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Clube cristão da Europa

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Clube cristão da Europa

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Questão de Ali, em Famagouta, no Chipre :

“- O meu nome é Ali e sou da República Turca do Norte de Chipre. Vivo em Famagusta e gostava de saber se a União Europeia é um clube cristão e se é por isso que não aceita a adesão da nossa República e da Turquia. Obrigada”.

Resposta de Dorothée Schmid, investigadora responsável do programa Turquia Contemporânea no Instituto francês de Relações Internacionais:

“- A expressão clube cristão é uma expressão usada correntemente pelos analistas e políticos turcos quando falam das relações com a União Europeia, desde o início das negociações. À partida, houve sempre receio por parte dos turcos de serem rejeitados pela União Europeia por questões culturais ou religiosas.

Na verdade, no Tratado Constitucional Europeu não há referências religiosas por isso não é sequer questionável no Direito Europeu. Mas é uma questão que se põe a nível de Estados membros da União Europeia, a nível de opinião pública nos Estados membros.

Atualmente, vemos nas sondagens, nomeadamente nos últimos eurobarómetros que apenas 30% dos cidadãos europeus são favoráveis ao alargamento à Turquia.

E isso é evidente, se repararmos nas diferentes paisagens políticas europeias e o aumento das direitas populistas naguns Estados membros.

O aumento do racismo e de um evidente mal-estar em relação ao Islão. Por isso um país muçulmano como a Turquia é considerado mais estrangeiro do que os outros.

Isso não impede que os governos da União Europeia sejam, maioritariamente, a favor da adesão e e aí que há uma mudança muito importante para a análise política.

Há um Estado membro que se opõe frontalmente à adesão da Turquia, que é a França.

A Alemanha tem uma posição mais ambígua, a Áustria também se opõe e depois, globalmente, há uns que são pela adesão e outros que a defendem seriamente, como os Estados mediterrânicos.

Ouvimos muito menos a Europa do mediterrâneo devido à crise financeira em que mergulhou a Europa … por causa das dívidas soberanas. Mas é evidente que estes países, politicamente, estão numa posição mais frágil para se fazerem ouvir e o eixo franco-alemão continua a manter as prerrogativas de fundador da Europa, dando a direção política à União Europeia. Por isso isto é tão importante para os turcos que a França e Nicolas Sarkozy encerrem as negociações da adesão”.

“Se quiser colocar uma questão, faça-o através do nosso site.” (euronews.net/u-talk).”