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Polónia: Milhares protestam contra proibição total do aborto

Milhares de mulheres entraram em greve, e participaram em manifestações, esta segunda-feira, em protesto contra um proposta legislativa para a proibição total do aborto na Polónia.

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Polónia: Milhares protestam contra proibição total do aborto

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Milhares de mulheres, muitas vestidas de preto, entraram em greve um pouco por toda a Polónia, esta segunda-feira, em protesto contra um proposta legislativa para a proibição total do aborto, feita por um grupo independente.

Na capital, Varsóvia, decorreram manifestações junto ao Parlamento e à sede do partido Lei e Justiça, conservador, no poder.

A líder da coligação Esquerda Unida, Barbara Nowacka, disse que “eles propõem a barbárie, o obscurantismo, uma visão medieval e extremista, como os talibãs. Não queremos isso, vamos expulsar os fanáticos. Vamos travar estes fanáticos!”

A Polónia, país onde 90% dos 38 milhões de cidadãos se declaram católicos, é um dos mais restritivos nesta matéria, registando-s apenas algumas centenas de intervenções por ano.

O aborto é permitido em caso de violação, incesto, ameaça para a saúde da mãe ou graves deficiências do feto.

Os críticos dizem que as novas regras propostas iriam desencorajar os médicos de realizarem exames pré-natais, particularmente se os procedimentos implicarem risco de aborto espontâneo, e colocar em risco a vida de mulheres com uma gravidez ectópica.

Ativistas alegam, também, que muitas mulheres não têm acesso ao procedimento na atualidade, porque os médicos invocam o direito legal de recusa por razões morais ou religiosas.

Dezenas de milhares de procedimentos acabam por ser feitos em países vizinhos, como a Alemanha ou a Eslováquia, mas apenas para quem tem os meios.

Não está claro se o partido no poder vai apoiar o projeto de lei, tendo alguns dos seus membros sido citados na imprensa local como disponíveis para apresentar uma proposta alternativa, segundo a agência de notícias Reuters.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Witold Waszczykowski, considerou o protesto como uma forma de diversão.

“Deixe-os divertirem-se. Devem ir em frente se acham que não há problemas maiores na Polónia”, declarou à rádio RMF FM.