Suíça e EUA em guerra aberta por um queijo

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De  Bruno Sousa
Suíça e EUA em guerra aberta por um queijo
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A cidade suíça de Gruyères é conhecida mundialmente pelo queijo produzido na região. Desde 2001 que a designação é protegida pela legislação helvética mas do outro lado do Atlântico, a justiça dos Estados Unidos parece ter mais buracos que um queijo suíço e decretou que Gruyère não passa de um termo genérico para queijo. Uma decisão que deixou os produtores locais à beira de um ataque de nervos.

Philippe Bardet, diretor da Gruyère, não esconde a indignação: "Q_uando dizem que Gruyère é sinónimo de queijo... simplesmente não é verdade. Nas lojas dos EUA não encontramos queijo chamado Gruyère em todo o lado. Encontramos alguns produtos chamados Gruyère, mas não é um termo genérico como eles dizem_".

O acórdão permite aos norte-americanos usar livremente a designação Gruyère nos seus queijos. A batalha jurídica começou quando os produtores suíços registaram a marca nos Estados Unidos e terminou com vitória dos homens da casa. Diz a justiça norte-americana que, apesar da origem, o nome não se pode limitar aos queijos de uma região em específico.

Florie Marion, porta-voz do Gabine Federal para a Agricultura da Suíça, explica que "os americanos têm uma perceção diferente. Nós vemos o Gruyère como um produto protegido mas para os americanos é a marca que conta. Há uma distorção na forma como é encarada a situação".

De acordo com os produtores alpinos que o verdadeiro Gruyère é fabricado com ingredientes locais e naturais, usando métodos tradicionais capazes de unir a região à qualidade do produto. A justiça norte-americana não consegue ver a diferença para um queijo do Wisconsin, mas os consumidores sim.

Philippe Bardet sublinha que "os últimos dois anos foram muito complicados devido à Covid-19", ainda assim "foram dois anos de recordes nas exportações" uma vez que "os consumidores americanos informados querem o produto verdadeiro".

O mercado norte-americano representa uma fatia considerável na exportação do Gruyère suíço, uma fatia de quatro mil toneladas o ano passado. Isto sem contar com os que acabam a comer gato por lebre...