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Macedónia: NATO e UE preocupadas face a operação contra alegados terroristas

As forças de segurança da Macedónia deram por concluída domingo à noite uma operação especial contra um alegado grupo armado de origem albanesa que

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Macedónia: NATO e UE preocupadas face a operação contra alegados terroristas

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As forças de segurança da Macedónia deram por concluída domingo à noite uma operação especial contra um alegado grupo armado de origem albanesa que estaria a preparar ataques no país a partir de Kumanovo, localidade situada no norte junto à fronteira com o Kosovo. Pelo menos 22 pessoas morreram, entre elas oito polícias e alegadamente 14 rebeldes. O responsável máximo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e a União Europeia (UE) revelam preocupação face ao fantasma de confrontos semelhantes registados há 14 anos.

No início de 2001, um grupo rebelde afeto ao proclamado Exército Albanês de Libertação Nacional (NLA) e com ligações ao Exército de Libertação do Kosovo atacou as forças de segurança da Macedónia exigindo mais direitos e autonomia para a minoria albanesa que compreende um quarto dos cerca de 2,1 milhões de habitantes deste país balcânico que fez parte da extinta Jugoslávia e é, atualmente, candidato a integrar a União Europeia e a NATO.

O conflito durou cerca de seis meses e cada um dos lados refere apenas algumas dezenas de mortos, sem precisar um balanço. Em agosto de 2001, o Governo da Macedónia e representantes da comunidade étnica albanesa assinaram o acordo de paz de Ohrid, o qual incluiu por exemplo o albanês nos idiomas oficiais do país a nível regional.

O receio de que este conflito se possa reacender após a operação policial do último fim de semana levou o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, a pedir “contenção a todos” os envolvidos “para evitar qualquer nova escalada no interesse do país e de toda a região.”

O comissário europeu para a Política de Vizinhança e Negociações de Alargamento, Johannes Hahn, mostrou-se “profundamente preocupado” com o sucedido no norte da Macedónia e afirmou, em comunicado, que “qualquer nova escalada de violência deve ser evitada no interesse da estabilidade geral do país”. “Apelo às autoridades e a todos os líderes políticos e comunitários para cooperarem, a restaurar a vcalma e a investigarem a fundo o que aconteceu de forma objetiva e transparente respeitando a lei”, lê-se ainda no comunicado.

As forças de segurança da Macedónia garantiram, entretanto, ter “neutralizado um grupo terrorista” e precisaram que cinco dos cabecilhas do grupo seriam cidadãos albaneses do Kosovo.

Esta segunda-feira, os habitantes de Kumanovo, a maioria de origem albanesa, começaram a regressar a suas casas. Alguns, como Azem Brahimi, encontraram-nas em ruínas: “O meu filho trabalhou na Suíça durante 20 anos para construir esta casa. O carro dele, que custou 20.000 francos suíços, foi completamente destruído. Fizemos esta casa ao nosso gosto. Quando a vi destruída, a única coisa que me manteve de pé foi ver os meus filhos com vida.”

Outro residente de Kumanovo, Zekira Ismaili, mostrou-se mais contundente no rescaldo da operação policial do fim de semana: “Não foram terroristas que fizeram isto. Aqui não há terroristas. Os verdadeiros terroristas são o primeiro-ministro Nikola Gruevski, a ministra do Interior Jankulovska, o líder albanês Ali Ahmeti, enfim, o ‘Ali Baba e os 40 ladrões’.”