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Noites claras, planeta mais quente? Poluição luminosa pode levar ecossistemas a emitir mais carbono

Em 2022, a Torre Eiffel reduziu o tempo de iluminação para poupar energia
Em 2022, a Torre Eiffel reduziu as horas de iluminação para poupar energia -  Direitos de autor  Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved
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De Hannah Docter Loeb
Publicado a •Últimas notícias
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Estudo recente analisa impacto da luz artificial nos ecossistemas.

A poluição luminosa está a aumentar cerca de 2 por cento por ano. E a luz artificial pode perturbar a vida de inúmeros seres, levando aves migratórias a perderem a orientação, dificultando a reprodução dos animais noturnos e até alterando os padrões de sono e os ritmos circadianos das pessoas.

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Um novo estudo, porém, lança uma perspetiva inédita sobre outro processo afetado pela poluição luminosa: as emissões de carbono dos ecossistemas. Sugere que o clarão das nossas cidades e vilas pode estar a alterar, de forma subtil, o equilíbrio natural do ciclo do carbono.

Como a luz artificial remodela os ecossistemas

O estudo, publicado na Nature Climate Change, é o primeiro a demonstrar como a luz artificial altera o balanço de carbono dos ecossistemas.

Centrou-se em 86 locais na América do Norte e na Europa, recorrendo a satélites e à monitorização dos fluxos de carbono para avaliar os ecossistemas. Estes dois continentes são os que registam níveis mais elevados de poluição luminosa.

Os investigadores concluíram que a luz artificial durante a noite aumentou a respiração dos ecossistemas: plantas, microrganismos e animais libertaram mais dióxido de carbono. Porém, não houve um aumento correspondente da fotossíntese, o processo das plantas que o retira da atmosfera.

Como escrevem os autores, os resultados mostram que a ALAN (luz artificial durante a noite) perturba "constrangimentos energéticos fundamentais ao metabolismo dos ecossistemas".

"É um problema generalizado que está a mudar o funcionamento dos ecossistemas, a perturbar fluxos de energia, o comportamento animal, os habitats e os padrões naturais", disse Alice Johnston, docente de Ciência de Dados Ambientais na Universidade de Cranfield, que liderou a investigação.

"Em suma, noites mais claras significam maiores emissões de carbono, o que é má notícia para o planeta".

Que medidas adotar

A poluição luminosa é facilmente reversível.

"Ao contrário das alterações climáticas, poderíamos reduzir a poluição luminosa quase de um dia para o outro com melhor desenho de iluminação", disse Johnston. "Adotar tecnologias de iluminação reguláveis, direcionais e sensíveis ao espetro é uma melhoria imediata e exequível".

A iluminação representa também mais de 15 por cento do consumo mundial de eletricidade. Reduzir a poluição luminosa pode ajudar a diminuir o impacto climático do setor.

"Enfrentar a poluição luminosa representa um raro triplo ganho para o ambiente, a eficiência energética e o bem-estar", acrescentou Johnston.

Os autores sublinham também quea poluição luminosa deve ser incluída nos modelos climáticos e nas avaliações das alterações globais.

"Cerca de um quarto da superfície terrestre já experimenta algum nível de iluminação artificial durante a noite", disse Jim Harris, professor de Tecnologia Ambiental e coautor do estudo.

"Os nossos resultados sugerem que esta pegada crescente pode deslocar de forma subtil, mas significativa, o balanço global do carbono se nada for feito".

Como a Europa combate a poluição luminosa

Não existe uma regulamentação ampla e uniforme sobre a poluição luminosa. Alguns países têm leis nacionais que a limitam, como França, Croácia, Eslovénia e a Chéquia. Cidades e certas regiões também têm normas. Alguns países, como a Áustria e a Irlanda, têm orientações não vinculativas em vez de legislação com força obrigatória.

Em todo o continente e além, o programa "International Dark Sky Places" reconhece locais em todo o mundo que preservam e protegem locais de céu escuro. Atualmente, existem 24 destas reservas especificamente protegidas da poluição luminosa, a maioria das quais situada na Europa. Incluem-se o Parque Nacional das Cévennes, em França, a Cranborne Chase National Landscape, em Inglaterra, e a Reserva da Biosfera de Rhön, na Alemanha.

Classificado recentemente como Urban Night Sky Place, o jardim zoológico Artis, em Amesterdão, tornou-se o primeiro zoo do mundo a obter certificação DarkSky.

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