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Exclusivo: Iraniana Googoosh vive em LA e receia ser impedida de voltar aos EUA


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Exclusivo: Iraniana Googoosh vive em LA e receia ser impedida de voltar aos EUA

Faegheh Atashin nasceu em Teerão, capital do Irão, a 5 de maio de 1950, tem 66 anos e vive há cerca de 16 nos Estados Unidos.

Atriz e cantora, ficou famosa nos anos 70, mas foi obrigada a suspender a carreira após a Revolução Iraniana de 1979, da qual resultou o impedimento islâmico de as mulheres poderem exercer no Irão diversas atividades lúdicas, incluindo cantar.

Conhecida pelo nome artístico Googoosh, a cantora iraniana mudou-se para os Estados Unidos em 2000, voltou a cantar e recebeu um “green card”, um tipo de visto de residência permanente emitido pelas autoridades norte-americanas.

O facto de ser iraniana e estar de momento na Europa leva-a a recear o regresso àquela que diz ser a sua segunda casa. Tudo por causa da ordem executiva emitida pelo novo Presidente dos Estados Unidos para bloquear a entrada no país de cidadãos oriundos de sete países de maioria islâmica do Médio Oriente e norte de África, incluindo o Irão.

 

Ordem de Trump afeta Óscares


O realizador do filme iraniano “O Vendedor”, um dos nomeados este ano para o Óscar de melhor filme em língua não inglesa, anunciou a ausência da cerimónia deste ano por causa da ordem de Trump.

“Lamento anunciar a decisão de não ir à cerimónia da entrega dos Óscares ao lado dos meus camaradas da comunidade cinematográfica”, afirmou Asghar Farhadi, num comunicado em que expressou ainda “reprovação pelas condições injustas” impostas a “compatriotas e a cidadãos de outros seis países que tentam entrar de forma legal nos Estados Unidos”. “Espero que esta situação não dê origem a mais divisões entre nações”, concluiu.

Também a atriz iraniana Taraneh Alidoosti, a estrela de “O Vendedor”, recusou viajar para os EUA e participar na gala do cinema norte-americano.

Desde Londres, onde está a gravar um disco, Googoosh acedeu a falar em exclusivo com a euronews um dia antes do planeado voo de regresso aos Estados Unidos. A artista terá sido aconselhada pelos advogados a nem sequer embarcar e revela-nos o receio de ser impedida de voltar a casa, sendo que também o regresso ao Irão está posto de parte.

Mohsen Salehi, euronews: Possui um “green card” norte-americano e reside em Los Angeles. Pretende viajar esta quinta-feira para os Estados Unidos. Está preocupada com a possibilidade de ser detida e interrogada à chegada?
Googoosh:
Tenho pensado nisso. Como é normal, já recebi algumas garantias. De facto, posso dizer que passei pelo mesmo há 37 anos quando viajei, em 1980, de Londres para Teerão já à espera de uma receção desconfortável. Na altura, os receios concretizaram-se. Com o regime islâmico a assumir o poder, a minha atividade artística teve de ser interrompida. Estive 21 anos proibida de cantar. Há alguns dias, ao telefone com o meu advogado de imigração, voltei a ter aquele mesmo sentimento antigo e receei poder enfrentar outra vez problemas num aeroporto. Os Estados Unidos são a minha segunda casa e o meu medo é poder ser impedida de entrar no país por ser iraniana e vir de uma família muçulmana.

O que sentiu quando soube da ordem executiva anti-imigração muçulmana de Donald Trump?
Senti que podia vir a ser obrigada a abandonar também a minha segunda casa. Se também for empurrada para fora da minha segunda casa terei de procurar um terceiro local para viver. O meu visto Schengen expira daqui a alguns meses e também não posso regressar ao meu país de origem. Se voltar a ser impedida de viver onde vivo, vou ficar uma vez mais perdida, sozinha, no meio de terra de ninguém.

Googoosh, obrigado por esta entrevista. Desejamos-lhe uma viagem segura e sem problemas nos aeroportos americanos.
Obrigado. Eu também desejo que nenhum ser humano veja as suas esperanças destruídas por causa de um qualquer bloqueio numa fronteira.

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