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Maduro impede CNN em espanhol de transmitir no país e acusa o canal de "difamação"

Caracas critica reportagem emitida pelo canal e responde assim às recentes sanções económicas do departamento do Tesouro dos EUA a destacadas figuras do chavismo.

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Maduro impede CNN em espanhol de transmitir no país e acusa o canal de "difamação"

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Com EFE, Reuters e AFP

Point of view

É o segundo canal de TV que Maduro ordena tirar do ar em menos de cuatro anos.

Espacio Público Associação cívica venezuelana

Nicolás Maduro, o presidente da República Bolivariana da Venezuela, disse que o canal de informação CNN en español, destinado aos mercados latino-americanos e com sede na cidade de Atlanta, estado norte-americano da Georgia, era “um instrumento de guerra nas mãos de verdadeiras máfias” e que queria promover uma intervenção no país sul-americano, em coordenação com o departamento de Estado dos EUA.

Horas mais tarde, a CNN en español saía do ar na Venezuela.

O descontentamento de Maduro relaciona-se com uma reportagem transmitida pelo canal sobre uma alegada rede de tráfico de passaportes venezuelanos no Médio Oriente, cujo teor foi rapidamente criticado pela ministra dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores), Delcy Rodríguez.

Na peça, transmitida pelo canal norte-americano, é denunciada a alegada existência de uma rede que envolveria o vice-presidente da República, Tareck El Aisami e que funcionaria na embaixada da Venezuela em Bagdade, no Iraque, permitindo o acesso a passaportes venezuelanos da parte de indivíduos com ligações ao terromismo jihadista.

A ministra acusou a CNN de ter iniciado uma “operação de guerra psicológica” contra a Venezuela.

Mais tarde, a Comissão Nacional de Comunicações da Venezuela (Conatel, como é conhecida no país), deu início ao que definiu como procedimento de sanção admninistrativa contra a CNN en español por alegadamente atentar contra a estabilidade da Venezuela, o que se traduziu na suspensão das transmissões de forma imediata.

Segundo a agência EFE, as empresas de televisão por cabo deixaram de transmitir o sinal da *CNN en español minutos depois da comunicação da decisão da Conatel. A edição em língua inglesa, no entanto, continuava a ser difundida.

A associação cívica venezuelana pela defesa da liberdade de expressão Espacio Público recordou, através da rede social Twitter, que é a segunda vez que o presidente Maduro ordena que seja tirada do ar uma cadeia de informação em menos de quatro anos. O primeiro caso relaciona-se com a colombiana NTN24, crítica de Caracas e do presidente.

A CNN respondeu, dizendo que o presidente venezuelano tinha decidido negar aos venezuelanos a possibilidade de verem um canal que se enconta “há 20 anos ao serviço do país”, canal que “o público venezuelano aprecia”.


A empresa adiantou ainda que o sinal da cadeia passaria a estar disponível, sem qualquer encargo, na rede social Youtube.

Este é mais um episódio a acrescentar à tensão registada entre Washington e Caracas, depois de o departamento do Tesouro dos EUA ter aplicado sanções económicas a um conjunto de figuras destacadas da elite chavista, entre os quais o vice-presidente Tareck El Aissami, acusado de fazer parte das redes de narcotráfico das Américas e de manter ligações com cartéis de droga mexicanos e colombianos.

El Aissami faz parte da elite dos círculos chavistas e é considerado como um dos principais candidatos a representar o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, chavistas) às próximas eleições presidenciais.

Apesar das reações da parte do Governo de caracas, mais contidas do que o esperado, a administração norte-americana voltou, posteriormente, a criticar o Governo de Maduro.

O presidente Donald Trump apelou à libertação do líder opositor Leopoldo López na sua conta da rede social Twitter, colocando também uma foto com Lilian Tintori, a mulher de López.


A agência Reuters diz que Trump tem expressado a sua preocupação com o Governo de Caracas e com o presidente Maduro em diversos contactos telefónicos mantidos com líderes latino-americanos.

A Venezuela encontra-se mergulhada numa crise económica profunda, com elevados níveis de inflação, carência de bens de primeira necessidade e fome nos setores mais pobres da população.

Para Nicolás Maduro, a culpa é do que define como “guerra económica”, alegadamente levada a cabo pelo “poder imperialista” dos Estados Unidos e com a cumplicidade dos meios de comunicação internacionais.

Mas a oposição diz que Maduro mais não fez do que transformar-se num ditador, que coloca críticos na prisão e que quer evitar eleições democráticas.

Os membros da imprensa internacional acreditados na Venezuela, por outro lado, dizem ser cada vez mais difícil entrar no país e conseguir vistos.

Segundo a ONG Transparencia Venezuela, dois jornalistas brasileiros da Rede Record foram expulsos do país enquanto faziam uma reportagem sobre a construtora Oderbrecht no estado de Zúlia, no norte.


Os Estados Unidos e a Venezuela têm relações menos amigáveis desde a chegada ao poder do falecido presidente Hugo Chavez Frías em 1999, que ficou conhecido pelos seus posicionamentos críticos das políticas internacionais dos EUA, nomeadamente em relação à América do Sul e da Venezuela em particular.

Relações cuja tensão não foi apaziguada com a eleição de Nicolás Maduro como presidente em 2013, três anos depois de que ambos países perdessem os Embaixadores respetivos.