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Obituário das artes em 2016: De David Bowie e Nicolau Breyner a George Michael

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De  Francisco Marques
Obituário das artes em 2016: De David Bowie e Nicolau Breyner a George Michael

<p>Atores, cineastas, argumentistas, escritores e músicos – no fim do ano é altura de relembrar os artistas que nos inspiraram ao longo dos tempos e que nos deixaram. </p> <p>Este 2016 revelou-se trágico, em especial, para a música mais comercial anglosaxónica. Em Portugal, morreu com semanas de intervalo a dupla que criou “Vila Faia”, a primeira telenovela portuguesa: Nicolau Breyner e Francisco Nicholson.</p> <hr> <h2>Fernanda Peres (1931-2016), 84 anos, <span class="caps">PORTUGAL</span>, música</h2> <p>O ano abriu com a morte da lisboeta conhecida desde os 10 anos como “a miúda do Bairro Alto”. Começou por se dedicar à costura, mas, aos 17 anos, a autora do “Fado das Lágrimas” venceu o concurso português de Jovens Fadistas da antiga Emissora Nacional e entrou para os quadros da empresa.</p> <p>Tinha o sonho do teatro, concretizou-o e contracenou com Vasco Santana no filme “Eram 200 Irmãos”, de Armando Vieira Pinto. Tornou-se popular desde as emissões experimentais da <span class="caps">RTP</span>, em meados dos anos 50 e representou Portugal, em 1954, no Festival da Canção Latina.</p> <p>A 27 de novembro de 2012, no primeiro aniversário da consagração do Fado como Património Imaterial da Humanidade pela <span class="caps">UNESCO</span>, recebeu o Medalha de Mérito, Grau Ouro, da Cidade de Lisboa.</p> <p>Fernanda Peres <b>morreu a sete de janeiro</b>, em Lisboa. Tinha 84 anos.</p> <hr> <h2>David Bowie (1947-2016), 69 anos, Reino Unido, música</h2> <p>O ano abriu com a morte, vítima de cancro, do “camaleão” da Pop. Responsável por temas eternos como “Space Oddity”, “Heroes” ou “Let’s dance”, o músico britânico foi um dos mais inovadores artistas da história.</p> <p>Considerado pelos críticos e músicos de todas as idades como influencia e inspiração, Bowie ficou marcado pela constante reinvenção e pela irreverência estética.</p> <style>.embed-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; } .embed-container iframe, .embed-container object, .embed-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; }</style><div class='embed-container'><iframe src='https://www.youtube.com/embed//y-JqH1M4Ya8' frameborder='0' allowfullscreen></iframe></div></p> <p>Liderou tops, atuou duas vezes em Portugal e bateu recordes com vendas de discos estimadas em cerca 140 milhões de exemplares por todo o mundo.</p> <p>David Bowie <b>morreu a 10 de janeiro</b>. Tinha 69 anos.</p> <hr> <h2>Alan Rickman (1946-2016), 69 anos, Reino Unido, cinema</h2> <p>Saltou para a fama como “professor Snape” na saga “Harry Potter”. Antes, já tinha consolidado a carreira como vilão em filmes como “Robin dos Bosques: Príncipe dos Ladrões” ou “Assalto ao Arranha-céus”. Partilhou o cartaz de “O Amor Acontece” com a portuguesa Lucia Moniz.</p> <p>Alan Rickman <b>morreu a 14 de janeiro</b>, vítima de cancro. Tinha 69 anos. </p> <h2>Umberto Eco (1932-2016), 84 anos, Itália, literatura</h2> <p>Romancista, crítico literário, filósofo e professor universitário, o italiano ficou conhecido mundialmente pelo romance de 1980 “O nome da Rosa”, um mistério histórico transposto para o cinema, com interpretações de Sean Connery e Christian Slater, combinando ficção com análise bíblica e estudos medievais.</p> <p>Umberto Eco <b>morreu a 19 de fevereiro</b>. Tinha 84 anos.</p> <hr> <h2>Nicolau Breyner (1940-2016), 75 anos, <span class="caps">PORTUGAL</span>, teatro/cinema/televisão</h2> <p>Nasceu e cresceu em Serpa, no Alentejo, mudou-se para Lisboa e estudou canto, área em que se diplomou, tal como em teatro, no Conservatório Nacional. </p> <p>Começou no teatro e após a Revolução de 25 de abril de 1974 lançou-se na televisão. Foi o “padrinho” da estreia de Herman José no pequeno ecrã e coautor, no início dos anos 80, da “Vila Faia”, a primeira telenovela portuguesa.</p> <p>Somou mais de meia centena de participações no cinema, incluindo em “Comboio Noturno para Lisboa” (2013), em que contracenou com Jeremy Irons e Christopher Lee. </p> <p>Em 2005, foi distinguido com o grau honorífico de Grande-Oficial da Ordem do Mérito e, já este ano, a título póstumo, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.</p> <p>Nicolau Breyner <b>morreu a 14 de março</b>, em casa, vítima de ataque cardíaco. Tinha 75 anos.