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EUA: A droga não vem só das ruas, muita vem das farmácias e consultórios


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EUA: A droga não vem só das ruas, muita vem das farmácias e consultórios

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Com Stefan Grobe, nos EUA

Uma ambulância a transportar uma vítima de overdose para o hospital é uma cena demasiado comum na cidade de Baltimore, no Estado de Maryland, Estados Unidos.

A droga é uma verdadeira praga: Não só as drogas compradas na rua, como a heroína, o crack ou a cocaína, mas também os medicamentos à base de opiáceos, como a morfina, conseguidos através de receitas médicas.

Para a comissária de saúde da cidade, Leana Wen, são estas drogas, conseguidas de forma legal, que estão na base deste flagelo: “Infelizmente, está a haver uma epidemia de prescrição de opiáceos. A quantidade de opiáceos receitados nos Estados Unidos é suficiente para que cada adulto tenha o seu próprio frasco destes medicamentos. Os Estados Unidos representam 5% da população mundial e 80% das receitas de opiáceos. Será que precisamos de tantos medicamentos? A resposta é com certeza que não”.

O consumo de drogas e a delinquência não se limitam aos centros urbanos. Começam a alastrar a zonas rurais do Estado de Maryland, até agora consideradas pacatas. A polícia do condado de Montgomery não para. A droga está na base de uma grande parte da delinquência que as forças da ordem combatem no dia-a-dia: “Lidamos sobretudo com a pequena criminalidade. Coisas como conduta desordeira ou furtos menores. Na maior parte dos casos, é o consumo de droga que está a fazer as pessoas cometer esses crimes. Nós tentamos tirá-las desse sistema e oferecer-lhes ajuda”, explica Mark Sheelor, da polícia local.

Michael Krafft, de 38 anos, é um dos ex-toxicodependentes a beneficiar do programa de ajudas do governo federal, aprovado pelo Congresso este ano como Addiction and recovery act. É uma história típica de dependências que começou com o álcool, ainda na adolescência. Deixar a dependência foi demasiado duro, mas conseguiu.

“Algumas destas drogas são tão poderosas e a saída é tão dolorosa que muitos nem sequer tentam. Há gente nos Alcoólicos Anónimos e nos Narcóticos Anónimos que conseguiu manter-se limpa por 15, 20 ou 30 anos e depois acaba por recair. Eu, se voltar a tocar na bebida ou na droga, sei que a minha vida acabou”, conta ao nosso repórter.

Michael, recuperado do vício, é agora empresário. Muitos, como o filho de Don, não tiveram a mesma sorte e acabaram a engrossar as estatísticas dos mortos por overdose: “Encontrei o meu filho morto. Entrei no quarto, ele estava numa casa a fazer uma cura. Encontrei-o e ele devia estar morto há cerca de 14 horas. Tinha 32 anos. Os vícios dele tinham altos e baixos, era um viciado funcional. As farmacêuticas, o governo, os médicos… Todos têm uma parte de responsabilidade. Isso vai ter de mudar, tal como o tratamento das doenças mentais e o tipo de ajuda e reabilitação que são necessárias”, conta este pai.

“Para mim, o que é trágico é que a ciência é clara. A ciência é inequívoca ao classificar o vício como uma doença. E existe tratamento. Sabemos que o tratamento funciona. Sabemos que a recuperação é possível. Apenas precisamos do financiamento e da vontade política para que isso exista”, conclui Leana Wen.

“Os peritos dizem que o abuso de opiáceos e a crise de dependência são emergências de saúde pública. No entanto, os políticos têm falado muito pouco deste tema durante a campanha para as presidenciais. Uma coisa é certa: Quem quer que vença a corrida à Casa Branca vai ter em mãos um grande problema, que ameaça destruir o tecido da sociedade americana” – Stefan Grobe, repórter da euronews nos EUA.

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