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Faixa de Gaza: Israel mantém defesa armada e Hamas promete resistir

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Faixa de Gaza: Israel mantém defesa armada e Hamas promete resistir

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Duas faces, a mesma moeda. Uma região, duas religiões. Uma fronteira, duas forças armadas. De um lado Israel. Do outro, os palestinianos do Hamas.

Este é um conflito repleto de história. Uma história armada. Uma história de sangue. Uma história que vinha caminhando há meses num difícil processo de paz entre israelitas e palestinianos, mas que nas últimas semanas sofreu um dos mais duros revés.

Ao rapto e assassinato de três jovens israelitas a meio de junho, sucedeu-se o assassinato bárbaro de um adolescente palestiniano. Populares islâmicos revoltaram-se contra as forças de defesa israelitas.

Um jovem de passaporte americano e origem palestiniana acabou espancado pela polícia de Israel. Uma represália que agravou o conflito junto à Faixa de Gaza, a região controlada pelo Hamas, a organização islâmica que o executivo liderado por Benjamin Netanyahu acusa como responsável em primeiro lugar pela morte dos três jovens israelitas.

“O Hamas é uma organização terrorista que tem de ser derrotada. No que toca a Gaza, por nós a fronteira estaria pacífica. O problema é que o Hamas não deixa. Só nas últimas três semanas, foram lançados 150 roquetes e granadas de Gaza para Israel. Por isso, como é obvio, temos de proteger o nosso povo”, alegou Mark Regev, o porta-voz do primeiro-ministro israelita.

Os “raides” aéreos israelitas sobre alegadas bases de lançamento de roquetes em Gaza incendiaram ainda mais o desejo de respostas armadas por parte do Hamas. A organização islâmica promete não baixar as armas se as forças israelitas insistirem nestes ataques. “O povo da Palestina apoia a resistência contra a ameaça de Israel. Qualquer sinal de guerra contra Gaza poderá abrir os portões do inferno contra os invasores. A resistência (do Hamas) não vai ficar parada”, garantiu Mushir Al Masri, porta-voz do Hamas.

Embora as negociações de paz entre Israel e a Palestina tenham entrado num género de beco sem saída em abril, muitos israelitas julgam que esta poderia ser uma nova oportunidade de as reativar se houver alguma contenção e compreensão de parte a parte. Mas estes apelos à paz podem cair por terra face ao agravamento do conflito entre Israel e palestinianos nestas últimas semanas. Por enquanto, ainda a forte presença militar o que domina a fronteira junto à Faixa de Gaza.

Freddy Eytan é investigador e analista do Jerusalem Center for Public Affairs.
Luis Carballo, da Euronews, falou com ele sobre a tensão existente entre Israel e o Hamas.

Luis Carballo – Senhor Eitan obrigado por estar com a Euronews. A minha primeira questão é a seguinte:
O senhor Netanyahu está perante o dilema de atacar ou não o Hamas. O que lhe parece ser o mais provável?

Freddy Eytan – Veja, Benjamin Netanyahu é primeiro-ministro pela terceira vez, pelo que tem experiência e acredita efetivamente que deve haver uma certa dissuasão e que a mensagem deve ser dissuasiva.
Realmente Netanyahu encontra-se perante um dilema porque tem uma coligação bastante dura e difícil de gerir. Há a extrema-direita que, como Lieberman, Penet e outros, querem a todo o custo lançar uma operação de grande envergadura, o que Netanyahu não fará. Não foi contra a operação Pilar de Defesa em novembro de 2012, mas desta vez não haverá uma operação de grande envergadura. Contudo, não podemos aceitar ou tolerar a morte de três adolescentes, e não ripostar. Há respostas prontas e raides pontuais todas as vezes que são lançados mísseis ou rockets contra aldeias israelitas. É essa, desde há muito, a política, a estratégia de Netanyahu e assim vai continuar. Netanyahu não é belicoso. Não se lançou em operações bélicas como fez Olmert no Líbano ou em Gaza.

L.C. – O exército israelita define o Hamas como uma organização sem recursos. É verdade? É uma organização sem estrutura como diz o Tsahal?

F.E. – O movimento Hamas, considerado um grupo terrorista pela comunidade internacional, está cada vez mais isolado porque o quadro geopolítico mudou. O Egito tem um novo presidente que quer pôr de quarentena a filial da Irmandade Muçulmana e o Hamas é na realidade da Irmandade Muçulmana.
O Hamas encontra-se em dificuldades porque está isolado do mundo árabe, uma vez que a Irmandade Muçulmana sofre uma baixa de popularidade.
Mas, por outro lado, nota-se que o Hamas tenta regressar à cena internacional e sobretudo à cena árabe e conquistar pontos favoráveis à sua causa.
Mas tem dificuldades financeiras. Não pode pagar os salários a 40 mil funcionários e isso também é um problema.
Por um lado, o Hamas que se encontra numa situação difícil, não pode controlar todas as suas tropas. A Jihad Islâmica, as Brigadas Ezzedime El Qassam e outros grupos tentam quebrar as tréguas e o Hamas pretende tréguas a longo prazo, um ano e meio, dois e não fechar a porta aos israelitas.
A realidade é que encontramo-nos numa situação em que o Hamas não é capaz de lançar operações importantes porque sabe que Israel ripostará de forma vigorosa e talvez com uma operação de grande envergadura. É uma possibilidade, pode acontecer.
Por outro lado pretende gerir, provar que é mais forte que a Fatah.

L.C. – Vê sinais da terceira Intifada estar em curso? Trata-se de um explosão de raiva temporária ou algo mais sério?

F.E. – A primeira Intifada eclodiu após um acidente com um automóvel em dezembro de 87 em Gaza. Hoje não há controlo de coisas como essa. Não se pode saber o que vai acontecer amanhã no Médio Oriente. Tudo é muito volátil, tudo muda e há que ser prudente.