Rapper norte-americano afastado da digressão de estádios de Ed Sheeran por apoiar a Palestina organiza concerto solidário em Dublin, Paris e Londres; turné norte-americana será anunciada
O rapper norte-americano Macklemore prepara-se para rumar à Europa com o que descreve como a digressão “Free Palestine Tour”, depois de ter sido afastado da digressão norte-americana de Ed Sheeran por fazer comentários pró-palestinianos em palco.
“Se estas últimas semanas nos mostraram alguma coisa, é que algo mudou nos últimos três anos”, afirmou Macklemore ao partilhar a notícia. “Houve um despertar coletivo em torno da libertação palestiniana, do poder dos bilionários que tentam censurar esse apelo e do que esperamos dos artistas neste momento.”
O artista galardoado com um Grammy, de nome verdadeiro Benjamin Haggerty, acrescentou que, em 2026, “ser apolítico durante um genocídio já não funciona”, porque o público espera que os artistas “estejam presentes, se informem e se envolvam com a comunidade” e que “usem o palco para mais do que entretenimento, para reagir quando o apelo a uma Palestina livre é recebido com tentativas de o silenciar”.
Macklemore adiantou que irá subir ao palco acompanhado de “artistas que se têm mostrado presentes e usado os seus palcos para expressar solidariedade”.
A digressão “Free Palestine Tour” terá lugar no próximo mês, com concertos em Dublin (26 de outubro, na 3Arena), Paris (29 de outubro, na Accor Arena) e Londres (30 de outubro, na OVO Arena Wembley). Eventuais datas nos Estados Unidos ainda não foram confirmadas.
De acordo com a promotora Live Nation, a digressão “Free Palestine” irá “reunir Macklemore com artistas e amigos numa série de atuações centradas na Palestina e nos palestinianos, ajudando a fornecer ajuda humanitária e apoio ao movimento”.
Todos os lucros serão destinados a organizações que apoiam o povo palestiniano e o movimento. Entre elas contam-se: Anera, Glia, Gaza Soup Kitchen, Taawon, HEAL Palestine, Palestinian Youth Movement, Middle East Children’s Alliance, Jewish Voice for Peace, Medical Aid for Palestinians, Institute for Middle East Understanding, Palestine Children’s Relief Fund e UNRWA USA.
Depois de ter sido afastado da digressão de Ed Sheeran, Macklemore anunciou que iria doar todo o salário de 1 milhão de dólares que tinha recebido a organizações de apoio à Palestina.
O rapper explicou que foi retirado do alinhamento depois de Robert Kraft, bilionário proprietário do Gillette Stadium, se recusar a deixar que atuasse no recinto devido ao seu apoio público à Palestina.
Kraft, que também é dono dos New England Patriots, afirmou que tomou a decisão porque o estádio não iria “fornecer uma plataforma para discurso de ódio”.
O empresário acrescentou ainda que, tanto ele como Sheeran, iriam doar 2 milhões de dólares cada para “ajuda na região, a fim de combater esta crise humanitária”, embora não tenham sido especificadas quais as organizações beneficiárias.
Depois de Macklemore ter sido retirado do cartaz, Sheeran publicou um comunicado que desencadeou uma enorme reação negativa contra o cantor, ao explicar porque, ao contrário de Macklemore, não se pronuncia sobre questões políticas.
“Só porque escolho não falar publicamente sobre política, isso não significa que não tenha opiniões, nem que não me importe. Também não quer dizer que não apoie causas de forma pessoal”, escreveu o cantor. “Há um motivo para eu não usar a minha plataforma profissional para política: o meu público inclui jovens, muitas vezes crianças, de todas as origens. Quem vem aos meus concertos não espera um fórum político.”