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Polémica, insatisfação e indignação marcam o caminho para o Rio2016

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Polémica, insatisfação e indignação marcam o caminho para o Rio2016

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Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro são os primeiros na América do Sul mas são, talvez, dos que mais ficam marcados pela polémica, em termos de organização, ou desorganização. As obras no Estádio João Havelange, palco de provas de Atletismo e de jogos de futebol, que aliás já arrancaram, ainda não terminaram.

Uma situação que se repete em outras infraestruturas olímpicas.

Os Jogos Olímpicos deviam ajudar a melhorar a vida dos Cariocas mas ficam, esencialmente, e ainda antes de começarem, marcados pela polémica, política, com os casos de corrupção e a destituição de Dilma Rousseff.

Polémica na Aldeia Olímpica que tinha acabado de ser inaugurada e já a missão australiana “se atirava ao ar” dizendo que preferia ficar num hotel devido aos problemas vários nos seus apartamentos. A situação tocou outras comitivas mas que não se expressaram de forma tão acalorada.

#vilaolimpicarj2016 #vilaolimpica #vilaolimpicario2016 #vergonha #porforabelaviola #pordentropaobolorento

Uma foto publicada por Elaine Pimentel (@elaine.pimentel2) a

Expressões acaloradas também dos brasileiros mas por outros motivos. A realização dos jogos no país não é pacífica. Há quem considere que o dinheiro gasto deveria ser investido na saúde, educação, por exemplo, e quis mostrá-lo nas ruas.

O percurso da tocha Olímpica sofreu com isso. Teve de ser alterado várias vezes, a última em Niterói, antes de chegar ao Rio de Janeiro e ser entregue ao Presidente da Câmara Eduardo Paes que se diz, aliás, preparado para, no meio de uma crise política e económica, ser vaiado durante a cerimónia oficial de abertura dos Jogos Olímpicos.

Mas o autarca da Cidade Maravilhosa tem outros desafios pela frente,que estão a criar ondas de indignação, mas que não parecem ter solução antes das Olimpíadas. A poluição nos lugares destinados às provas de Natação, Vela, Canoagem. Os atletas são convidados a não abrir a boca enquanto ou se estiverem dentro de água…

O vídeo não é de hoje mas a situação mantém-se

Até quando… 😔 #lixonolixo #ospeixesagradecem #émuitasujeira #recicla ♻️

Um vídeo publicado por Sandra Romeiro (@sandra.romeiro) a

E a juntar à poluição há o vírus Zika, que afastou do Rio de Janeiro atletas de topo, entre eles, diz-se, alguns tenistas. A doença, aliada às águas poluídas, pode tornar-se pandémica.

Já a segurança no Rio de Janeiro não é um problema de hoje. Há milhares de agentes nas ruas mas a polícia recomenda que, em caso de assalto à mão armada não se resista.

A juntar a tudo isto há os problemas a que o Brasil é alheio, mas que não deixam de marcar estas Olimpíadas, como o escândalo de doping dos atletas russos que se transformou numa espécie de telenovela, bem à moda brasileira, onde se espera, ansiosamente, pelo próximo capítulo.

Carlos Caicedo é especialista em segurança para as olimpíadas do Rio 2016. A euronews entrevistou-o a propósito do evento.

Euronews:

O facto de a organização destes Jogos Olímpicos deixar “tudo” para o último minuto preocupa muita gente. Qual é o seu grau de preocupação em relação à preparação do Brasil para responder, em termos de segurança, a um evento desta dimensão?

Carlos Caicedo:

Não é a primeira vez que o Rio organiza um grande evento internacional. Eles fizeram o Mundial de Futebol, fazem o Carnaval todos os anos. O que eles vão fazer é colocar enormes quantidades de militares e polícias nos principais locais olímpicos. Por isso, diria que vão garantir a segurança. Obviamente, que a possibilidade de alguém ser assaltado, na rua, é uma preocupação constante no Rio de Janeiro, mas em geral penso que eles têm a capacidade e, o poder, de garantir a segurança durante os Jogos Olímpicos.

Euronews:

A lenda do futebol brasileiro, Rivaldo, alertou, recentemente, as pessoas para ficarem longe dos Jogos Olímpicos por causa da possibilidade de violência. Qual a sua opinião sobre esta matéria e que conselho daria aos turistas que visitam o Rio?

Carlos Caicedo:

O nível de segurança que testemunhei, na semana passada, foi bastante significativo. A cada 100 metros, há soldados, agentes da polícia e acho que isso vai ser um impedimento significativo, mas se for para fora dessas áreas, relativamente, seguras, para as Favelas, áreas onde não há muita proteção, nesse caso está a expor-se a problemas.

Euronews:

Os sentimentos dos moradores da cidade são, digamos, mistos, em relação ao custo e à segurança do evento. Pensa que eles podem tentar sabotar os Jogos Olímpicos?

Carlos Caicedo:

Bem, já houve alguns protestos. Há um pequeno grupo de organizações civis que estão a tentar organizar protestos. A única coisa que posso dizer é que, o que temos visto até agora, são algumas centenas de pessoas e não milhares como vimos em 2013 durante a Taça das Confederações ou mesmo no Mundial de Futebol.

Euronews:

O Secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, disse que o Zika não deve impedir os turistas de irem aos Jogos, e que o número de casos do vírus diminuiu, significativamente, nos últimos meses. Honestamente, sentia-se seguro de levar a sua família para o Rio?

Carlos Caicedo:

Não há 100% de certeza de que exista uma ligação clara entre microcefalia e Zika. A segunda coisa é que 85% dos casos de Zika estão concentrados no nordeste do Brasil, particularmente, em Pernambuco. E há poucos casos, muito poucos, no Rio de Janeiro. Em terceiro lugar, estamos no inverno, no Rio de Janeiro, o que significa que o terreno é menos fértil para os mosquitos, estes meses em comparação com o verão. A questão do Zika já não é o problema grave que era há três meses e, de alguma forma, o risco diminuiu de tal maneira que a discussão principal agora, no Brasil, é a segurança, e não o Zika.

Euronews:

Os políticos fazem promessas para ganhar a organização dos jogos, mas, infelizmente, muitas vezes acabam por quebrá-las. Estou a referir-me aos esgotos a céu aberto na Baía de Guanabara. Pensa que isso terá um impacto nos Jogos?

Carlos Caicedo:

As metas para a limpeza foram ultrapassadas. E isso tem a ver com o facto de que o Brasil está numa crise de fiscalização, particularmente no Rio de Janeiro. Por isso, acho que vai ser uma corrida contra o tempo e vai haver dificuldades até ao último minuto. Mas penso que, em geral, os polos olímpicos estão operacionais e eu acho tudo deve correr bem, salvo estas falhas.

Euronews:

O Brasil está mergulhado na pior crise económica, em décadas, pensa que os Jogos Olímpicos vão ajudar ou prejudicar o país?

Carlos Caicedo:

Torna a recessão menos dolorosa. Em termos de infraestruturas há alguns benefícios a médio e longo prazo, mas os Jogos Olímpicos, quando se olha para aquilo que representam em termos de PIB, não têm expressão. Representam menos de 1% do PIB.

Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

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