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Itália: Prada aposta na animação desenhada à mão para campanha de Natal

Prada privilegia o toque humano e afasta a IA na nova campanha de Natal
Prada aposta no toque humano e afasta a IA na nova campanha de Natal -  Direitos de autor  Prada - YouTube
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De David Mouriquand
Publicado a •Últimas notícias
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A nova publicidade da Prada surge como resposta direta a quem insiste numa tecnologia que ameaça a criatividade humana e os meios de subsistência. A campanha “Drawing Prada: Animated By Hand” mostra que o fator “não feito por IA” se tornou um grande argumento de venda

À medida que a IA generativa continua a poluir a internet e a publicidade, algumas casas de luxo apostam no trabalho humano nas suas estratégias de marketing de Natal.

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Pode chamar-lhe “effort signaling” à vontade, mas o esforço merece aplausos numa altura em que medidas de redução de custos se traduzem em conteúdos medíocres que baixam a fasquia.

Uma marca de luxo que decidiu celebrar a criatividade humana este ano é a casa de moda italiana Prada, que trocou o lixo gerado por IA por ilustração tradicional, desenhada à mão, na nova campanha de Natal.

Ao combinar imagens em ação real com personagens desenhadas à mão, a campanha “Drawing Prada: Animated By Hand” recrutou o veterano animador John Pomeroy para liderar uma equipa de artistas e dar vida a personagens e ambientes animados.

“Esse sentido de toque exprime uma noção fundamental de humanidade e uma ligação ao trabalho artesanal que está sempre no coração da abordagem da Prada à criação”, segundo um comunicado de imprensa.

Desenvolvida sob a direção criativa de Miuccia Prada e Raf Simons, com Ferdinando Verderi a supervisionar a direção criativa da campanha, apresenta cada fotograma desenhado à mão e as cenas em ação real fotografadas por Glen Luchford.

Veja a campanha abaixo, que apresenta um elenco de embaixadores famosos, entre eles Sadie Sink, Maya Hawke, Chen Haoyu, Luther Ford e Kelvin Harrison Jr.:

Conhecido sobretudo pelo seu trabalho na Disney, Pomeroy contribuiu para filmes icónicos, incluindo o nomeado ao Óscar Winnie the Pooh and Tigger Too (1974), The Rescuers (1977), Pete’s Dragon (1977) e The Fox and the Hound (1981).

Depois de sair da Disney, fundou o estúdio de animação independente Don Bluth Productions, onde criou filmes como The Secret of NIMH e The Land Before Time.

Mais tarde regressou à Disney, onde trabalhou em filmes como Pocahontas, Fantasia 2000, Atlantis: The Lost Empire e Treasure Planet. Posteriormente trabalhou como animador em filmes como Curious George, vários filmes de Tom and Jerry e Space Jam: A New Legacy.

Imagem da campanha de Natal 2026 da Prada
Imagem da campanha de Natal 2026 da Prada Prada - YouTube

Num filme de bastidores que acompanha a campanha, Pomeroy explicou o seu compromisso com a técnica tradicional.

“Aprendi o meu ofício com lápis e papel, através do desenho tradicional, analógico. Mantivemo-nos fiéis a essa abordagem e queremos transmiti-la às gerações futuras”, disse Pomeroy.

“Há uma razão muito distinta e intencional para fazer animação desenhada à mão, que é mostrar que há valor nela e que o trabalho desenhado e feito à mão continua vivo no mundo de hoje.”

O anúncio da Prada surge numa altura em que outras marcas se mostram bem menos preocupadas. A campanha de 2026 parece uma resposta direta às que continuam a apostar numa tecnologia que está a ameaçar a criatividade humana e os meios de subsistência.

Ao contrário da Coca-Cola e dos seus anúncios de Natal gerados por IA, que enfrentaram críticas em 2024 e 2025 (já que a marca não aprendeu com o erro logo na primeira vez), algumas empresas começam a perceber até que ponto os potenciais consumidores estão fartos da IA.

Cada vez mais pessoas olham com desconfiança para esta tecnologia omnipresente e há uma reação crescente contra a ascensão da IA, o que leva as gerações mais jovens e alfabetizadas digitalmente a apreciarem o valor da criatividade humana, enquanto as gerações mais velhas abraçam os ofícios tradicionais numa tentativa de contrariar imagens sem alma.

Além disso, a abordagem “não-feito-por-IA” tornou-se um enorme argumento de venda, e a Prada percebeu o valor de oferecer um antídoto. A nova campanha despertou entusiasmo online, com utilizadores a comentar: “Adoro quando os anúncios ficam livres de IA, máximo respeito pelos artistas”; “Isto, ISTO é como se faz um anúncio”; “Normalmente não me interesso pela Prada, mas estou a ler ‘Animated by Hand’ e estou dentro”; e “É um sopro de ar fresco voltar a ver algo com alma”.

Mostra que algo tão simples como a ilustração desenhada à mão continua a conseguir gerar entusiasmo.

Agora é a vez da Coca-Cola. Vamos ver se uma empresa que vale milhares de milhões se dá ao trabalho de pagar a animadores reais este ano ou se volta a produzir mais uma campanha profundamente derivativa, baseada em obras de artistas usadas sem autorização.

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