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Nigéria vai a votos na sombra da violência

Depois de terem sido adiadas várias vezes, as eleições presidenciais da Nigéria realizam-se finalmente, mas sob a ameaça do grupo Boko Haram.

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Nigéria vai a votos na sombra da violência

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Depois de terem sido adiadas várias vezes, as eleições presidenciais da Nigéria realizam-se finalmente, mas sob a ameaça do grupo Boko Haram.

O presidente cessante e candidato Goodluck Jonathan vai enfrentar o antigo chefe de estado e major-general, Muhammadu Buhari.

A ameaça do boko haram é o grande obstáculo à realização das eleições, grupo jihadista que prometeu arruinar o escrutínio.

O presidente apelou ao voto.

“vamos todos – líderes de partidos políticos, membros dos partidos, agentes, simpatizantes, eleitores – vamos ser muito conscenciosos, pois os olhos do mundo inteiro estão pousados sobre nós”

Com o receio do que pode suceder depois das eleições, face não só ao Boko Haram, mas também a um contestação algumas pessoas correram aos mercados para armazenar alimentos e outros bens essenciais.

A Nigéria é o país mais populoso de africa com mais de 170 milhões de pessoas.

Para percebermos mais sobre as eleições presidenciais nigerianas e os desafios relacionados com a segurança, falamos com o Presidente da Federação Africana de Estudos Estratégicos (FAEE), Mohammed Benhammou, em Rabat, Marrocos.

Faiza Garah, Euronews: Depois de terem sido adiadas, as eleições realizam-se, finalmente, mas o Boko Haram prometeu sabotá-las. Vão eles conseguir?

Mohammed Benhammou, FAEE: Não acredito que o Boko Haram consiga sabotar as eleições. É certo que conseguiram colocar dificuldades, especialmente no norte do país, mas não creio que as vão impedir. Há que dizer que a questão da segurança paira sobre o escrutínio, o Boko Haram poderá eventualmente cometer ações terroristas com o objetivo de impedir os eleitores de votarem, especialmente no norte.

Faiza Garah, Euronews: As autoridades nigerianas podem assegurar a realização das eleições?

Mohammed Benhammou, FAEE: As autoridades nigerianas levaram a cabo ações excecionais, como o encerramento das fronteiras terrestres e marítimas. Também proibiram certos veículos de circular, tirando os automóveis oficiais, e cercaram certos feudos do Boko Haram.

Faiza Garah, Euronews: As populações deslocadas, que fogem do Boko Haram e que são em grande número, podem votar?

Mohammed Benhammou, FAEE: Há um grande número de refugiados, sim. São mais de um milhão e meio de pessoas. O comité eleitoral está a empregar todos os meios para resolver este problema. Mas acho que vai ser muito difícil e consequentemente estas eleições ficarão manchadas por irregularidades que podem influenciar os resultados, e mesmo originar protestos violentos.

Faiza Garah, Euronews: O presidente cessante, Goodluck Jonathan, é o favorito?

Mohammed Benhammou, FAEE: Não, não podemos dizer que é o favorito; as sondagens do mês de fevereiro não lhe eram favoráveis porque falhou no plano da segurança e a fazer face ao Boko Haram, bem como noutros dossiês.