Mykolaiv trava avanço russo para Odessa

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De  Sérgio Ferreira de Almeida
Um homem sai de uma farmácia atingida por um bombardeamento russo, em Mykolaiv, Ucrânia
Um homem sai de uma farmácia atingida por um bombardeamento russo, em Mykolaiv, Ucrânia   -   Direitos de autor  Petros Giannakouris/AP   -  

No pacato bairro residencial de Mykolaiv, no sul da Ucrânia, há mais de um mês que quem ainda por aqui ficou não tem um dia de descanso. Em tempo de guerra, os alvos costumam ser militares, mas nesta iniciada pela Rússia, as regras não são as mesmas.

"Os russos usam bombas de fragmentação ilegais. A bomba está a explodir no céu e espalha pequenos projectéis, com pequenos pedaços de metal, que matam pessoas em grande escala," explica Oleksander Senkevich, presidente da Câmara Municipal de Mykolaiv.

Dimitri estava no alcance de mais um ataque russo. Aos 32 anos, e depois de ter conseguido levar a mulher e os dois filhos para a Polónia, apanhou um dos maiores sustos da sua vida.

Ainda com espanto na voz, conta na primeira pessoa o que aconteceu: "Eram 7 da manhã quando tudo começou. As explosões começaram, a casa estava a tremer. A minha primeira reacção foi olhar pela janela, mas percebi que quando as janelas começam a tremer, o ataque é muito perto. Foram seis as explosões à frente da casa. Havia partes de projécteis à volta. Também caíram no quintal. E quando olhei pela janela, as pessoas já estavam dispersas, os carros estavam esmagados, os projécteis estavam a voar, e peças de metal estavam espalhadas por todo o lado".

Cidade fica a meio caminho entre a Crimeia e o porto estratégico de Odessa

Só nos últimos dias em Mykolaiv foram atacados o hospital, um orfanato, 11 infantários e 12 escolas, quase sempre em zonas residênciais. A maioria das bombas de fragmentação que atingiram a cidade, vieram de Kherson, região controlada por tropas russas.

O autarca de Mykolaiv assume que "é difícil prever o que vai acontecer a seguir". Diz que há notícia de reagrupamentos na região de Kherson e de reforço das fileiras com tropas vindas da Crimeia. Na cidade, espera-se um ataque "nos próximos dias". Diz isso com a mesma convicção com que se mostra preparado para mais uma investida.

"Nascemos prontos, com certeza que estamos prontos para os atacar," declara Oleksander Senkevich.

A linha avançada das tropas de Putin está agora a 30 quilómetros do centro de Mykolaiv. Mas a população garante que vai continuar a resistir.