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Lamborghini trava planos de elétricos por fraca procura no segmento de luxo

ARQUIVO - Carro desportivo Lamborghini exposto na zona de treinos durante a última ronda do LPGA Pelican Women's Championship, no Pelican Golf Club, 13 nov. 2025
ARQUIVO - Carro desportivo Lamborghini em exposição no campo de treinos na última ronda do LPGA Pelican Women's Championship, no Pelican Golf Club, 13 nov. 2025 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Una Hajdari
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O CEO afirma que os clientes ainda não criaram uma «ligação emocional» aos veículos elétricos, levando a marca a apostar antes na propulsão híbrida

A Lamborghini abandonou os planos de lançar no mercado o seu primeiro supercarro totalmente elétrico e aposta agora em híbridos plug-in, numa resposta à fraca procura por parte do seu núcleo de clientes de luxo.

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O fabricante de automóveis de luxo confirmou, numa entrevista do presidente executivo Stephan Winkelmann ao The Sunday Times, que o muito aguardado modelo elétrico Lanzador, apresentado como conceito em 2023, já não vai chegar à produção.

Em vez disso, será substituído por um veículo híbrido plug-in (PHEV), consolidando uma mudança de estratégia que prevê uma gama totalmente híbrida até ao final da década.

Procura por supercarros elétricos abranda

A decisão evidencia a crescente cautela entre os fabricantes de alto desempenho quanto ao ritmo da eletrificação no segmento de luxo.

Winkelmann indicou que o entusiasmo dos clientes, crucial para marcas ultraluxo, não se concretizou como era esperado.

A "curva de aceitação" dos Lamborghini 100% elétricos no mercado-alvo da marca está "praticamente a zero", disse ao The Sunday Times.

Alertou que avançar apesar disso acarretaria riscos financeiros.

“Investir fortemente no desenvolvimento de modelos totalmente elétricos quando o mercado e a base de clientes não estão preparados seria um hobby caro e financeiramente irresponsável para com acionistas, clientes, bem como para os nossos colaboradores e respetivas famílias”, afirmou Winkelmann na entrevista.

O responsável acrescentou que a clientela da marca continua a privilegiar o apelo sensorial dos automóveis tradicionais.

“Os veículos elétricos, na sua forma atual, dificilmente oferecem esta ligação emocional específica.”

Híbridos afirmam-se como compromisso

A Lamborghini vê agora os híbridos plug-in como a ponte ideal entre as exigências regulamentares e a identidade da marca. O grupo já eletrificou a gama atual, incluindo os modelos Revuelto, Urus e Temerario, recorrendo a tecnologia híbrida.

“Os híbridos plug-in oferecem o melhor de dois mundos, ao combinarem a agilidade e o impulso em baixas rotações da tecnologia elétrica de baterias com a emoção e a potência de um motor de combustão interna”, explicou Winkelmann.

Acrescentou que os motores convencionais permanecerão em produção “durante o máximo de tempo possível”.

A mudança é significativa porque a Lamborghini tinha indicado anteriormente que um modelo totalmente elétrico chegaria ainda nesta década. O Lanzador estava apontado como pedra angular dessa estratégia.

Mudança expõe tensões na transição automóvel

A reavaliação por parte de uma das marcas de supercarros mais reconhecidas do mundo evidencia uma tensão mais ampla na transição do setor automóvel. Enquanto a pressão regulatória se intensifica, o apetite dos consumidores, sobretudo no topo do mercado, continua irregular.

A Lamborghini entregou um recorde de 10 747 veículos em 2025, impulsionada por fortes vendas de híbridos. A Europa e o Médio Oriente mantêm-se como os maiores mercados, embora a empresa tenha registado um desempenho mais fraco nas Américas.

Analistas do setor consideram que a decisão reflete um cálculo pragmático.

Ao contrário dos fabricantes de grande série, as marcas de luxo de baixo volume dependem fortemente do apelo emocional e da aura da marca, áreas em que as motorizações totalmente elétricas ainda não conquistaram os compradores tradicionais de altas prestações.

Ainda assim, Winkelmann evitou afastar em definitivo a hipótese de um futuro Lamborghini elétrico.

“Nunca digas nunca, mas só quando for a altura certa. No futuro previsível, apenas PHEV.”

Pressão regulatória continua a pesar

Esta pausa estratégica surge numa altura em que a UE avança para a eliminação, em 2035, dos novos automóveis com motor de combustão, enquanto o Reino Unido mantém para 2030 a data-limite para a maioria dos modelos a gasolina e gasóleo.

Como pequeno fabricante, a Lamborghini beneficia atualmente de isenções em matéria de emissões até 2035 e deverá procurar a sua renovação.

Winkelmann advertiu que o setor enfrenta um período de transição exigente ao longo desta década.

“Vivemos tempos de mudança rápida; se não reagirmos depressa, corremos o risco de sair do negócio ou de perder dinamismo”, afirmou.

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