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Maduro: A polarização em modo braço-de-ferro


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Maduro: A polarização em modo braço-de-ferro

Com António Oliveira e Silva, EFE e AFP

Nicolás Maduro Moros tem agora 54 anos e é presidente da República Bolivariana da Venezuela desde 2013, quando venceu, ainda que por escassa margem, as eleições que se seguiram à morte de Hugo Chaves, presidente venezuelano entre 1999 e 2013.

Maduro é, desta forma, o herdeiro político de El Comandante, ainda que nunca tenha gozado do mesmo nível de popularidade do anterior presidente.

O seu mandato tem sido marcado por uma permanente tensão com grande parte da cidadania, não só no que ao tradicional eleitorado de direita anti-chavista diz respeito, mas também relativamente um número crescente de habituais apoiantes do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela – esquerda, chavismo).

Subida ao poder em 2013

Nicolás Maduro foi ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores) de Hugo Chavez entre 2006 e 2013 e vicepresidente executivo da Venezuela, entre 2012 e 2013.

Em 2013, enquanto presidente em funções, procurou nas urnas a legitimidade para governar.

Venceu as eleições, mas por escassa margem – cerca de 200 mil votos – deixando a oposição mais fortalecida do que nunca.


Um dos principais líderes do movimento anti-chavista, Henrique Capriles Randonski, principal rival de Maduro depois da detenção de Leopoldo López, anunciou que a vitória dos chavistas tinha sido, na realidade, “uma grande derrota.”

O preço de petróleo e a Venezuela de joelhos

Mas mais do que a oposição do centro-direita e da direita, a economia mundial parece ser o maior inimigo de Maduro.

Em 2014, a queda os preços do petróleo impede a Venezuela de continuar pagar as importações de bens essenciais para o país, especialmente alimentos e medicamentos.

Sobem os preços e o desemprego, descem os salários e o poder de compra.

Uma receita explosiva que culmina com um aumento da criminalidade em todo o país, especialmente nas grandes cidades. O crime sobre para níveis insuportáveis e Caracas é considerada uma das cidades mais perigosas do mundo.

Sucedem-se os saques e as pilhagens a supermercados e outros estabelecimentos comerciais.

Os venezuelanos, habitantes de um Estado membro da Organização de Países Produtores de Petróleo, OPEP, de um país conhecido na década de 80 como “Venezuela Saudita”, procuram agora comida nas ruas e medicamentos no mercado negro:.

Maduro e o seu Governo dizem que a situação é exagerada por meios de comunicação com interesses estrangeiros e falam numa “guerra económica,” levada a cabo “pelo imperialismo”. Acaba por bloquear as emissões de um conhecido canal informativo, na sua edição panamericana, em língua espanhola.

Eleições legislativas de 2015: Maioria de oposição no parlamento

O descontentamento social provoca um e o desgaste do Governo sem precedentes, desgaste que beneficiam a oposição, mais forte do que nunca desde a subida de Chavez ao poder, quase duas décadas antes.


A Mesa de Unidade Democrática, plataforma anti-chavista, que incorpora grupos com tendências economicamente liberais, socialmente conservadoras, sociais-democratas e democratas cristãs, consegue mais de 56% dos votos, alcançando, desta forma, a maioria na Assembleia Nacional.

Um resultado que mais não faz do que contribuir para um acumular de polarização política, que se sente em todas as esferas públicas da Venezuela, desde os cidadãos até ao Tribunal Supremo.

O mais importante órgão de justiça venezuelano não duvida, depois das legislativas que retiram o parlamento da órbita chavista, em apoiar o presidente Nicolas Maduro num braço de ferro contrante o poder legislativo.

Legislativo e Judicial: a nova polarização

Em março de 2016, a Assembleia Nacional exige reformas no sistema político nacional. Os deputados da MUD querem que seja reduzido o mandato do presidente de seis para quatro anos. Acusam o Governo de destruir a economia do país.

Exigem também que seja levado a cabo um referendo revogatório, mecanismo previsto na Constituição Bolivariana. A primeira fase de recolha de assinaturas é um sucesso, mas a Comissão Nacional de Eleições, órgão controlado pelo Governo de Maduro, pôs termo ao processo em outrubro do ano passado, evocando “requisitos legais”.


A oposição disse que estava em curso um golpe contra a democracia e, depois de um periodo de uma relativa calma, ainda que, de forma nenhuma, livre de tensões, a tensão volta a ser mais palpável este mês de abril.

O “Tribunal Supremo de Justiça”: tenta fazer-se com o poder legislativo, acumulando os poderes da Assembleia Nacional, mas dá marcha atrás dois dias depois.

Os deputados da maioria votam, posteriormente, pela saída dos juízes do Tribunal Supremo.

Entretanto, a justiça declarou, Henrique Capriles, o líder da oposição, inelegível durante 15 anos mas o líder da oposição viu-se apoiado por milhares de venezuelanos em todo o país, graças a manifestações que tiveram lugar um pouco por todo o território.

A Comunidade Internacional teme, no entanto, que a instabilidade vivida neste país latino-americano onde vive uma comunidade de portugueses e de luso-descendentes que alguns estimam superior a meio milhão de pessoas, possa deixar a Venezuela numa situação de caos e de violência sem precedentes

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