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França: Veículo da polícia incendiado em jornada de manifestações contra e a favor dos agentes

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França: Veículo da polícia incendiado em jornada de manifestações contra e a favor dos agentes

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Um veículo da Polícia Nacional foi atacado e incendiado em Paris esta quarta-feira, no mesmo dia em que os agentes se manifestaram por toda a França contra “o ódio” de que dizem ser vítimas por parte de alguns setores da população. O incidente, classificado pelo Governo como “muito grave”, tem lugar quando a França passa por fortes tensões sociais e assiste a violentas manifestações contra o Executivo, por causa das alterações à lei do trabalho.

Mas a manifestação desta quarta-feira, organizada pelos sindicatos da polícia francesa, tinha como objetivo expressar a revolta dos agentes de autoridade face ao que entendem como um “desprezo e ódio”. Só que o movimento foi depois confrontado por grupos que denunciam as violações contra os Direitos Humanos alegadamente cometidas pela polícia durante outras manifestações, como os protestos dos estudantes que têm vindo a acontecer em França nos últimos meses.

Um encontro marcado por um desses grupos, o coletivo social “Cuidado, a nossa polícia assassina” tinha sido, entretanto, proibido pelas autoridades, mas cerca de 300 pessoas, segundo a AFP, concentraram-se perto da manifestação dos agentes da autoridade, entoando palavras de ordem contra os polícias, chamando-lhes “porcos e assassinos” e gritando que “toda a gente detesta a polícia.”

Não muito longe, cerca de 15 pessoas quebraram os vidros de um Renault Scénic da polícia com dois agentes a bordo, atacaram o condutor com paus e bastões, lançando depois um explosivo que acabou por deixar a viatura em chamas. Um dos atacantes agrediu ainda, várias vezes, o agente que conduzia o veículo, que se defendeu sem recurso a qualquer tipo de arma. A acompanhante conseguira, entretanto, escapar do automóvel.

Quatro detidos em Paris

O Ministério francês do Interior, Bernard Cazeneuve, (Administração Interna) anunciou, posteriormente, a detenção de quatro pessoas, três das quais já impedidas de participar em manifestações por serem consideradas como potenciais elementos violentos. Dois dos detidos têm 19 e 21 anos. O ministro Cazeneuve disse ainda que “novas detenções deveriam ter lugar em breve”. Foi aberta uma investigação por tentativa de homicídio voluntário.

As manifestações contra a violência que os polícias dizem sofrer foram organizadas em 60 cidades francesas. A mais importante, a da capital, contou com 1000 participantes, segundo os agentes que protegeram os colegas manifestantes, ou 7 mil, segundo estes, na Praça da República, onde se tem reunido o movimento que protesta contra a reforma do Código do Trabalho francês, o movimento Nuit Debout. Por todo o país, centenas de polícias reuniram-se também em Lille, Nantes, Toulouse, Marselha e Bordéus.

Polícias cansados depois de um ano difícil

As autoridades francesas dizem que mais de 350 membros das forças de ordem foram feridos desde o início das manifestações contra a nova lei do trabalho, durante os últimos dois meses.

Apesar da boa imagem de que gozava perante a sociedade francesa depois dos atentados islamistas de janeiro e de novembro de 2015, a polícia tem sofrido fortes críticas na imprensa francesa, depois de terem sido divulgados vários vídeos que expõem agentes a maltratar e a abusar de manifestantes, alguns dos quais estudantes menores de 18 anos. Cerca de 30 investigações foram abertas contra agentes por supostos abusos nos últimos meses.

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