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Cameron: "a monarquia britânica está acima da política, é um símbolo de unidade nacional"

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Cameron: "a monarquia britânica está acima da política, é um símbolo de unidade nacional"

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O reinado de Isabel II tem sido excecional por todas as razões. A longevidade é uma delas: teve 12 primeiros-ministros, seis Papas, 261 visitas oficiais ao estrangeiro, entre as quais, 78 visitas de Estado a 116 países.

A lista de números é interminável, mas é representativa da importância de 60 anos de reinado da pragmática monarca, somente ultrapassada pela trisavó Vitória (63 anos de reinado e 81 anos de vida).

O príncipe Alberto, Duque de York e Rei Jorge VI – o irmão abdicara para casar com Wallis Simpson – era o segundo filho mais velho do Rei Jorge V e da Rainha Maria. Morreu em 1952 e Isabel, aos 26 anos de idade, subiu ao trono britânico e teve de assumir a chefia de vários Estados independentes da Commonwealth em plena reconstrução da Europa do pós-guerra.

A Festa do Jubileu de Diamante da Rainha dura quatro dias – a Rainha Vitória festejou o Jubileu num só dia, há um século.

Os britânicos querem mostrar à soberana o quanto apreciam o pilar que representa para o Estado, um equilíbrio e contenção às vezes incompreendidos e mesmo criticados, como na morte de Diana.

O futuro da monarquia britânica, tantas vezes posto em causa, parece estar assegurado pela diplomacia de Guilherme e Kate.

O correspondente da euronews em Londres, Ali Sheikholeslami, esteve em Downing Street com o 12° primeiro-ministro de Isabel II.

euronews – O senhor conheceu a Rainha quando tinha nove anos. Como se sentiu então e agora, como seu 12° primeiro-ministro?

David Cameron – Quando a conheci, aos nove anos, não imaginava tornar-me primeiro-ministro. Estava na escola e lembro-me da excitação por ter a oportunidade de a encontrar. Mas o momento inolvidável foi quando subi as escadas de Buckingham Palace e a Rainha me encarregou de formar um governo.

No meu caso, tive de responder que seria um executivo de coligação mas que daria o meu melhor para formar a minha equipa e que regressaria para a ver quando o objetivo tivesse sido atingido. Felizmente consegui.

euronews – Qual o sentido, para si, do Jubileu de Diamante para o Reino Unido e até que ponto evoluiu o país durante este reinado?

David Cameron – O país progrediu imenso. Há 60 anos acabávamos de sair da Segunda Guerra Mundial, com o racionamento e todos os problemas e dificuldades… desde então, o país transformou-se completamente.

O que estamos a celebrar, realmente, são duas coisas: a primeira, um recorde individual, 60 anos no trono, 60 anos de entrega, serviço, compromisso com o povo, com a Commonwealth…estamos conscientes de que foram 60 anos de serviço público sem um passo em falso.

Mas o Reino Unido também celebra a própria instituição monárquica.Todos os países querem estabilidade e instituições que reflitam a história, mas também democracia e liberdade de eleição.

Penso que, no Reino Unido, encontrámos a melhor solução. Não é a via escolhida por todos, mas é o nosso modo de obter as duas coisas e a monarquia serviu bastante o país nesses sentido. Está acima da política, é um símbolo de unidade nacional e, como podem ver, une a população.

euronews – Todas as semanas se reúne com a Rainha. Dentro e fora do país, questiona-se se é apenas uma bonita tradição britânica…

David Cameron – Não, é uma parte importante da Constituição, porque a rainha é a chefe do Estado.
Obviamente, evoluimos para uma fórmula em que o primeiro-ministro eleito e o governo tomam as decisões e a Rainha preside às cerimónias do Estado.

Mas é muito importante que o chefe de governo se reuna com a monarca para lhe expor os problemas e desafios colocados dentro e fora do país.
Para explicar o que faz o governo.
E a Rainha, que teve 12 primeiros-ministros, nomeadamente , Winston Churchill, que já viu tudo, que ouviu tudo, que viajou por todo mundo, e que conhece praticamente todos os chefes de Estado e chefes de governo, pode dar conselhos muito bons e fazer perguntas muito, muito pertinentes.

euronews – Começaram os preparativos para os Jogos Olímpicos. Que significado têm para Londres e para o país em geral?

DC – Obviamente é um grande ano para o Reino Unido. É um ano em que nos podemos mostrar ao mundo.
Na parte oriental de Londres, as Olimpíadas estão a transformar uma zona que estava muito degradada. Estamos a assistir a uma transformação urbanística.

Mas acho que, ainda mais importante, é abrir-se ao mundo e dizer: aqui está um país…sim, com certas dificuldades económicas mas com o mercado único europeu à porta, estamos entre os fusos horários da América e do Japão, Falamos inglês, o idioma dos negócios.

Temos algumas das melhores Universidades do mundo, uma vibrante plataforma de negócios, uma vasta cultura, arte, ciências e todo o resto.

Venham visitar e ver.

É uma grande oportunidade para o país, e espero que também se atraia a juventude para o desporto e o desporto de competição deixe um legado duradouro para o futuro.