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A "selva de Calais" ano e meio depois

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A "selva de Calais" ano e meio depois

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Da sua cabana, Alexandre e Mélanie observam os pássaros.

Ao casal cabe a responsabilidade de cuidar do novo campo de Calais, no norte da França.

Nos lagos e dunas onde agora andorinhas e garças nidificam, existiu outrora um gigantesco campo de migrantes: a "selva" de Calais, o maior aglomerado de tendas da Europa.

Em 2015 e 2016, cerca de 10 mil pessoas viviam aqui em condições de vida deploráveis. Esperavam conseguir atravessar, a qulaquer custo, o canal para chegar à Inglaterra.

Há um ano e meio, França destruiu a selva. Depois da limpeza ao campo, os migrantes não voltaram mais.

"Eles continuam a querer muito chegar a Inglaterra e, portanto, passar pelo porto, mas aquela região já nâo tem condições para os acolher e está muito vigiada. Temos várias equipas de vigilância no terreno. ", contam os vigilantes.

Apesar da vigilância, os candidatos ao exílio continuam por perto. Várias centenas de refugiados vagueiam pela área e os relatos de violênca policial contra os migrantes multiplicam-se.

As associações denunciam o assédio da polícia, e a política repressiva, violenta e ilegal. Mas o Estado francês está determinado a não deixar nascer aqui uma segunda selva.

Loan Torondel é gestor de projeto na Associação "L'Auberge des Migrants"e vive dia a dia com esta realidade. "Nós tendemos a pensar que não há mais acampamento, que os refugiados são muito menos, que o problema está resolvido. Mas esse não é o caso. Na verdade, é mais sério. As condições de vida agravaram-se, não podem ficar aqui, não têm segurança material, não têm acesso à higiene", conta.

Um ano e meio depois da destruição da Selva, a questão dos migrantes no norte de França está longe de se encontrar resolvida. Passou apenas a ser menos visível.