Presidente do Conselho Europeu visita a China em "momento crítico"

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De  Alice Tidey  & Isabel Marques da Silva
Ainda não está claro se Michel participará numa conferência de imprensa conjunta com algum dos seus anfitriões chineses
Ainda não está claro se Michel participará numa conferência de imprensa conjunta com algum dos seus anfitriões chineses   -   Direitos de autor  AP Photo

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, fará uma visita à China, esta semana, com várias reuniões com os líderes do país - que é um considerado um adversário da União Europeia (UE) -, numa tentativa de obter uma noção mais clara sobre a posição da China em questões-chave "neste momento crítico".

Michel visitará Pequim, a 1 de dezembro, e reunir-se-á com o presidente Xi Jinping, o primeiro-ministro Li Kepiang e o presidente do Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo, Li Zhanshu.

Esta visita acontece mês e meio depois da cimeira da UE na qual houve uma discussão estratégica de três horas sobre a China, desencadeada pela recusa do país em condenar a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o crescente défice comercial em benefício de Pequim, e a tomada de consciência de que o bloco é altamente dependente da China em termos de tecnologia e matérias-primas.

Outras preocupações incluem as implicações de segurança dos investimentos chineses nas infraestruturas críticas do bloco, a assertividade da China na região, e em particular a sua retórica sobre Taiwan, bem como a reeleição de Xi para um terceiro mandato sem precedentes.

"O Presidente recebeu, penso eu, um mandato claro sobre qual deve ser a nossa política chinesa", disse um funcionário da UE na semana passada.

Michel, acrescentou, "pensou que seria bom envolvermo-nos com a China, uma vez que estamos num momento crítico".

Larga agenda, da economia aos direitos humanos

N aagenda estão os desenvolvimentos geopolíticos, a economia e os laços comerciais e outros desafios globais, incluindo as alterações climáticas, a saúde, bem como o aumento dos preços dos alimentos e da energia.

Entretanto, espera-se que o líder europeu levante "questões de direitos humanos e dos nossos valores", disse o oficial, incluindo os recentes desenvolvimentos em Hong Kong e Xinjiang.

Ainda não está claro se Michel participará numa conferência de imprensa conjunta com algum dos seus anfitriões chineses, devido às rigorosas medidas COVID-19 em vigor no país.

É também pouco provável que a visita conduza a qualquer tipo de anúncio. A visita deve ser vista como um primeiro compromisso e as discussões como um resultado a alcançar, disse a fonte da euronews.

"O que pensamos ser necessário é dar um novo impulso à relação e verificar o que mudou e quais são os novos parâmetros", disse.

A Rússia, e o potencial de influência da China sobre esta, será uma discussão-chave. A UE quer assegurar que a China não fornece à Rússia armas ou quaisquer materiais sob embargo ocidental.

A China tem enviado sinais positivos nas últimas semanas, incluindo concordar com um comunicado conjunto do G20 que deplorou "nos mais fortes termos a agressão da Federação Russa contra a Ucrânia".

Michel depois de Scholz e Macron

A vista de Michel sucede-se, também, à recente passagem do chanceler alemão Olaf Scholz por Pequim e do  presidente francês, Emmanuel Macron, se ter encontrado com o líder chinês à margem da cimeira do G20, no início deste mês.

O bloco também adotou, recentemente, legislação destinada a restringir o acesso das empresas chinesas subsidiadas ao mercado da UE.

Mas os recentes acontecimentos na China podem ainda fazer descarrilar a agenda, uma vez que Xi enfrenta a maior manifestação de dissidência pública em décadas.

Protestos têm varrido a China nos últimos dias devido à morte de 10 pessoas na cidade de Urumqi, na região ocidental de Xinjiang, após um incêndio no edifício residencial em que estavam confinadas devido à severa política do país de "zero COVID-19".

Alguns manifestantes também apelaram à demissão de Xi e do Partido Comunista, ao qual as autoridades responderam com spray de pimenta e espancamentos, de acordo com vários relatórios.

Algumas autoridades locais anunciaram, também, um afrouxamento das restrições COVID-19, enquanto algumas universidades pararam as aulas em presença e instaram os estudantes a regressar a casa, no que são vistos como tentativas de refrear os protestos, de acordo com a agência de notícias AP.