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Trevor Steven: "Jogar contra Maradona era inacreditável"

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Trevor Steven: "Jogar contra Maradona era inacreditável"
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Da década de oitenta, Trevor Steven traz algumas das melhores recordações: o início da carreira no futebol e a participação no Campeonato do Mundo de 1986 contra a Argentina de Maradona. Começou a jogar no Burnley passou para o Everton e depois para o Glasgow Rangers até ao Marselha. Hoje, as chuteiras podem estar penduradas, mas Trevor não perdeu a ligação com o futebol. No Dubai, dirige uma empresa que presta serviços a atletas reformados e, durante uma entrevista à Euronews, aproveitou para recordar o percurso ao serviço do futebol e, em particular, de Inglaterra.

Jane Witherspoon, Euronews: O Trevor teve uma carreira tão preenchida. Leve-nos numa viagem ao passado e conte-nos como tudo começou para si.

Trevor Steven, ex-jogador de futebol: "A minha carreira no futebol começou por volta dos 16 anos. Saí de casa aos 16 anos e comecei uma vida totalmente nova. Estava a estudar e era bom na escola, mas tinha essa opção de ser um jogador de futebol. E na altura começávamos por ser aprendizes. O Burnley foi a minha primeira equipa. Foi um sonho tornado realidade. Honestamente, quando estava na escola, não sonhava ir tão longe. Vivemos um dia de cada vez. E foi o que eu fiz. Passo a passo, acabei por ter uma carreira de muito sucesso".

(...) ao contrário de agora, em que todos os jogadores querem jogar na Premier League, foi ótimo mudar e jogar no estrangeiro
Trevor Steven
Ex-jogador de futebol

J.W.: Jogou em algumas das maiores equipas da Europa, principalmente no Reino Unido. Fez uma grande carreira no Everton. Alex Ferguson quis contratá-lo, não foi?

T.S.: "Sim, quis. Eu poderia ter ido para o Manchester United, depois dos meus dias no Everton. Mas fui para o Glasgow Rangers. Eu nem sequer era controverso naquela época. Agora seria. É bom. O jogo muda. As grandes equipas podem mudar. O Manchester United sempre foi um dos grandes. Mas o Glasgow Rangers não era tanto. Eu escolhi ir para lá. Graeme Souness era o treinador e gostei muito da minha passagem pela Escócia. Sou de perto da Escócia, portanto foi quase como ir para casa. Como jogador de futebol na época, ao contrário de agora, em que todos os jogadores querem jogar na Premier League, foi ótimo mudar e jogar no estrangeiro".

J.W.: Foi para Marselha.

T.S.: Fui para Marselha e passei lá momentos maravilhosos. Jogava com o Didier Deschamps! Didier e eu no meio-campo e Jean-Pierre Papin, que é uma lenda em Marselha.

J.W.: Como foi mudar-se tão jovem do norte da Inglaterra para o sul da França para jogar a nível internacional?

T.S.: É um caminho., obviamente. Joguei futebol alguns anos antes de viajar para França. Mas um jogador de futebol tem de fazer as coisas muito rapidamente. Aos 16 anos, tinha de causar impacto aos 18, 19 anos, no máximo. Portanto, tinha de aprender rapidamente, porque estava a entrar no mundo dos adultos e nessa altura é importante perceber que não se é mais um estudante a jogar à bola, mas sim um adulto. Entramos num balneário com 16, 17 anos e há jogadores com 31 ou 32 anos que já têm um percurso. E temos de competir contra eles e os conhecimentos e as ambições que têm para continuar a jogar.

J.W.: Não se saiu assim tão mal, porque jogou por Inglaterra e no Campeonato do Mundo. Creio que chegou às meias-finais.

T.S.: Joguei em dois campeonatos do mundo. Eu joguei no infame jogo de Maradona, a mão de Deus.

J.W.: Como correu?

T.S.: Estava muito quente, na Cidade do México, no verão de '86. E havia a questão da guerra nas Malvinas. E isso contribuiu para toda a situação. Mas jogar contra Maradona, naquela época, era inacreditável. Tive de me beliscar. Uns quatro, cinco anos antes disso eu estava na escola. E, de repente, estou naquele palco grandioso que era o Estádio Azteca, na Cidade do México.

Acho que no desporto, por causa do fim repentino da carreira, leva algum tempo até as pessoas se habituarem ao telefone deixar de tocar
Trevor Steven
Ex-jogador de futebol

J.W.: Muitas vezes o nosso pico profissional é seguido de uma queda. Ouvimos falar de muitas estrelas do desporto que sofrem de depressão. Eu acho que no momento ..

T.S.: É um assunto, não é?

J.W.: É um tema em voga sobre o qual as pessoas estão a falar. Como é que lidam com isso?

