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O difícil regresso à cidade cristã de Hamdaniyah dizimada pelo Daesh


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O difícil regresso à cidade cristã de Hamdaniyah dizimada pelo Daesh

Hamdaniyah foi outrora a maior cidade cristã do Iraque. Agora é mais um monte de ruínas, na província de Nínive, no nordeste do país, junto à Síria, cerca de 30 quilómetros a sudeste de Mossul, o último grande bastião do grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico.

Também conhecida como Qaraqosh ou Bakhida, a cidade foi capturada pelos “jihadistas” em agosto de 2014 e somente dois anos depois, em outubro passado, foi libertada pelo exército do Iraque com a preciosa ajuda dos Peshmergas, as forças armadas do Curdistão iraquiano, região que se estende entre o norte do Iraque, o nordeste da Síria, o sudeste da Turquia e o ocidente do Irão.

Durante os dois anos de controlo pelo “Daesh”/ ISIL, Hamdaniyah foi pilhada, os símbolos cristãos destruídos ou danificados, as mulheres raptadas e algumas repetidamente vendidas como escravas sexuais. Os rapazes eram obrigados a converter-se à “jihad” e recrutados para os grupos armados dos terroristas. Centenas de habitantes acabaram executados. Muitos fugiram.

Poucos meses após a reconquista de Hamdaniyah, há quem hesite em regressar aonde em tempos chamou casa. É o caso de Marie Sabri. “O que nos resta aqui para voltar? Destruição? Que cidade ainda teremos? Está devastada. A nossa bela cidade, Hamdaniyah, onde vivíamos felizes, íamos a festas… agora, isto? Voltar para esta destruição e injustiça?”, questiona esta antiga residente, lembrando que “os terroristas incendiaram as casas” e “provocaram uma tragédia.”

O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas iniciou em novembro uma empreitada de trabalhos para recuperar as acessibilidades e as condições de vida em localidades recuperadas durante a ofensiva por Mossul, incluindo Hamdaniyah.

Alguns voluntários tentam, por exemplo, esconder com tinta os sinais deixados pela passagem do “Daesh” por Hamdaniyah. O pior, contudo, será recuperar o espírito das pessoas e evitar o espírito de vingança pelos danos provocados pelos “jihadistas” nesta comunidade de maioria cristã onde terão chegado a residir em tempos mais de 170 mil pessoas.

A professora Ikhlas Matteh sublinha mesmo que “o problema está nas pessoas”. “Temos de mudar a mentalidade, corrigir ideologias e o conceito de humanidade. Como fazer os outros gostarem de nós e nós aceitá-los? Como podemos ser compreendidos e fazer-nos compreender? Como podemos coexistir? Isso é que é difícil e vai demorar gerações”, admite Ikhlas Matteh.

Muitos dos habitantes de Hamdaniyah que fugiram encontraram refúgio no campo de acolhimento de Erbil, ainda mais a sudeste, a mais de 80 quilómetros de Mossul. Aqui puderam continuar a professar a fé católica e, segurança e em breve irão poder rezar inclusive junto a uma imagem de Nossa Senhora de Fátima benzida em Portugal.

A Vigararia de Cascais promoveu uma angariação de fundos para ajudar a Clínica de São José, em Erbil, no Iraque, através da organização religiosa Igreja que Sofre, a qual tem vindo a ajudar no auxílio a pelo menos 2800 pessoas que fugiram da ofensiva dos “jihadistas” na planície do Nínive, em agosto de 2014.

No próximo domingo, 19 de fevereiro, a Vigararia de Cascais vai assinalar o Dia dos Pastorinhos, que se celebra dois dias depois, com uma Eucaristia presidida pelo Cardeal-patricarca de Lisboa. No final da cerimónia, D. Manuel Clemente vai benzer uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que “vai ser enviada para o Iraque com terços, dezenas e santinho” feitos pelas crianças da catequese local.

A imagem de Fátima tem como destino a Catedral de Erbil, como ficou prometido, em novembro, pela Vigararia de Cascais ao arcebispo D. Bashar Warda durante a passagem deste por Portugal.

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