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David Guetta: "Quando isto acabar, vai ser a maior festa de todos os tempos"

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De  Jane Witherspoon & Euronews
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David Guetta: "Quando isto acabar, vai ser a maior festa de todos os tempos"
Direitos de autor  euronews   -   Credit: Dubai
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É o Disc-Jockey (DJ) número um do mundo e já vendeu mais de 40 milhões de discos. Neste episódio de Interview, falamos com o famoso DJ francês David Guetta, após um concerto solidário no heliporto do Burj Al Arab, no Dubai, no início de fevereiro, com o objetivo de angariar fundos para apoiar a batalha global contra a covid.

Jane Witherspoon, Euronews: Como surgiu este espetáculo?

David Guetta: A iniciativa chama-se “United at Home”. Comecei em Miami, depois em Nova Iorque, Paris, em frente ao Museu do Louvre, e agora neste lugar icónico e extraordinário. A ideia é trazer dinheiro para as pessoas que precisam com covid, mas é também por mim, para me divertir e entreter as pessoas. Porque não nos esqueçamos, as pessoas ainda precisam de ser entretidas. E é por isso que penso que tem tido muito sucesso.

J.W.: Quão importante é pôr a indústria do entretenimento novamente em movimento? Imagino que teve de encontrar novas formas de trabalhar.

D.G.: Sim, absolutamente. Isso foi um desafio para mim no início, porque estou tão habituado a ter pessoas reais à minha frente, mas devido a todas as reações que tive nos concertos anteriores, apercebi-me de como era útil e de como as pessoas gostavam. Por isso agora estou apenas a imaginar as pessoas e funciona. Penso que este vai ser provavelmente o maior espetáculo, porque a produção é realmente de loucos. Por isso, estou muito entusiasmado. É realmente incrível. O próprio edifício é realmente icónico e muito especial. Mas com a produção que trago, é realmente impressionante.

J.W.: Que caminho acha que a indústria vai tomar para seguir em frente? Como é que nos vamos adaptar e mudar para ter sucesso?

D.G.: Espero que não tenhamos de nos adaptar, porque muito em breve toda a gente estará vacinada. Vou poder voltar a ter verdadeiros concertos. Mas penso que agora isto é o que temos. E que vai continuar a ser, no futuro, uma opção possível. É como se estivesse a falar com muitas pessoas tal como num reality show virtual. E está a desenvolver-se muito. Acho que é interessante; tenho filhos e vejo que eles convivem com os amigos em jogos de vídeo. Jogam os jogos de vídeo, põem o capacete e falam com os amigos. E isto fez-me pensar muito sobre as novas gerações.

Estou a tentar tirar o melhor partido de cada situação. E tenho de dizer que, do ponto de vista criativo, [o confinamento] foi muito bom
David Guetta
DJ

J.W.: Mencionou os programas de vacinação. Tem defendido muito uma posição contra a antivacinação. Por que é que para si é importante que as pessoas garantam que são vacinadas no panorama atual?

D.G.: Porque não vejo outra opção, para ser honesto. Sinto que tenho muita sorte, porque estou no Dubai, tive acesso à vacina e já me vacinei. É uma escolha muito pessoal. Não estou a tentar forçar as pessoas a fazer o que não querem fazer, mas não vejo outra forma para o mundo. O que é que vamos fazer? Que mais vamos nós fazer? Não podemos ficar assim para sempre e deixar a economia morrer, assim isto vai destruir o mundo. Eu venho de França, um país de revolução, um dos países com mais resistência no início. E vejo que os números estão agora a mudar e cada vez mais pessoas querem ser vacinadas, o que é uma boa notícia, na minha opinião.

J.W.: Gravou “Let's Love” com a Sia durante o confinamento. Como foi o processo de fazer música nessa altura? Que impacto teve o confinamento?

D.G.: Como para toda a gente, é óbvio que não foi bom. Mas, ao mesmo tempo, estou a tentar tirar o melhor partido de cada situação. E tenho de dizer que, do ponto de vista criativo, foi muito bom. Continua a ser muito bom, porque estou a passar mais tempo em casa e menos em aviões. E isso dá-me mais tempo para fazer música.

Alguém inventou [que era] o 'padrinho da música de dança' e, não sei como, tornou-se “o avô”. E, de repente, pareço realmente velho. Mas, OK, por que não? É verdade que dediquei a minha vida à música de dança
David Guetta
DJ

J.W.: Nasceu em Paris, mas fez do Dubai a sua casa, nos últimos anos. Este lugar é muito especial para si. Porque é que optou pelo Dubai?

D.G.: Honestamente, neste momento, este é provavelmente o melhor lugar do mundo, onde realmente se pode viver. É o lugar mais seguro que já vi. Isso é agradável e penso também que no caso da covid, eles têm estado a fazer bem e espero que assim continue, o futuro dirá. Mas até agora, têm mantido uma vida social agradável e, ao mesmo tempo, segurança. Portanto, é um bom equilíbrio.

J.W.: É conhecido internacionalmente como o avô da música de dança eletrónica. Considera-se avô?

D.G.: Odeio isso, porque alguém inventou [que era] o 'padrinho da música de dança' e, não sei como, tornou-se “o avô”. E, de repente, pareço realmente velho. Mas, OK, por que não? É verdade que dediquei a minha vida à música de dança. Do funk ao house, do hip hop ao EDM [eletronic dance music], chamem o que quiserem. Tem sido a minha vida fazer as pessoas dançar.

J.W.: Começou por atuar nos bares em Paris e acabou por transferir todo o seu conhecimento de dj-ing dessa realidade dos bares e discotecas para álbuns lançados em todo o mundo. Qual foi a maior mudança, para si, na indústria, desde os bons velhos tempos?

D.G.: Oh, uau! Houve uma enorme mudança. Primeiro, quando comecei, não havia DJ famosos, simplesmente não existiam. Portanto, nunca poderia imaginar que um dia iríamos vender bilhetes com o nosso nome e muito menos que iríamos encher um estádio, isso era impossível de imaginar.

J.W.: O que reserva o futuro?

D.G.: Sim, estou a olhar para o futuro. Como disse há pouco, penso que toda a realidade virtual é muito interessante. E acima de tudo, penso que quando isto acabar, vai ser a maior festa de todos os tempos. Por isso, estou pronto para voltar à estrada e voltar a fazer espetáculos todos os dias, porque sinto muita falta.