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Riscos do glifosato para a saúde discutidos no Parlamento Europeu

Riscos do glifosato para a saúde discutidos no Parlamento Europeu, numa audiência pública com cientistas, ativistas e legisladores, mas sem a presença da Monsanto.

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Riscos do glifosato para a saúde discutidos no Parlamento Europeu

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Existem alternativas eficazes, seguras e económicas para combater as ervas daninhas na agricultura, pondo de lado os herbicidas à base de glifosato, suspeito de ser cancerígeno?

Na região belga da Valónia, Quentin Goffinet não usa químicos, mas um aparelho que remove mecanicamente as ervas da terra e depois faz rotação de culturas, entre batatas, cereais e forragem. Para este agricultor, a comida não é apenas um negócio.

“Houve uma banalização do trabalho do agricultor e de toda a sua produção. Inevitavelmente, as grandes empresas passaram a ver a produção mais como produtos financeiros do que realmente comida que serve para alimentar a população”, disse Quentin Goffinet.

As vendas de herbicida da empresa norte-americana Monsanto, em 160 países, ultrapassam os dois mil milhões de euros, por ano.

“O herbicida à base de glifosato é alvo de um intenso debate na União Europeia, que deverá decidir se renova a licença para a próxima década. O Parlamento Europeu quis participar do debate”, explica a correspondente da euronews, Isabel Marques da Silva.

A empresa Monsanto recusou-se a participar na audiência pública no Parlamento Europeu, quarta-feira, enviando uma carta em que acusa os eurodeputados de “contribuírem para que o tema seja sequestrado pelo populismo”.


Cientistas, ativistas e legisladores discutiram o atual impasse científico em termos dos riscos do glifosato para saúde, convidados pelos comissões parlamentares do Ambiente e da Agricultura.

“Os estudos revelaram provas limitadas de cancro nos seres humanos, provas suficientes de cancro nos animais e provas conclusivas em mecanismos que sabemos estarem associados a carcinógenos. Com base nisso, o grupo de trabalho classificou o glifosato como provavelmente carginogénico para os seres humanos”, explicou Kate Guyton, cientista da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro, uma instituição que pertence à Organização Mundial de Saúde.


Mas duas entidades reguladoras da União Européia discordam, nomeadamente a Agência Europeia da Segurança Alimentar.

“A substância ativa glifosato não exige classificação por carcinogenicidade. Por sinal, é importante mencionar que agências reguladoras similares no Canadá, Japão e Nova Zelândia, confirmaram isso”, disse José Tarazona, chefe da Unidade de Pesticidas daquela agência.

A Copa-Coega, entidade de lóbi que representa as cooperativas de agricultores da União Europeia junto das instituições comunitárias, pede que a licença para uso do glifosato seja renovada por 15 anos.

A decisão deverá ser tomada até ao final do ano, por maioria qualificada dos Estados-membros (16 dos 28 países, representando 65% da população).

Entre as principais potências económicas, França e Itália estão contra a renovação. A Alemanha tinha-se inclinado a favor até agora, mas o facto do partido dos Verdes poder vir a integrar a próxima coligação poderá ditar a abstenção do governo de Berlim.

Em janeiro passado, o governo português aprovou a proibição de uso de pesticidas em espaços públicos, tais como jardins infantis, parques e jardins urbanos, escolas e hospitais “com o objetivo de reduzir e controlar os efeitos sobre a saúde pública”, mas não na agricultura.