Última hora

Última hora

Dezenas de milhares de sírios nascidos no Líbano são apátridas

Há 50 mil crianças sírias nascidas no Líbano, com estatuto de clandestinas, segundo as Nações Unidas.Com o maior número de refugiados por habitante

Em leitura:

Dezenas de milhares de sírios nascidos no Líbano são apátridas

Tamanho do texto Aa Aa

Há 50 mil crianças sírias nascidas no Líbano, com estatuto de clandestinas, segundo as Nações Unidas.Com o maior número de refugiados por habitante em todo o mundo, o Líbano não assinou a Convenção dos Refugiados, de 1951 e não autoriza os campos da ONU para os sírios. Mas, desde 2011, cerca de 70 mil sírios nasceram em território libanês e a maioria não está registada, como Nour, nascida há sete meses no Vale de Bekaa.

Asheqa, a mãe, explica a situação delicada da família:
“Um bebé que não é registado torna-se apátrida, aqui no Líbano e na Síria. Se não pudermos registá-la aqui é um problema. Se voltarmos para a Síria ela não será reconhecida lá. Se alguém nos pedir documentos no caminho, não podemos provar que é nossa filha e na Síria não será reconhecida. Esse é o nosso único problema”.

Sem os documentos de Nour, a família não consegue libertar-se do exílio. A ONU aconselha os pais a seguirem três passos essenciais, sabendo que é obrigatório registar as crianças antes de atingirem um ano de vida.

Primeiro têm que obter uma notificação de nascimento passada pelo hospital ou pela parteira; com este documento e os documentos de identidade e certificado de casamento dos pais, devem pedir um certificado de nascimento num notário, um ato que custa 20 dólares, cerca de 17 euros; com este certificado de nascimento deveria ser possível registar a criança na administração libanesa, mas os processo são kafkianos e cerca de 68% das famílias não consegue fazê-lo.

No Líbano, nada é fácil para os sírios. Não têm o direito de trabalhar, deslocarem-se à capital para os procedimentos administrativos é muito complicado, para além de que os processos têm custos proibitivios para estas famílias de recursos limitados, como revela Ahmad:
“Para o meu filho mais novo disseram-nos que temos que atualizar os nossos documentos primeiro. Não nos registam a criança enquanto não tivermos documentos atualizados. A minha mulher há um ano que não tem trabalho e precisamos pelo menos de 400 dólares cada um para os documentos de residência. No total, precisamos de 1000 dólares para registar o meu filho”.

Com a guerra da Síria, uma nova tragédia humana está a desenhar-se no Médio Oriente. Uma geração de apátridas, sem os mais elementares direitos civis: educação, saúde, um emprego digno. Um terreno propício às redes de tráfico e de exploração da condição humana.