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"UE deve dialogar com a Rússia, mas prioridade é apoiar Ucrânia", diz ministro francês

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Benjamin Haddad, ministro francês dos Assuntos Europeus
Benjamin Haddad, ministro francês dos Assuntos Europeus -  Direitos de autor  Euronews
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De Mared Gwyn Jones
Publicado a •Últimas notícias
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O ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, afirma à Euronews que a Europa não deve deixar terceiros definir a sua arquitetura de segurança e avisa que Moscovo não está interessada num cessar-fogo nem na paz.

Os europeus devem estar "preparados para abrir o seu próprio canal diplomático" com Moscovo, mas a "prioridade" deve ser apoiar a Ucrânia e aumentar a pressão sobre a Rússia, afirmou à Euronews o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, numa altura em que a União Europeia pondera nomear um enviado para dialogar com o Kremlin.

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Em entrevista concedida na terça-feira, Haddad afirmou que a Rússia "não está a envolver-se seriamente na diplomacia" e "não está interessada num cessar-fogo ou na paz", acrescentando que Moscovo também está a "perder terreno", tanto no campo de batalha como no plano diplomático.

"A Rússia esperava há muito tempo conseguir dividir os europeus, que abrandássemos a nossa determinação. Assistimos exatamente ao contrário", afirmou Haddad.

"O que vimos foi os europeus a assumirem responsabilidades e a fornecerem a maior parte do apoio à Ucrânia. E vemos a Rússia a perder terreno em todo o lado, no plano diplomático", acrescentou, citando a Arménia como um dos países tradicionalmente na órbita de Moscovo que se aproximou da Europa na sequência da invasão em grande escala da Ucrânia em 2022.

Na quinta-feira, prevê-se que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE levantem a questão de saber se o bloco deve pôr fim ao isolamento diplomático imposto à Rússia no início de 2022 e avançar para negociações diretas de paz.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, juntamente com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apoiaram inicialmente um envolvimento direto dos europeus nas conversações, sublinhando que um diálogo com o Presidente russo, Vladimir Putin, seria "útil".

Os europeus tinham sido excluídos das conversações mediadas pelos Estados Unidos, que estagnaram nos últimos meses, alimentando preocupações de que a futura segurança da Europa estivesse a ser negociada pelos Estados Unidos em seu nome.

Macron enviou também o seu conselheiro diplomático, Emmanuel Bonne, ao Kremlin, em fevereiro, para negociações, mas a iniciativa foi rejeitada pelo ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.

Ainda assim, as declarações de Haddad apontam para uma abordagem mais cautelosa por parte de Paris, mais alinhada com a dos países de Leste, mais céticos em relação a sentarem-se à mesa com Putin.

Na terça-feira, o ministro estónio dos Negócios Estrangeiros, Margus Tsahkna, avisou de forma incisivaque conversações diretas transformariam a UE num "mediador neutro", do qual se esperaria um alívio das sanções contra Moscovo. Já o Presidente letão, Edgars Rinkēvičs, afirmou que a Rússia tentaria transformar qualquer aproximação num "jogo de relações públicas" e que a UE "acabaria, em boa medida, de mãos vazias".

Haddad manifestou também apoio à candidatura da Ucrânia à adesão à UE, que o Presidente Zelenskyy apresentou como um elemento central das futuras garantias de segurança do país.

Uma proposta do chanceler alemão, Friedrich Merz, para atribuir a Kiev um estatuto "associado" – por exemplo, um lugar à mesa nas discussões do Conselho sem plenos direitos de voto – foi recebida com ceticismo, numa altura em que os responsáveis em Bruxelas continuam a tentar quadrar o círculo: garantir uma integração rápida sem renunciar aos rigorosos critérios de adesão que França há muito defende.

"Compreendo a necessidade de enviar uma mensagem, de enviar um sinal à população ucraniana de que queremos que a Ucrânia, mais à frente, seja membro, membro de pleno direito da União Europeia", disse Haddad.

"Por isso, estamos também preparados para trabalhar na forma de (...) aperfeiçoar essa integração gradual. E considero positivo abrir o debate e abrir a conversa sobre este tema."

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