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Regresso da heroína faz disparar número de toxicodependentes no mundo

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Regresso da heroína faz disparar número de toxicodependentes no mundo

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O número de toxicodependentes no mundo aumentou pela primeira vez em seis anos, de 27 para 29 milhões de pessoas. Um dado que, segundo o relatório anual sobre as drogas da ONU, apresentado esta quinta-feira em Viena, está diretamente relacionado com o ressurgir das drogas duras, em especial a heroína e outros tipos de opiáceos.

O ressurgir da heroína e os novos opiáceos

O documento de 150 páginas refere que um em cada vinte adultos no mundo – 247 milhões de pessoas com idades entre 15 e 64 anos – consumiram algum tipo de droga em 2014. Um número que se mantém estável relativamente aos anos anteriores, quando o cannabis continua a ser a droga mais consumida em todo o planeta – 183 milhões de pessoas em 2014 – e mais apreendida pela polícia – mais de metade dos 2,2 milhões de toneladas de drogas apreendidas há dois anos.

A heroína, em particular, e os opiáceos, em geral, são as drogas que mais contribuiram para as 207 mil mortes de toxicodependentes registadas em 2014.

Dentro dos 29 milhões de consumidores de drogas pesadas, 17 milhões são viciados em opiáceos. O relatório da ONU sublinha igualmente que a mortalidade é 15 vezes maior entre os consumidores de drogas injetáveis.

Uma “epidemia” de heroína nos EUA

Uma das investigadoras que contribuiu para o estudo, Angela Me, alerta em particular para a situação nos EUA, onde fala de “uma epidemia”, depois do número de consumidores de drogas derivadas do ópio ter triplicado desde 2003, com um número de mortes cinco vezes superior àquele registado no início do milénio.

Apesar da diminuição da produção de ópio no Afeganistão (o maior produtor mundial) e uma queda na transformação da heroína de 38%, o aumento do consumo deste tipo de drogas está ligado tanto à duplicação da produção mexicana ( de 11 mil hectares para 24.800 de 2013 a 2014) como ao aumento do consumo de opiáceos sintéticos. O analgésico Fentanyl, 50 vezes mais potente que a heroína – na origem da morte recente do cantor Prince – é uma das drogas responsável pelo aumento do número de mortes nos EUA.

Segundo a Agência norte-americana de combate à droga (DEA), 46 mil norte-americanos faleceram por sobredose em 2013, mais de metade dos quais depois de consumirem analgésicos opiáceos ou heroína.

Legalização do cannabis fez disparar consumo segundo a ONU

Relativamente ao cannabis, o relatório volta ao não poupar os EUA, ao sugerir que a legalização da droga em alguns Estados contribuiu para um aumento do consumo no país. Uma tendência contrária àquela registada na Europa, onde, no entanto, o número de casos de pessoas submetidas a tratamentos aumentou, em especial entre jovens consumidores.

Entre os vários pontos evocados no relatório da ONU, encontra-se ainda a disparidade no consumo de drogas entre homens e mulheres. Os investigadores apontam que os homens têm três vezes mais probabilidades de consumirem cannabis, cocaína ou afteminas. As mulheres, por seu lado, têm maior tendência a consumir tranquilizantes ou medicamentos derivados de opiáceos. Uma disparidade que reflete antes de mais, segundo o relatório da ONU, um contexto social onde os homens têm mais “oportunidades” de aceder aos meios onde se traficam este tipo de drogas ilegais. Em 2014, 90% das pessoas detidas pela polícia por tráfico ou posse de drogas eram do sexo masculino.

O novo tráfico de drogas na “Darknet”

O relatório evoca ainda o possível aumento da venda de drogas por Internet, através da chamada “Internet obscura” (Darknet). Os investigadores da ONU retomam os dados de 2015, onde Portugal se encontra igualmente citado e onde a Suécia é de longe o país com maior número de consumidores que afirmam adquirir drogas através de sites na Internet.

O relatório completo pode ser consultado aqui .

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