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Fluxo migratório do Mediterrâneo desloca-se para leste e aumenta

Chegam exaustos mas tranquilos, depois de sobreviverem a uma viagem extremamente perigosa. Alguns não sabem onde estão, apenas que chegaram a solo

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Fluxo migratório do Mediterrâneo desloca-se para leste e aumenta

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Chegam exaustos mas tranquilos, depois de sobreviverem a uma viagem extremamente perigosa. Alguns não sabem onde estão, apenas que chegaram a solo europeu. É o que importa.

A atual vaga migratória, da Turquia para as ilhas gregas, não tem precedentes. Centenas de imigrantes e refugiados saem, diariamente, da costa turca para chegar à ilha de Samos, colocando em risco a própria vida.

Nikoleta Drougka, euronews:

- “Todos os dias chegam imigrantes à pequena praia de Sideras. Escolhem este ponto em particular, não apenas por ser isolado, mas por estar a escassos metros da costa turca. É uma distância que se pode fazer a nado”.

Os residentes de Samos consideram que estes “desesperados” seguem um patrão. A maioria chega em embarcações de borracha sobrecarregadas. Viajam de noite e chegam e a vários pontos do leste da ilha. Esperam até ao amanhecer para caminhar até ao porto de Vathi, que fica a 12 km.

Os gregos afirmam que os imigrantes recebem instruções muito claras dos contrabandistas e traficantes.

*Manolis, pescador grego:

– Estamos na área de Sideras, onde chegam, todos os dias, barcos com imigrantes. Quando chegam, a primeira coisa que fazem é destruir as embarcações, para que se afundem. Muitas vezes são eles que provocam a própria morte, sem querer, pois os navios salva-vidas chegam tarde de mais.*

A Guarda Costeira de Samos confirma que os migrantes cumprem, claramente, ordens, muito específicas e perigosas:

*Thomas Tsiaousis, oficial da polícia marítima:

- A maioria dos incidentes regista-se no mar. Quando os barcos pneumáticos avistam os navios de patrulha, os migrantes destroem os deles e colocam-se, verdadeiramente, em perigo de vida. O nosso objetivo imediato é reagrupá-los, para os salvar. Depois, transportamo-los para terra, para o quartel-general da Guarda Costeira. Por fim, são transferidos para os centros de detenção e colocados sobre vigilância policial.*

Depois de uma travessia de alto risco, os migrantes deparam-se com as grades da prisão. Uma realidade bem diferente daquela que lhes prometeram e pela qual pagaram.

No centro de detenção provisória, perto do porto de Vathy, esperam horas para conseguir os documentos de viagem.

As instalações são exíguas, falta pessoal e as condições de higiene são deploráveis.

Mas, para a maior parte destes deslocados, tudo é melhor do que o inferno que deixaram para trás.

Refugiado sírio:

- O regime de Bashar al-Assad precisa de mim para o serviço militar. Eu fugi para não ter de desertar. Recuso matar o meu povo.

Refugiado sírio, na mesma situação:

- Talvez eu fique na Grécia ou vá para outros países na Europa… Holanda ou Dinamarca. Quero ir para a universidade e formar-me em Medicina.

Em Samos as pessoas compreendem o drama desta gente, mas não aceitam que os traficantes continuem a atuar impunemente e não seja levada a cabo uma ação internacional, concertada, para os deter.

*Kostas Samos, residente grego:

- Eles chegam e sabem exatamente onde devem ir, nunca se perdem. Cumprimentam-nos, fazem-nos sinal para nos pedir para chamar a Guarda Costeira e recuperar os embarcados. Quando eles chegam a terra, acendem fogueiras para secar as roupas e aquecerem-se, antes de irem embora. Ficamos preocupados pois podem provocar um incêndio de floresta que se propague em toda a ilha *.

*Kiki Samos, residente grega:

- Receamos que sejam portadores de doenças e também não sabemos que género de pessoas são. Também não é bom para o turismo ter as praias cheias de barcos de borracha em pedaços, sapatos, roupas e todo o género de objetos que poluem.*

Nos primeiros quatro meses deste ano, o número de migrantes que chegou à Grécia já atingiu 2/3 do total no ano passado.

A Frontex fortaleceu as operações navais perto Grécia, porque – afirma o diretor executivo da União Europeia – há uma mudança dos fluxos migratórios do Mediterrâneo central para o oriental.