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Kyriakos Mitsotakis avisa Turquia: “Não pode haver progresso real” com ameaças de guerra

Primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, durante o discurso na Assembleia Geral da ONU
O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU -  Direitos de autor  Γραφείο Τύπου Πρωθυπουργού Ελλάδας
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De Akis Tatsis
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O primeiro-ministro grego diz que questão cipriota é “pedra de toque” da credibilidade da ONU, apoia esforços de Guterres e pede aos EUA regras rigorosas para a inteligência artificial.

Kyriakos Mitsotakis, ao intervir na Assembleia Geral das Nações Unidas, alertou a Turquia de que o diálogo construtivo não pode coexistir com ameaças de guerra e apelou aos Estados Unidos da América para que regulamentem de forma mais rigorosa a inteligência artificial.

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O primeiro-ministro apresentou igualmente a posição da Grécia relativamente à questão cipriota e aos conflitos internacionais, defendendo o reforço do multilateralismo e o respeito pelo direito internacional.

Este discurso ocorreu quando a Grécia está a cumprir os últimos meses do seu mandato de dois anos no Conselho de Segurança, preparando-se para assumir a presidência do órgão em outubro. O chefe do governo alertou para o facto de "os conflitos se estarem a multiplicar" e de "as tensões se estarem a aprofundar".

Mensagem para Ancara sobre ameaças de guerra

Ao abordar as relações entre a Grécia e a Turquia, o primeiro-ministro destacou os esforços dos últimos três anos para restabelecer a confiança mútua e manter os canais de comunicação abertos.

"Não podemos, afinal, como tenho repetido, mudar a geografia. Está no nosso destino vivermos lado a lado", declarou.

Reiterou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar é o único quadro institucional que permite resolver a divergência de longa data reconhecida por Atenas: a delimitação da plataforma continental e das Zonas Económicas Exclusivas.

"O diálogo é indispensável para a paz e a prosperidade", afirmou, deixando claro que não é possível haver progressos substanciais se houver "ameaças de guerra como resposta ao exercício de direitos legais, em conformidade com o direito internacional".

Questão cipriota: “pedra de toque” para a credibilidade da ONU

Kyriakos Mitsotakis considerou a questão cipriota um teste decisivo à credibilidade das Nações Unidas, 52 anos após a invasão turca e a subsequente ocupação de parte da ilha.

"Para as Nações Unidas, Chipre continua a ser o 'teste' da sua credibilidade, ou seja, a sua capacidade de cumprir as suas próprias resoluções e os princípios da Carta."

O primeiro-ministro grego expressou ainda o apoio pleno da Grécia aos esforços de António Guterres para relançar negociações substanciais com vista à reunificação de Chipre sem forças de ocupação.

A questão cipriota esteve também na ordem do dia da reunião que o primeiro-ministro teve na quinta-feira, dia 24 de setembro, com o Secretário-Geral da ONU em Nova Iorque. De acordo com um comunicado das Nações Unidas, foram igualmente discutidos a situação na Ucrânia, a evolução da situação regional e o conflito no Médio Oriente.

Encontro do primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nova Iorque
Encontro do primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nova Iorque Γραφείο Τύπου Πρωθυπουργού Ελλάδας

Segurança marítima e corredores energéticos

A proteção da marinha mercante será uma das prioridades da presidência grega no Conselho de Segurança.

"Se a liberdade de navegação for sistematicamente ameaçada e não protegermos as rotas marítimas vitais, a economia mundial corre o risco de parar", alertou Mitsotakis.

Mitsotakis apresentou também um plano para reforçar as ligações energéticas, referindo-se ao projeto GREGY, que tem como objetivo transportar eletricidade do Egito para a Europa, bem como ao Great Sea Interconnector, que ligará Chipre e Israel às redes europeias.

Gaza: “nenhum papel” para o Hamas

Relativamente a Gaza, o primeiro-ministro defendeu a aplicação efetiva do plano de paz acordado no ano anterior, insistindo na necessidade de desarmar o Hamas.

"O Hamas não pode ter qualquer papel — repito: nenhum papel — no futuro de Gaza", afirmou, sublinhando que são os próprios palestinianos que devem assumir a responsabilidade pelo futuro do território.

Reafirmou o apoio da Grécia à solução dos dois Estados e manifestou preocupação com ações na Cisjordânia que, segundo disse, violam o direito internacional.

Referiu ainda a necessidade de reforçar o Líbano, proteger as comunidades religiosas e étnicas na Síria e alcançar um acordo para a delimitação das zonas marítimas entre a Grécia e a Líbia.

Discurso do primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, na Assembleia Geral da ONU
Discurso do primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, na Assembleia Geral da ONU Γραφείο Τύπου Πρωθυπουργού Ελλάδας

Ucrânia e Sudão

Quanto à Ucrânia, o primeiro-ministro apelou a um cessar-fogo imediato e à paz, com base na Carta das Nações Unidas.

"A Ucrânia deve ter uma palavra determinante sobre o seu próprio futuro e a Europa não pode ficar de fora dessas negociações", afirmou.

Quanto ao Sudão, apelou ao fim das ingerências externas e à responsabilização pelos crimes de guerra cometidos. "Não podemos permitir que esta tragédia continue", afirmou, alertando para o risco de uma nova vaga migratória em massa rumo à Europa.

Economia e presidência europeia

Mitsotakis apresentou os resultados económicos do seu governo, salientando um crescimento superior à média europeia, a diminuição da dívida pública e a capacidade de atrair investimento.

"As nossas finanças públicas são saudáveis e o nosso desempenho orçamental é atualmente um exemplo positivo na Europa", afirmou.

No âmbito da presidência grega do Conselho da União Europeia no segundo semestre de 2027, o primeiro-ministro grego indicou a competitividade, a defesa europeia e a proteção das fronteiras externas como prioridades.

Apelo aos Estados Unidos para regular de forma rigorosa a IA

No final do seu discurso, o primeiro-ministro alertou para os riscos de uma inteligência artificial sem controlo e mencionou os apelos dos responsáveis do setor para que se faça uma pausa voluntária no desenvolvimento dos modelos, embora apenas temporária, até que seja criada uma autoridade reguladora robusta.

"Acreditar que as grandes empresas tecnológicas chegarão voluntariamente a um acordo para autorregular o desenvolvimento da inteligência artificial é ingénuo", afirmou.

O primeiro-ministro defendeu um sistema de licenciamento obrigatório para as empresas, com base em requisitos específicos de transparência e segurança, e traçou um paralelo entre a regulação da inteligência artificial e a da tecnologia nuclear.

"O mesmo tem de acontecer agora. E tem de acontecer depressa", declarou, apelando ao Governo norte-americano para assumir a principal responsabilidade pela definição de regras estritas.

"Um grande poder implica uma grande responsabilidade. Esperemos que o país que nos acolhe esteja à altura das circunstâncias", concluiu.

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