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Birmânia pressionada perante alegado genocídio dos "rohingyas"

Birmânia pressionada perante alegado genocídio dos "rohingyas"
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É revelador do momento que se vive na Birmânia o pedido de ajuda internacional da ministra dos Negócios Estrangeiros, Aung Suu Kyi, para resolver a precária situação dos “rohingyas”, uma minoria muçulmana no país dominado pelos monges budistas.

Ex-secretário geral das Nações Unidas e Nobel da Paz em 2001, Kofi Annan chegou esta terça-feira ao estado de Rakhine, na costa oeste da Birmânia, com uma mensagem de paz.

“Para construir o futuro, as duas maiores comunidades do país vão ter de ultrapassar décadas de desconfiança e encontrar formas de aceitar valores comuns de justiça, bom senso e equidade. Estamos aqui para ajudar com ideias e recomendações”, afirmou Koffi Annan.

Os budistas nacionalistas não parecem estar, contudo, recetivos aos conselhos do ex-responsável da ONU, nomeado presidente de uma Comissão Consultiva para o estado de Rakhine.

“Não, à comissão liderada por Koffi Annan”; “Não, à interferência de estrangeiros tendenciosos nos problemas de Rakhine”. Os gritos de uma multidão na receção a Kofi Annan em Rakhine eram esclarecedores.

É no estado de Rakhine onde se concentra a minoria “rohingya” do país. São entre 800.000 e 1,3 milhões muçulmanos, sem direitos, numa terra com 80 a 90 por cento de budistas.

Sem consenso nem mesmo entre historiadores, na versão oficial os “rohingyas” teriam vindo do vizinho Bangladeche, no final do século XIX, durante a colonização britânica. Esta versão serviu o interesse dos sucessivos governos e dos nacionalistas.

Em 1982, a junta militar elaborou uma lista com os 135 grupos étnicos reconhecidos no país, isto é, as “raças nacionais” já existentes antes da chegada dos britânicos. Os “rohingyas” foram excluídos. Tornaram-se apátridas e imigrantes ilegais sem direitos.

 

“Rohingyas” mudam de nome oficial

Auun Suu Kyi orientou em meados deste ano os responsáveis do governo da Birmânia para não usarem o termo “rohingya” para se referirem àquela minoria islâmica. A ministra dos Negócios Estrangeiros exigiu que os membros daquela comunidade deveriam ser referidos como “pessoas do estado de Rakhine crentes no Islão”. A decisão foi justificada como uma tentativa de amenizar as tensões no país face a esta minoria.
Em 2012, a violência estalou. Morreram mais de 200 pessoas. A maioria, “rohingyas”. Aldeias foram incendiadas. Os “rohingyas” foram perseguidos, torturados e muitos assassinados. Diversas organizações não-governamentais (ONG) denunciaram estes ataques como um genocídio orquestrado pelas autoridades, alguns grupos locais e pelos monges budistas.

Para fugir à perseguição e à miséria, há os que arriscam deixar a Birmânia a bordo de embarcações precárias, num trágico fenómeno agora também bem presente no dia-a-dia da costa mediterrânica sul e do sudeste europeu (Itália e Grécia).

Nestas perigosas viagens, muitos perdem a vida. Seja como for, é sempre um bilhete de ida para o incerto porque ninguém quer acolher os “rohingyas”. Nem no Bangladeche, de onde se diz serem originários e onde já estarão centenas de milhares refugiados; nem na Malásia, na Indonésia ou noutros destinos onde têm procurado refúgio.

A situação tem de ser resolvida na Birmânia e está, agora, nas mãos do novo governo. Com a colaboração de Koffi Annan.

No final da recente cimeira de paz de cinco dias, conhecida como Conferência Panglong do Século XXI, a enviada especial da ONU para as questões de direitos humanos na Birmânia alertou que “sem paz não haverá futuro” para o país. “Está muito em risco”, avisou a coreana Yanghee Lee.