</p> <hr> <h2>Francisco Nicholson (1938-2016), 77 anos, <span class="caps">PORTUGAL</span>, teatro/cinema/televisão</h2> <p>Nasceu no seio de uma família ligada às artes, com origens aristocratas do lado do pai, filho de um inglês.</p> <p>Começou a fazer teatro com 14 anos e integrou o Grupo da Mocidade, onde partilhou o palco, por exemplo, com Rui Mendes. </p> <p>Estudou em Paris e inaugurou o Teatro Villaret a convite de Raul Solnado. Estreou-se na televisão em 1964, com o programa Riso e Ritmo. Foi um dos autores de “Oração”, a canção com que António Calvário venceu o primeiro Festival <span class="caps">RTP</span> da Canção.</p> <p>Com Nicolau Breyner, foi coautor de “Vila Faia” (1982) e continuiu a trabalhar para o pequeno ecrã e para o teatro tanto como argumentista como ator. É um dos grandes nomes da chamada Revista à Portuguesa.</p> <p>Francisco Nicholson <b>morreu a 12 de abril</b>, vítima de complicações decorrentes de um transplante hepático realizado em 2011.</p> <hr> <h2>Prince (1958-2016), 57 anos, Estados Unidos, música</h2> <p>Em abril, o mundo da música perdia outro dos grandes: Prince Rogers Nelson. </p> <p>O artista conhecido na maior parte das vezes apenas como Prince atuou por quatro vezes em Portugal. A última, em 2013, quando anunciou de surpresa um concerto e tocou durante três horas para um lotado Coliseu dos Recreios, em Lisboa.</p> <style>.embed-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; } .embed-container iframe, .embed-container object, .embed-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; }</style><div class='embed-container'><iframe src='https://www.youtube.com/embed//1Lmq6RDn5O8' frameborder='0' allowfullscreen></iframe></div></p> <p>Deixa um legado de 39 álbuns de estúdio, cinco bandas sonoras para filmes, quatro discos ao vivo e cinco compilações. Escreveu mais de mil músicas e os singles editados chegam às 97 rodelas de vinil de sete polegadas ou de 45 rpm.</p> <p>Revolucionário, influente, rebelde e um amigo pessoal da fadista portuguesa Ana Moura, Prince terá sido vítima de uma overdose acidental com um analgésico derivado do ópio. <b>Morreu a 21 de abril</b> na casa onde vivia, em Minneapolis, nos Estados Unidos. Tinha 57 anos.</p> <hr> <h2>Vicente da Câmara (1928-2016), 88 anos, <span class="caps">PORTUGAL</span>, música</h2> <p>Nasceu em berço aristocrata, com ascendência ligada ao descobridor da ilha da Madeira, João Gonçalves Zarco. </p> <p>Aos 15 anos, já cantava como amador nos cafés tradicionais do Bairro Alto, em Lisboa. Celebrizou-se pelo fado “A Moda das Tranças Pretas” e seguiu os passos, por exemplo, de Amália Rodrigues, realizando digressões também pelo Médio Oriente.</p> <p>Vicente da Câmara <b>morreu a 28 de maio</b>, em Lisboa, vítima de paragem cardiorrespiratória.</p> <hr> <h2>Anton Yelchin (1989-2016), 27 anos, Rússia, cinema</h2> <p>Era um ator em ascenção. Filho de judeus russos, nasceu em São Petersburgo, no fim da antiga União Soviética, mas viria a naturalizar-se norte-americano.</p> <p>Ficou famoso como “Chekov”, nos novos filmes da epopeia “Star Trek” ou “Caminho das Estrelas”. O mais recente episódio da saga, “Star Trek: Além do Universo” (2016), foi-lhe dedicado. </p> <p>Anton Yelchin <b>morreu a 19 de junho</b>, num acidente de automóvel. Tinha 27 anos.</p> <hr> <h2>Gene Wilder (1933-2016), 83 anos, Estados Unidos, cinema</h2> <p>Brilhou em clássicos da sétima arte como “A Maravilhosa História de Charlie” (1971) (também conhecido como “Willy Wonka e a Fábrica de Chocolate”), “Frankenstein Júnior” (1974) ou “A Mulher de Vermelho” (1984).</p> <p>Foi nomeado para dois Óscares: um como argumentista de “Frankenstein Júnior”; outro como melhor ator secundário em “O Falhado Amoroso” (1967)</p> <p>Gene Wilder <b>morreu a 29 de agosto</b>, de complicações relacionadas com a doença de Alzheimer. Tinha 83 anos.</p> <hr> <h2>Andrej Wajda (1926-2016), 90 anos, Polónia, cinema</h2> <p>Aclamado realizador de cinema, ficou famoso pelos filmes que refletiam a história turbulenta da Polónia, nomeadamente através do filme “O Homem de Ferro” (1981), uma provocação ao regime comunista polaco da altura, que lhe valeu a Palma de Ouro, em Cannes.</p> <p>Realizou mais de 40 filmes, numa carreira com 60 anos. Entre dezenas de outras distinções, recebeu há 16 anos o Óscar honorário. Manteve-se no activo até ao final da vida e o seu mais recente filme, “Powidoki” (“Afterimage”, título em inglês) é o candidato polaco ao Óscar deste ano para melhor filme em língua não inglesa.