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Responsável de ONG Transparência Internacional diz que FIFA "quer manter estatuto de vítima"

A “nova” FIFA diz-se vítima do escândalo de corrupção que manchou a época em que era liderada por Joseph Blatter: a Federação Internacional de

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Responsável de ONG Transparência Internacional diz que FIFA "quer manter estatuto de vítima"

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A “nova” FIFA diz-se vítima do escândalo de corrupção que manchou a época em que era liderada por Joseph Blatter: a Federação Internacional de Futebol reclamou, junto da justiça norte-americana, o pagamento de “dezenas de milhões de dólares” da parte de quatro dezenas de ex-dirigentes, acusados de desviar 200 milhões de dólares.

A FIFA diz-se, nomeadamente, vítima de subornos que resultaram na atribuição do Mundial de 2010 à África do Sul. O novo presidente da federação, Gianni Infantino, pretende assim virar a página sobre a polémica.

Joe Allen, euronews: “Para aprofundar a questão, falamos com Deborah Unger, da iniciativa Corrupção no Desporto, na ONG Transparência Internacional. É efetivamente a primeira vez que a FIFA confirma acreditar que membros do comité executivo são culpados de subornos em larga escala. Trata-se de um passo genuíno na direção de uma nova era de transparência no organismo que dirige o futebol mundial?”

Deborah Unger: “A FIFA está a tentar cimentar a posição como vítima neste escândalo de subornos e corrupção e também quer reaver o dinheiro.”

euronews: “Isso conduz de forma perfeita à segunda questão: a FIFA diz-se vítima de tudo isto; acredita nisso ou é uma forma para desviar a atenção do facto de que foi responsável pela cultura e práticas que conduziram a este caos, em primeiro lugar?”

DU: “Penso que foi responsável e isso é algo que a FIFA deve realmente ter em mente. Mas foi descrita como vítima pelo Departamento de Justiça [dos Estados Unidos] e quer manter esse estatuto porque, se não for uma vítima, então é culpada pela corrupção. E, se for esse o caso, poderia eventualmente ser encerrada pelas autoridades suíças. Se puder manter o estatuto de vítima, poderá reformar-se. Mas será que se vai reformar? Essa é a questão seguinte. Será este o primeiro passo nessa direção? Admitiu os subornos e admitiu que existiam ‘maus elementos’ na organização; é um passo na direção de uma maior transparência. Mas será preciso muito mais para reconquistar a confiança de todos. Penso que as pessoas manterão algum cinismo acerca deste anúncio.”

euronews: “A FIFA admitiu que foram pagos subornos para votos na candidatura sul-africana, mas o que se passa com outros Mundiais recentes e com as futuras competições, na Rússia e no Qatar: deveria ser esse o próximo passo na tentativa de transparência total? Qual é o rumo que a FIFA seguirá?”

DU: “Bom, já investigações em curso, tanto na Suíça como nos Estados Unidos, acerca dos processos de atribuição dos últimos Mundiais. Quando forem publicados resultados, a FIFA terá de responder. A FIFA fez a sua própria investigação; penso que as pessoas se estão a esquecer de algo chamado ‘Relatório Garcia’. Nunca foi divulgado e nós, na Transparência Internacional, sempre dissemos que devia ser publicado. Apenas uma versão editada, que foi contestada pelo próprio autor, saiu à luz do dia. Por isso, penso que há provavelmente muito mais informação acerca das outras candidaturas para os Mundiais, ao longo dos anos, e, se as investigações continuarem, vamos saber muito mais acerca disso no futuro.”

euronews. “Podemos esperar em breve uma versão não editada do ‘Relatório Garcia’?”

DU: “Não tenho a certeza… Não sabemos… Penso que Gianni Infantino deveria, como presidente, fazer disso uma prioridade, como uma medida chave para reconquistar a confiança. Ainda não ouvimos nada acerca disso. Esperemos que chegue em breve.”