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Marrocos voltou a promover "mestiçagem" rítmica no Festival Gnaoua


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Marrocos voltou a promover "mestiçagem" rítmica no Festival Gnaoua

O Festival Gnaoua voltou este ano a atrair centenas de milhares de pessoas a Essaouira, no sul de Marrocos, para três dias de comunhão de géneros musicais com o eixo de ligação nesta música tradicional com raízes na África subsariana e que assimila músicas espirituais e outros ritmos de Marrocos e da África muçulmana.

É uma combinação de poesia, música e dança, que a cada ano junta, no palco do festival, músicos internacionais a bandas gnaoua.

Carlinhos Brown abriu, a 29 de junho, esta 20.a edição do festival com a sua habitual percussão brasileira e voltaria para o fecho, a 1 de julho.

Ao lado dos irmãos Maâlem Saîd e Mohamed Kouyou, o brasileiro deu outra dimensão à tropicália e, aos microfones da euronews, Carlinhos Brown expressou grande satisfação por ter partilhado o palco com os marroquinos, assumindo ter realizado “um sonho.”

Maâlem Mohamed Kouyou também disse ter sido “muito bom” partilhar o palco com o brasileiro. “Tínhamos vindo a ensaiar de forma intensa há dois dias e graças a Deus complementámo-nos muito bem. Estamos agradecidos ao Carlinhos Brown por ter tocado connosco”, referiu o marroquino.

Os “Band of Gnawa” são liderados por Loy Ehrlich, músico, compositor e produtor francês que se apresentou em Essaouira com o seu clássico repertório e tocou alguns clássicos do rock na companhia de Saïd Boulhimas e a respetiva banda gnaoua.

“Quando tinha 21 anos — já lá vão quase 45 — viajei até Marrocos. Descobri a música gnaoua nos anos 70 e ficou-me entranhada. Marcou-me bastante”, assumiu Loy Ehrlich.

Outra das estrelas internacionais que participou este ano no Festival Gnaoua foi Luckly Peterson, um mestre do órgão elétrico Hammon e um dos mais emblemáticos músicos americanos de Blues, Soul, gospel e Rock’n‘Roll.

O norte-americano começou a tocar ainda criança. O pai detinha um clube em Buffalo, nos Estados unidos, onde Lucky atuava e ali foi descoberto quando tinha apenas cinco anos.

Perguntámos a Lucky Peterson já alguma vez tinha tocado música Gnaoua. “Foi a minha primeira vez e gostei. Gostei muito. Tem tudo a ver com Deus, com o amor e com o sentir. Todos temos sentimentos dentro de nós e é daí que a música surge”, disse Lucky Peterson à euronews

O francês Titi Robin é um mestre das misturas étnicas. O ambiente musical onde evolui tem raízes no Mediterrâneo. Robin tocou ao lado de músicos de Marrocos, da Índia e do Paquistão.

“Desde a cultura marroquina e da cultura do sul da França até ao leste do Mediterrâneo e ao norte da Índia foram promovidos muitos intercâmbios de filosofia, de poesia, de música. Essa realidade ganhou uma consciência e é ela que nos leva”, disse Titi Robin à nossa reportagem, depois de ter partilhado o palco com os marroquinos Mehdi Nassouli e Shuheb Hassan, o indiano Murad Ali Khan e o percussionista brasileiro Zé Luís Nascimento.

O nosso enviado especial a Essaouira, o jornalista da equipa alemã da euronews Wolfgang Spindler, registou que “uma vez mais, nesta 20.a edição, o festival Gnaoua revelou-se um êxito graças à qualidade do cartaz”, tendo cativado “várias centenas de milhares de espetadores de diversas gerações.”

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