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Birmânia pressionada perante alegado genocídio dos "rohingyas"

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De  Euronews
Birmânia pressionada perante alegado genocídio dos "rohingyas"

<p>É revelador do momento que se vive na Birmânia o pedido de ajuda internacional da ministra dos Negócios Estrangeiros, Aung Suu Kyi, para resolver a precária situação dos “rohingyas”, uma minoria muçulmana no país dominado pelos monges budistas.</p> <p>Ex-secretário geral das Nações Unidas e Nobel da Paz em 2001, Kofi Annan chegou esta terça-feira ao estado de Rakhine, na costa oeste da Birmânia, com uma mensagem de paz.</p> <p>“Para construir o futuro, as duas maiores comunidades do país vão ter de ultrapassar décadas de desconfiança e encontrar formas de aceitar valores comuns de justiça, bom senso e equidade. Estamos aqui para ajudar com ideias e recomendações”, afirmou Koffi Annan.</p> <p>Os budistas nacionalistas não parecem estar, contudo, recetivos aos conselhos do ex-responsável da <span class="caps">ONU</span>, <a href="http://www.moi.gov.mm/moi:eng/?q=news/6/09/2016/id-8351">nomeado presidente de uma Comissão Consultiva para o estado de Rakhine.</a> </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Up to 1,000 Rakhine nationalists, led by the <span class="caps">ANP</span> & Rakhine Womens Network protest Kofi Annan's arrival in the state <a href="https://t.co/S3APxL7SVV">https://t.co/S3APxL7SVV</a></p>— Burma Task Force (@BurmaTaskForce) <a href="https://twitter.com/BurmaTaskForce/status/773199055786610689">6 de setembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>“Não, à comissão liderada por Koffi Annan”; “Não, à interferência de estrangeiros tendenciosos nos problemas de Rakhine”. Os gritos de uma multidão na receção a Kofi Annan em Rakhine eram esclarecedores.</p> <p>É no estado de Rakhine onde se concentra a minoria “rohingya” do país. São entre 800.000 e 1,3 milhões muçulmanos, sem direitos, numa terra com 80 a 90 por cento de budistas.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">220 thounsand <a href="https://twitter.com/hashtag/Rohingya?src=hash">#Rohingya</a> people are still displaced, forced to live away from their homes in camps.<a href="https://twitter.com/hashtag/Myanmar?src=hash">#Myanmar</a> <a href="https://t.co/U0PaXfnWUI">pic.twitter.com/U0PaXfnWUI</a></p>— Humanitarian Relief (@IHHen) <a href="https://twitter.com/IHHen/status/771298217149562880">1 de setembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Sem consenso nem mesmo entre historiadores, na versão oficial os “rohingyas” teriam vindo do vizinho Bangladeche, no final do século <span class="caps">XIX</span>, durante a colonização britânica. Esta versão serviu o interesse dos sucessivos governos e dos nacionalistas. </p> <p>Em 1982, a junta militar elaborou uma lista com os 135 grupos étnicos reconhecidos no país, isto é, as “raças nacionais” já existentes antes da chegada dos britânicos. Os “rohingyas” foram excluídos. Tornaram-se apátridas e imigrantes ilegais sem direitos.</p> <div style="width:300px; float:right; margin-left:8px;margin-bottom:8px;margin-right:8px;">   <div style="background-color:#e8e8e8; font-size:12px; padding:8px;border-radius:8px;"> <h4>“Rohingyas” mudam de nome oficial</h4> Auun Suu Kyi orientou em meados deste ano os responsáveis do governo da Birmânia para não usarem o termo “rohingya” para se referirem àquela minoria islâmica. A ministra dos Negócios Estrangeiros exigiu que os membros daquela comunidade deveriam ser referidos como “pessoas do estado de Rakhine crentes no Islão”. A decisão foi justificada como uma tentativa de amenizar as tensões no país face a esta minoria.</p> </div> </div>Em 2012, a violência estalou. Morreram mais de 200 pessoas. A maioria, “rohingyas”. Aldeias foram incendiadas. Os “rohingyas” foram perseguidos, torturados e muitos assassinados. Diversas organizações não-governamentais (<span class="caps">ONG</span>) denunciaram estes ataques como um genocídio orquestrado pelas autoridades, alguns grupos locais e pelos monges budistas. <p>Para fugir à perseguição e à miséria, há os que arriscam deixar a Birmânia a bordo de embarcações precárias, num trágico fenómeno agora também bem presente no dia-a-dia da costa mediterrânica sul e do sudeste europeu (Itália e Grécia).</p> <p>Nestas perigosas viagens, muitos perdem a vida. Seja como for, é sempre um bilhete de ida para o incerto porque ninguém quer acolher os “rohingyas”. Nem no Bangladeche, de onde se diz serem originários e onde já estarão centenas de milhares refugiados; nem na Malásia, na Indonésia ou noutros destinos onde têm procurado refúgio.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/Humanrights?src=hash">#Humanrights</a> violations against <a href="https://twitter.com/hashtag/Rohingya?src=hash">#Rohingya</a> Muslims & other minorities in <a href="https://twitter.com/hashtag/Myanmar?src=hash">#Myanmar</a>: <a href="https://t.co/V9CjuUPY9w">https://t.co/V9CjuUPY9w</a> <a href="https://t.co/ttKUc34VwZ">pic.twitter.com/ttKUc34VwZ</a></p>— UN Human Rights (@UNHumanRights) <a href="https://twitter.com/UNHumanRights/status/770912867075915776">31 de agosto de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p></p> <p>A situação tem de ser resolvida na Birmânia e está, agora, nas mãos do novo governo. Com a colaboração de Koffi Annan. </p> <p>No final da recente cimeira de paz de cinco dias, conhecida como Conferência Panglong do Século <span class="caps">XXI</span>, <a href="http://www.unmultimedia.org/radio/english/2016/09/without-peace-there-will-be-no-future-for-myanmar-un-expert/#.V873klt95pg">a enviada especial da <span class="caps">ONU</span> para as questões de direitos humanos na Birmânia alertou</a> que “sem paz não haverá futuro” para o país. “Está muito em risco”, avisou a coreana Yanghee Lee.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">Without peace there will be “no future” for Myanmar: UN expert | United Nations Radio – Radio interview <a href="https://twitter.com/hashtag/Panglong?src=hash">#Panglong</a> <a href="https://t.co/Q1aDwupr2f">https://t.co/Q1aDwupr2f</a></p>— Yanghee Lee (@YangheeLeeSKKU) <a href="https://twitter.com/YangheeLeeSKKU/status/771824878181687296">2 de setembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>