O discurso aconteceu enquanto manifestantes se reuniam em Nova Iorque para protestar contra o líder israelita, tendo cerca de 100 pessoas sido detidas pela polícia, segundo relatos.
Benjamin Netanyahu fez um discurso desafiante na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, na quinta-feira, dia em que decorreram na cidade protestos convocados contra o primeiro-ministro israelita.
Netanyahu, que se prepara para as eleições legislativas de outubro, aproveitou o momento para criticar os opositores da guerra em Gaza, bem como os órgãos de comunicação social e os parceiros internacionais.
Ao dirigir-se ao púlpito, dezenas de delegados de vários países abandonaram a sala, enquanto o orador pedia silêncio.
"Se houver mais cobardes morais que ainda não tenham saído desta sala, que o façam agora", disse Netanyahu ao público, antes de abordar a guerra com o Irão, que teve início no final de fevereiro, após os ataques norte-americanos e israelitas ao país.
O primeiro-ministro israelita sustentou que o Irão representa uma ameaça existencial para o mundo e que Israel está a "defender muitos dos países cujos delegados acabaram de sair desta sala".
"Há 14 anos, subi a este púlpito e tracei uma linha vermelha. Prometi impedir que a ditadura assassina do Irão desenvolvesse armas nucleares", afirmou. "Devastar as instalações nucleares iranianas foi difícil, muito difícil. No entanto, foi uma das decisões mais fáceis que tive de tomar enquanto primeiro-ministro, pois se não o tivéssemos feito, estaríamos todos mortos."
Netanyahu aproveitou também para criticar o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, a quem chamou o "autarca antissemita" da cidade.
"Desde que foi eleito presidente da câmara desta cidade, muitos judeus deixaram de se sentir seguros", afirmou Netanyahu.
Mamdani já tinha instado as autoridades norte-americanas a executarem o mandado de detenção do TPI contra Netanyahu sempre que este visitasse os Estados Unidos. Em novembro de 2024, o TPI emitiu um mandado de detenção contra Netanyahu, acusando-o de crimes de guerra, nomeadamente de usar a fome como método de guerra e de dirigir intencionalmente um ataque contra a população civil. O tribunal acusa ainda Netanyahu de vários crimes contra a humanidade.
Em resposta, Mamdani afirmou que Netanyahu "usou o seu discurso para repetir mentiras infundadas, com o objetivo de encobrir o seu genocídio contra os palestinianos".
"No entanto, nenhuma mentira pode alterar o facto de continuar a ser alvo de um mandado de detenção do TPI por alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade", acrescentou.
Noutro momento do seu discurso, Netanyahu rejeitou as acusações de genocídio em Gaza, afirmando que "é o contrário de genocídio", e criticou o Reino Unido e a França pela sua crescente oposição a Israel.
"Acusam Israel, este pequeno Israel, de colonialismo, de qualquer colonialismo. E quem nos acusa? Entre eles estão pessoas no Reino Unido e em França. Por amor de Deus, foram eles que inventaram o termo", disse.
O discurso coincidiu com uma manifestação em Nova Iorque contra Netanyahu.
Segundo relatos, a polícia deteve cerca de cem pessoas durante os protestos, incluindo a atriz Susan Sarandon. Imagens da agência noticiosa AFP mostraram a protagonista de "Thelma & Louise" a ser algemada e conduzida por agentes da autoridade.
Um porta-voz da polícia de Nova Iorque (NYPD) declarou à agência que os agentes responderam a relatos de uma "manifestação não programada", na qual as pessoas bloqueavam um cruzamento.
"Os elementos do Community Affairs Bureau da NYPD emitiram vários avisos, aconselhando os participantes a dispersar", afirmou o porta-voz, acrescentando: "Eles continuaram a bloquear o cruzamento. Várias pessoas que não obedeceram foram detidas".