Trinta mil mosquitos machos estéreis vão ser libertados esta quinta-feira em Alvalade, Lisboa, numa última fase de um projeto experimental que pretende travar a reprodução do mosquito-tigre-asiático, espécie que pode transmitir doenças como dengue, zika e febre-amarela.
Vão ser libertados 30 mil mosquitos em Lisboa esta quinta-feira. Sim, leu bem, não é nenhuma brincadeira. Mas esteja descansado, estes não picam.
Tratam-se de mosquitos machos estéreis que pertencem à espécie 'Aedes albopictus' e vão ser libertados na freguesia lisboeta de Alvalade, no âmbito de um projeto experimental que tem como objetivo final reduzir a população do mosquito-tigre-asiático, devido às suas implicações para a saúde pública.
Na verdade esta não é a primeira vez que isto acontece. No total, já foram libertados 60 mil mosquitos, sendo esta a última libertação deste tipo de inseto.
Em declarações à Lusa, Afonso Moreira, médico de Saúde Pública da Unidade de Saúde Pública Francisco George, da Unidade Local de Saúde Santa Maria, explicou que estes mosquitos foram esterilizados com uma técnica comprovada e segura.
"Quando os libertamos no espaço onde exista população deste mosquito, eles, no fundo, vão competir com os mosquitos machos que já existem no local, os mosquitos selvagens", referiu o responsável do projeto.
A intenção é avaliar se essa competição reduz a reprodução da espécie, dado que os acasalamentos com os machos estéreis não dão origem a descendência. E uma vez que apenas as fêmeas precisam de sangue, com a redução dos machos selvagens e das hipóteses de reprodução, isto permitiria controlar o número de mosquitos desta espécie que podem picar o ser humano.
No entanto, o investigador ressalvou que nesta primeira fase o principal objetivo é perceber o comportamento dos exemplares libertados, nomeadamente a sua capacidade de dispersão e sobrevivência na área de intervenção.
Caso os resultados da primeira etapa sejam favoráveis, a estimativa é que em maio haja mais desenvolvimentos na investigação, com um estudo comparativo entre zonas onde o mosquito foi libertado e controlado.
O projeto está centrado no mosquito-tigre-asiático, devido às suas implicações para a saúde pública, visto que pode transmitir doenças como dengue, zika e febre-amarela, sendo que o risco surge se o mosquito picar uma pessoa infetada e, posteriormente, transmitir o agente a outra pessoa.
À Lusa, Afonso Moreira apontou que a libertação de mosquitos estéreis é apenas uma das medidas de controlo, defendendo a necessidade de se continuar a eliminar os locais onde esta espécie se reproduz.