que o espaço é um meio de alcançar esse desígnio. A missão em Marte é o catalisador dessa grande mudança", afirmou Omran Sharaf, gestor da missão Marte Emirados.

"Queremos dar resposta os nossos desafios nacionais em relação aos recursos hídricos, alimentares e energéticos e gerar conhecimentos utéis para toda a humanidade", acrescentou Omran Sharaf.

euronews
gestor de projeto da missão a Marte dos EAUeuronews

O estudo da atmosfera marciana

A panóplia de instrumentos científicos que serão usados em Marte inclui um espetrómetro de infravermelhos para estudar os sistemas de nuvens da baixa atmosfera, os ciclos de dióxido de carbono e as temperaturas. A missão pretende obter imagens de alta resolução para perceber melhor os raios UV na baixa atmosfera. Com a espetrometria de ultravioleta será possível analisar a rapidez com que o hidrogénio e o oxigénio são libertados na alta atmosfera de Marte.

Antenas, painéis solares e sensores

"Temos três antenas direcionais e uma antena omnidirecional que são usadas para comunicar com a nave espacial quando se está longe da terra. Temos quatro painéis solares que são a principal fonte de energia da nave espacial. Temos uma bateria que poderá armazenar energia para os momentos em que não há sol. Na parte de baixo, temos dois sensores de estrelas que dão informações de localização à sonda", disse à euronews, Moshen Alawadhi, engenheiro do Centro Espacial Mohammed Bin Rashid.

Sonda deverá ser lançada em julho

A equipa aguarda com ansiedade o momento da entrada em órbita. "A nave espacial vai apontar os propulsores para Marte e arrancar. Se formos demasiado rápidos ou demasiado lentos, falharemos. É um momento fundamental e, por isso, metade do combustível será usado durante essa fase. São precisos entre 12 minutos a quase meia hora para comunicar com a nave espacial. Não estamos a comandar a nave, apenas a programá-la para que ela funcione de forma autónoma. Esperemos que ela faça o que é suposto fazer", acrescentou o cientista.

Devido ao tempo necessário para comunicar com a Terra, a história espacial dos EAU fica escrita 20 minutos antes de conhecerem o desfecho da missão. "Serão 20 minutos muito longos", frisou o engenheiro dos EAU.