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Grécia critica Grupo de Visegrad na relocalização de refugiados menores


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Grécia critica Grupo de Visegrad na relocalização de refugiados menores

Com Michel dos Santos e Akis Tatsis, em Atenas

A situação dos migrantes e refugiados que fogem dos conflitos no Médio Oriente é particularmente preocupante no que diz respeito aos casos dos menores.

Há crianças que chegam ao continente europeu após longas e perigosas viagens, durante as quais, por diferentes razões, perderam os adultos que as acompanhavam.

Outras entraram simplesmente sozinhas nas embarcações precárias que se aventuram no Mediterrâneo.

A Grécia encontra-se na linha da frente da chamada crise dos migrantes e refugiados.

Segundo números oficiais, cerca 1500 menores encontram-se atualmente no país, à espera de serem aceites por outros Estados da União Europeia.

Um processo complexo, segundo o Governo grego, devido à resistência de alguns países.

A Euronews entrevistou, em Atenas, Ioannis Mazoulas, o ministro grego para as Políticas Migratórias.

Mazoulas comparecia à inauguração de uma casa-abrigo para menores, que poderá receber até 32 rapazes, com idades entre os 10 e os 18 anos, criada com fundos europeus e gerida pela Organização Não Governamental Save the Children.


Durante a entrevista com a Euronews, o ministro criticou duramente a posição de alguns Estados relativamente à situação dos menores, falando em “hipocrisia.”

“Há países que simplesmente bloqueiam o processo e outros que não o põem em prática,” disse à Euronews o ministro Mouzalas.

“Temos, neste momento, cerca de 600 crianças que podem ser relocalizadas, embora apenas 96 tenham sido aceites por países Europeus.”

“É inaceitável”, continuou.

O ministro disse que o chamado Grupo de Visegrad tem contribuido ativamente para um bloqueio do processo de relocalização de migrantes e refugiados.

A aliança conhecida como Grupo de Visegrad é composta pela Polónia, Hungria, Chéquia (ou República Checa) e Eslováquia.

Mazoulas explicou à Euronews que aqueles países da Europa central insistem num conceito que definem como “solidariedade flexível.”

“Dizem-nos que fiquemos com os menores refugiados não acompanhados e que eles nos enviam cobertores”.
Portugal entre os bons exemplos
Existem, no entanto, bons exemplos de cooperação, segundo Mouzalas. Portugal é um dos poucos Estados membros cuja política de acolhimento de menores tem sido implementada de forma efetiva.

Outros “bom exemplos” referidos pelo ministro são a Alemanha, a Suécia, os Países Baixos e a França.

Mas o correspondente da Euronews em Atenas explica que a solidariedade Europeia não tem sido suficiente.

Akis Tatsis diz que as autoridades gregas estão conscientes de que é preciso mais e que planeiam, por isso, desenvolver novas iniciativas de cooperação europeia, mas também com Organizações Não Governamentais, dispostas a trabalhar no terreno.


Segundo a UNICEF, entre janeiro de 2015 e setembro de 2016, mais de 600 mil crianças pediram asilo na Europa, o que representa um terço do total dos pedidos de asilo no periodo considerado.

Cerca de metade dos pedidos foram registados na Alemanha. Outros países com um número elevado de pedidos são a Suécia, a Hungria, a Áustria, a França, a Suiça e a Bélgica.

A maioria dos menores que pedem asilo chegam da Síria (mais de 200 mil), do Afeganistão (mais de 145 mil) e do Iraque (mais de 70 mil).

Mas mais de 155 mil chegam de outras regiões, incluidos países europeus, como a Ucrânia (cerca de 7 mil) e o Kosovo (cerca de 25 mil).

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