Última hora

Em leitura:

Presidente da Croácia Kolinda Grabar- Kitarovic: da paz à recessão e ao feminismo


the global conversation

Presidente da Croácia Kolinda Grabar- Kitarovic: da paz à recessão e ao feminismo

Kolinda Grabar-Kitarovic foi eleita Presidente da Croácia em janeiro deste ano, vencendo por com uma pequena margem. Ainda que o seu lugar seja sobretudo simbólico, Grabar-Kitarovic tem uma visão clara sobre o país e sobre os Balcãs. Ideias que partilhou com a jornalista da euronews Isabelle Kumar.

Biografia: Kolinda Grabar-Kitarović

  • Kolinda Grabar-Kitarović é a primeira mulher presidente da Croácia
  • Foi eleita Presidente da Croácia em janeiro de 2015
  • Venceu as eleições com 50,7% dos votos, uma margem muito pequena
  • Na Croácia, a presidência é sobretudo um cargo simbólico, com algum poder na política externa e de segurança
  • Kitarović já tinha sido ministra dos Negócios Estrangeiros e ocupou um cargo na NATO

Passaram 20 anos desde a assinatura do Acordo de Paz de Dayton mas o fantasma da violência sectária continua a pairar nos Balcãs. A Presidente acredita que a União Europeia e a NATO têm alguma responsabilidade mas reconhece que alguns processos de reformas não foram concretizados.

The EU and Nato need to send firm messages to the region

“É certo que a União Europeia e a NATO têm de enviar mensagens fortes para a região. Em primeiro lugar, o alargamento deve continuar como uma política na qual a porta se mantém aberta e o esforço de cumprir todos os critérios para a adesão, a aplicação das reformas necessárias, o progresso que é atingido deve ser recompensado pela adesão à União e à NATO.”

A Croácia aderiu à União Europeia há dois anos mas para Grabar-Kitarovic muitos dos vizinhos dos Balcãs ainda têm muito trabalho a fazer: “Gostaria de ver mais esforços na prevenção do crime organizado, cooperação ao nível de segurança, mas além disso, uma luta mais forte contra a corrupção, mais liberdade de imprensa, sistemas democráticos, controlo dos serviços secretos e o uso adequado desses serviços de acordo com a lei.”

A Presidente croata faz ainda duras criticas à Antiga República Jugoslava da Macedónia que mergulhou numa crise política depois do governo ter sido acusado de corrupção. Para Grabar-Kitarovic já não existe o problema do nome, com a Grécia

“Quanto mais depressa forem feitos esforços para ter liberdade de imprensa, independência da justiça e muitas outras reformas, mais depressa vão conseguir avançar no processo. Está nas mãos deles.”

Apesar da adesão recente à União Europeia, a Presidente ainda não consegue dizer se o país está depois de pertencer aos 28. “É difícil avaliar. Tenho de admitir que nem todas as pessoas assimilaram que somos membros da União Europeia. E, infelizmente, também ainda não usámos os fundos europeus para crescer o que poderiamos ter crescido.
Por isso um dos benefícios primários que poderiamos estar a sentir a curto prazo, ainda não foi sentidos. Diria que as pessoas na Croácia estão a tornar-se mais eurocépticas e precisamos fazer algo para contrariar essa tendência. Devemos preocupar-nos em relação a todo o projeto europeu e não apenas com a Croácia. Em quase todos os países há quem levante questões sobre os benefícios da adesão.”

De qualquer forma, Kolinda Grabar- Kitarovic mantém a vontade da integração também na zona euro: “Acredito que é do nosso interresse fazê-lo o mais rápido possível. Espero que aconteça em 2020 mas sabe que este não é apenas um processo técnico, muitas vezes também é político. Por isso vai depender de algumas decisões políticas. Toda a economia está tão orientada para o euro que acredito que quanto mais breve for a adesão, melhor será para a economia.”

Outro tema sensível é a relação de Grabar Kitarovic com o antigo primeiro-ministro Ivo Sanader que está acusado de corrupção. A Presidente não gosta de ser descrita como sua protegida.

Não gosto da palavra, peço desculpa mas não era a sua protegida.”

Por fim, em relação ao facto de ser a primeira mulher Presidente do país, Grabar Kitarovic afirmou que às vezes tem mais trabalho que qualquer homem e já foi alvo de misoginia. Mas garante que a sua batalhe é pela igualdade para todos, não apenas para as mulheres.

Não sou uma feminista“. Sou uma pessoa que apenas quer a igualdade, tratamento igual para todos. Vou trazer para a agenda a promoção da mulher nos negócios, na política, na vida social e pública, mas isso não quer dizer que quero que as mulheres tenham vantagens em qualquer lado. Apenas defendo igualdade de oportunidades para todos.”

Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

the global conversation

Aleksandar Vucic: "Estamos no caminho da União Europeia mas gostaríamos de ter bom relacionamento com a Rússia"