Trevor Steven, ex-jogador de futebol de Inglaterra.

T.S.: Tem sido uma daqueles assuntos varridos para debaixo do tapete. E as pessoas estão a arriscar mais e a ser incentivadas para falar sobre como se sentem. É muito difícil. E acho que no desporto, por causa do fim repentino da carreira, leva algum tempo até as pessoas se habituarem ao telefone deixar de tocar, de já não conseguir trabalhos. Deixa de haver rotina. Deixamos de ter um objetivo quando acordamos de manhã, estamos mentalmente preparados para ir para o nosso clube de futebol e ver os nossos companheiros de equipa e desfrutar da camaradagem que lá existe. Quando isso deixa de existir, é realmente difícil, mas é ótimo ver o príncipe William, o príncipe Harry. Eles foram muito abertos sobre ...

J.W.: ...os problemas de saúde mental que têm.

T.S.: Sim, sobre o que tiveram de passar e acho que, a partir do momento em que alguém tão conhecido começou a falar, as pessoas começaram a ouvir. E isso é muito bom.

J.W.: Assim que a carreira no futebol terminou, fez uma transição muito sucesso para uma nova carreira e optou por se mudar para Dubai. Porquê?

T.S.: Estou aqui há quase oito anos e adoro o ambiente, adoro a cidade de Dubai. É preciso continuarmos e continuar a desenvolvermo-nos como indivíduos. Por isso, já fiz várias coisas. Tenho uma filial de uma empresa sediada no Reino Unido chamada Play on Pro, que pretende manter os atletas unidos depois de se reformarem do desporto. O Dubai é um lugar onde os jogadores gostam de vir e eu recebo muitas dessas pessoas e conto-lhes o que estamos a fazer. Estamos a tentar manter essa camaradagem.

J.W.: Temos várias academias de futebol aqui. Já esteve em alguma ou esse não é um trabalho que gostasse de fazer?

T.S.: Não é algo que alguma vez tenha querido fazer. A minha filha deixou o Dubai, mas estudou aqui e também desenvolveu suas competências no futebol aqui. Ela foi para o clube de futebol de Reading e tem apenas 17 anos. Portanto, neste momento está a estudar e a treinar no Reino Unido.

(...) a Premier League chegou em 91, ou 92, e acho que espoletou uma reação que uniu Inglaterra
Trevor Steven
Ex-jogador de futebol

J.W.: Este ano há outro acontecimento a celebrar o trigésimo aniversário: o campeonato do mundo de Itália em que jogou.

T.S.: Em primeiro lugar, era um sonho de criança jogar no Campeonato do Mundo e já tinha jogado em '86. Mas o de '90 foi incrível. Como disse, já passaram 30 anos, o que é um pouco assustador, estar aqui sentado a recordar, porque sinto como de tivesse sido ontem.

J.W.: Sim.

T.S.: E para muitos dos atuais jogadores, aquele foi o primeiro vislumbre do que era um Campeonato do Mundo. Estou a falar de gente como Steven Gerrard e até de jogadores mais jovens, como Harry Kane. Eles referem-se sempre ao campeonato do mundo de 1990 como o primeiro de que se lembram.

J.W.: Lembro-me de Gazza a chorar!

T.S.: Gazza era o jogador do momento, não era?

J.W.: Era

T.S.: E ele era simplesmente brilhante. Também joguei com ele no Glasgow Rangers, mas quando jogámos por Inglaterra em Itália, ele marcava a diferença entre nós, os medianos, e um potencial vencedor. São memórias muito boas. Bobby Robson era o selecionador e foi uma experiência emocionante. Tínhamos jogadores brilhantes como Chris Waddle e o Gary na frente e Paul Gascoigne no meio-campo. Jogadores de futebol incríveis. Estivemos muito perto de ganhar. Fomos a penáltis na meia-final e sentimos que podíamos ter vencido. Mas no futebol há sempre um "se...", um "mas...", ou um "talvez".

J.W.: Também acho que a equipa que mencionou mudou as coisas. Foi o ponto de viragem para os jogadores se terem tornando nas estrelas que vemos hoje.

T.S.: Foi, porque a Premier League chegou em '91, ou '92, e acho que espoletou uma reação que uniu Inglaterra.

J.W.: O que é que o futuro lhe reserva?

T.S.: Estou a tentar fazer os negócios crescer, a World Class Football e a Playonpro. Qualquer coisa relacionada com manter contacto com o jogo é o que eu realmente gosto de fazer. Portanto, qualquer oportunidade que surja a esse respeito, ou falar sobre o jogo e as diferenças no jogo, eu realmente gosto disso. Dá-me vida. Qualquer coisa relacionada com futebol.

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