</p> <p>Andrej Wajda <b>morreu a 9 de outubro</b>, em Varsóvia, vítima de falha pulmonar após vários dias internado em coma induzido. Tinha 90 anos.</p> <hr> <h2>Dario Fo (1926-2016), 90 anos, Itália, literatura</h2> <p>Ator, comediante, cantor, diretor de teatro, encenador, compositor, pintor e ativista político, o italiano, tal como Andrej Wajda, também morreu em outubro e aos 90 anos. Esteve 12 dias internado num hospital de Milão devido a problemas respiratórios.</p> <p>Dizia ter “a perspetiva dos homens do Renascimento, capazes de olhar o todo”. Nobel de Literatura em 1997, morreu, curiosamente, no mesmo dia do anúncio de Bob Dylan como novo Nobel da Literatura: <b>13 de outubro.</b></p> <hr> <h2>Leonard Cohen (1934-2016), 82 anos, Canadá, música</h2> <p>O barítono da Pop <b>morreu a sete de novembro</b>. Tinha lançado o último álbum, “You Want it Darker”, apenas três semanas antes.</p> <p>O autor de “Dance Me To The End Of Love” e “Hallelluja” deixou um legado de 14 álbuns de estúdio, oito discos ao vivo, diversos livros de poesia e pelo menos dois romances escritos. Atuou por seis vezes em Portugal — a última, em Lisboa, em 2012. </p> <style>.embed-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; } .embed-container iframe, .embed-container object, .embed-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; }</style><div class='embed-container'><iframe src='https://www.youtube.com/embed//NGorjBVag0I' frameborder='0' allowfullscreen></iframe></div></p> <p>Leonard Cohen estava a lutar contra um cancro, mas terá sido vítima de uma queda em casa, referiu o agente. Tinha 82 anos.</p> <hr> <h2>George Michael (1963-2016), 53 anos, Reino Unido, música</h2> <p>Foi o último grande nome da música internacional a deixar-nos este ano. Britânico, de ascendência cipriota (o nome de baptismo é Georgios Kyriacos Panayiotou), coautor, curiosamente, de um dos grandes sucessos de Natal da Pop mundial, “Last Christmas”, <strong>morreu no dia 25 de dezembro</strong>.</p> <p>De acordo com o agente, George Michael morreu em casa, em Inglaterra, vítimas de falha cardíaca durante o sono.</p> <p>O músico saltou para a fama no início dos anos 80, através do duo Wham!, com o qual lançou por exemplo o êxito “Wake Me Up Before you Go Go” e o tal êxito natalício. No final dessa década lançou-se a solo. </p> <style>.embed-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; } .embed-container iframe, .embed-container object, .embed-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; }</style><div class='embed-container'><iframe src='https://www.youtube.com/embed//6Cs3Pvmmv0E' frameborder='0' allowfullscreen></iframe></div></p> <p>Em nome próprio, lançou cinco álbuns de estúdio, duas compilações e cerca de 40 singles. Vendeu mais de 100 milhões de discos em todo o mundo e atuou uma única vez em Portugal, em 2007, em Coimbra. George Michael tinha 53 anos.</p> <hr> <h2>Carrie Fisher (1956-2016), 60 anos, Estados Unidos,cinema</h2> <p>Foi também escritora e argumentista – como atriz desempenhou muitos papéis, mas ficou, para sempre, colada a uma personagem: a princesa Leia da saga Guerra das Estrelas.</p> <p>Carrie Fisher <strong>morreu aos 60 anos, no dia 27 de dezembro</strong>, quatro dias depois de ter sofrido um ataque cardíaco a bordo de um avião.</p> <p>A última aparição no grande ecrã tinha sido, justamente, no regresso da saga e das personagens da primeira trilogia, mais de trinta anos depois, com o “Episódio <span class="caps">VII</span> – O Despertar da Força”, estreado no Natal de 2015.</p> <iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/-EllXstNyjY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="en"><p lang="en" dir="ltr">no words <a href="https://twitter.com/hashtag/Devastated?src=hash">#Devastated</a> <a href="https://t.co/R9Xo7IBKmh">pic.twitter.com/R9Xo7IBKmh</a></p>— Mark Hamill (@HamillHimself) <a href="https://twitter.com/HamillHimself/status/813816434073579521">December 27, 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h2>Debbie Reynolds (1932 – 2016, 84 anos, Estados Unidos)</h2> <p>Somente algumas horas após a morte da filha, a mãe de Carrie Fisher, a atriz Debbie Reynolds, morreu também de ataque cardíaco. Tinha 84 anos.</p> <p>Se Carrie representou uma das personagens de referência do cinema moderno, a mãe, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-wI4jJq98tU">Debbie Reynolds</a>, era uma últimas grandes estrelas da época dourada de Hollywood.</p>