Leilão de caveiras humanas anulado na Bélgica devido a onda de críticas

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De  Nara Madeira
Leiloeira Vanderkindere, na Bélgica
Leiloeira Vanderkindere, na Bélgica   -   Direitos de autor  BERTBF

Controvérsia na Bélgica em torno de um leilão de caveiras humanas da era colonial. A casa Vanderkindere anunciou-o na Internet e causou uma tal onda de críticas que a venda foi cancelada e, apesar de perder dinheiro, os crânios serão devolvidas à República Democrática do Congo.

Serge Hutry, leiloeiro da casa Vanderkindere, justificava-se dizem que não passaram por cima de nenhuma lei mas que comprende que "há o lado humano" e que foi isso que levou muitas pessoas a reagir no twitter questionando-se sobre como poderiam tentar "vender caveiras humanas?"

Um deslize imperdoável, para os grupos de defesa dos Direitos Humanos que denunciam os abusos da era colonial e têm inundado as redes sociais com críticas. Geneviève Kaninda, Coordenadora do Coletivo de Memória Colonial, dizia tratar-se de uma "v__enda escandalosa (...) de crânios de vítimas da colonização. Este leilão é como matá-los uma segunda vez", afirmava.

Uma situação que contrasta com a tendência atual na política belga. Há quem acredite que chegou o momento de legislar sobre esta matéria. Patrick Mestdagh, Presidente da Câmara dos Antiquários, referia que se entrou num período, de quase um século, "de arrependimento". Acrescentando que "é tempo de se criar um quadro legal para tratar de toda esta questão".

Pouco se sabe sobre a história destas caveiras para além das anotações que carregam: são restos de um passado colonial sombrio que um século mais tarde a Bélgica tenta alterar.