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Chapecoense: Aviação Civil colombiana diz que avião voava sem combustível suficiente

Relatório preliminar da agência colombiana de aviação civil diz que o acidente do voo do Chapecoense foi causado por falha humana e não por problemas técnicos.

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Chapecoense: Aviação Civil colombiana diz que avião voava sem combustível suficiente

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Com EFE e El Tiempo (Colômbia)

Point of view

Eram conscientes de que não tinham combustível adequado e suficiente.

Fredy Bonilla Aerocivil, Aeronáutica Civil Colombiana

O relatório preliminar apresentado pela Aerocivil, a agência colombiana de aviação civil, aponta para uma série de erros humanos como causa do acidente do voo 2933 da boliviana LaMia, que deixou 71 mortos, no final de novembro, entre os quais, quase todos os membros da equipa brasileira de futebol de Chapecó, o Chapecoense, no estado de Santa Catarina.

A investigação da Aerocivil, detetou “várias irregularidades de procedimento” e descartou “qualquer falha técnica,” da própria aeronave, um Avro RJ85, fabricado pela British Aerospace, agora parte da BAE Systems.

Segundo o coronel Fredy Bonilla, secretário de Segurança Aérea da Aerocivil, o aparelho voava sem combustível suficiente.


Bonilla referiu que o piloto conversou com a tripulação sobre a possibilidade de fazerem uma escala para reabastecimento, no momento em que o aparelho sobrevoava a cidade colombiana de Letícia. No entanto, acabaram por decidir continuar até Medellín.

As condições atmosféricas fizeram com que o consumo de combustível fosse maior do que o previsto, pois o avião foi obrigado a fazer mais resistência à força dos ventos.

No entanto, o plano de voo demonstrava uma autonomia de voo de quatro horas e 22 minutos, ou seja, igual à duração do trajeto, quando “deveria ter uma hora e 30 minutos mais” do que o tempo médio calculado para o trajeto em questão.

Em viagens semelhantes anteriormente feitas pela delegação do Chapecoense, os planos de voo incluíam escalas no município boliviano de Cobija para reabastecimento de combustível.

No entanto, tal não aconteceu desta vez, segundo a Aerocivil, algo que só foi possível graças à permissão das autoridades bolivianas.

O relatório indica também que, ao pedir autorização para aterrar no aeroporto José María de Córdova, de Medellín, o piloto não informou que, naquele momento, voavam com apenas dois dos quatros motores.


A pouco mais de três minutos e meio do acidente, o aparelho ficou sem qualquer fonte de potência, uma vez que o combustível tinha literalmente acabado.

Dois minutos antes da queda, o piloto informa, finalmente, de uma falha elétrica e de combustível, despenhando-se no município de La Unión, onde voava já a altitude considerada insuficiente.

Além disso, o avião não estava autorizado a voar a mais de 29 mil pés, ainda que as autoridades bolivianas tenham permitido que voasse a 30 mil pés, como previsto no plano de voo.

Por último, o aparelho voava com carga excessiva, ou seja, 400 quilos a mais do que era permitido, como indicado pelo fabricante.

Grande parte dos extratos apresentados (gravações audio) foram retiradas das caixas negras do aparelho e examinadas em Londres pelos próprios fabricantes.

As conclusões finais do relatório deverão ser apresentadas em março do próximo ano.
“A tragédia podria ter sido pior
Segundo Yaneth Molina, que se encontrava em funções na torre de controlo do aeroporto de José María de Córdova no momento em que o voo da LaMia se aproximava, a tragédia poderia ter sido pior.

O diário colombiano El Tiempo conta que, em declarações a uma rádio nacional, Molina explicou que o voo da LaMia passou por momentos finais muito complicados, porque não informou sobre os detalhes necessários durante a aproximação – como deve ser feito, de forma obrigatória – à torre, terminando quase “em cima de outras três aeronaves”.

Molina diz que a distância em relação a duas delas era considerada “crítica”, pouco antes do acidente.