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Até que ponto a Suíça deve ser neutra? Eleitores dão um veredicto decisivo

Cartaz da iniciativa pela neutralidade na Suíça, rejeitada este domingo
Cartaz da iniciativa pela neutralidade na Suíça, chumbada este domingo -  Direitos de autor  Jean-Christophe Bott/Keystone via AP
Direitos de autor Jean-Christophe Bott/Keystone via AP
De Kirsten Ripper & Sonja Issel
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Os defensores da proposta, liderados pelo Partido Popular Suíço (SVP), de direita, argumentaram que a Suíça se tinha aproximado demasiado da União Europeia e da NATO, especialmente desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

Os eleitores suíços rejeitaram por esmagadora maioria uma proposta para reforçar a neutralidade do país num referendo realizado no domingo, com cerca de 70% a votar contra a medida.

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De acordo com os resultados finais publicados pelo governo suíço, a proposta foi rejeitada em todos os 26 cantões suíços.

A iniciativa teria restringido a capacidade da Suíça de impor sanções a outros países, permitindo tais medidas apenas se tivessem sido aprovadas pelas Nações Unidas.

Isso teria limitado a capacidade da Suíça de adotar sanções contra a Rússia, que detém o direito de veto enquanto um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Os defensores da proposta, liderados pelo Partido Popular Suíço (SVP), de extrema-direita, argumentaram que a Suíça se tinha aproximado demasiado da União Europeia e da NATO, especialmente desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

"Este resultado não é um voto contra a neutralidade", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Suíça, Ignazio Cassis, numa conferência de imprensa no domingo, aquando do anúncio dos resultados do referendo.

"A Suíça era neutra ontem, é neutra hoje e continuará a ser neutra", sublinhou.

Uma campanha dispendiosa termina em derrota

A iniciativa foi defendida por Christoph Blocher, o multimilionário de 85 anos e figura influente no seio do Partido Popular Suíço (SVP), com cartazes de campanha que promoviam a chamada "iniciativa da neutralidade" e exibiam o slogan "Não à guerra".

A sua derrota já era amplamente antecipada. De acordo com relatos da imprensa suíça, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Berna, tinha previsto em privado o resultado várias semanas antes da votação.

Apesar do resultado esperado, Blocher investiu fortemente na campanha.

Veterano da União Democrática do Centro (UDC), Christoph Blocher – Imagem de arquivo
Veterano da União Democrática do Centro (UDC), Christoph Blocher – Imagem de arquivo RONALD ZAK/AP

De acordo com o jornal suíço "Berner Zeitung", Blocher gastou 3,8 milhões de francos suíços na iniciativa, alegadamente o maior montante alguma vez contribuído por um único indivíduo para uma campanha de referendo na Suíça.

O resultado suscitou críticas por parte dos opositores políticos.

"A iniciativa teria cristalizado a neutralidade e deixaria de permitir uma resposta adequada a uma determinada situação", argumentou Susanne Vincenz-Stauffacher, membro do Conselho Nacional suíço, referindo-se à guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Vincenz-Stauffacher alertou que definir a neutralidade em termos tão rígidos poderia impedir a Suíça de impor sanções a um agressor.

"No fim de contas, não se está neutro, mas sim do lado do agressor", afirmou.

"Blocher perdeu completamente o rumo nesta questão", disse Marianne Binder, membro do Partido do Centro no Conselho dos Estados, em representação do cantão de Aargau.

O que significa a neutralidade para a Suíça?

A Suíça tem mantido uma política de neutralidade de longa data e não é membro de nenhuma aliança militar.

No entanto, a interpretação dessa neutralidade tem sido objeto de debate político há anos, especialmente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O governo suíço defende atualmente uma política de "neutralidade cooperativa", ao abrigo da qual o país permanece militarmente não alinhado, mantendo, ao mesmo tempo, a capacidade de impor sanções quando as considerar necessárias para fazer respeitar o direito internacional.

O ministro da Defesa da Suíça, Martin Pfister, apelou também a uma cooperação mais estreita com a NATO.

A iniciativa rejeitada visava consagrar a "neutralidade perpétua e armada" na Constituição suíça. Teria também restringido a cooperação militar com a NATO a situações que envolvessem um ataque militar iminente.

Embora os eleitores suíços tenham rejeitado as restrições propostas, o apoio à neutralidade em si continua a ser generalizado.

De acordo com o último inquérito citado no debate, 82% dos inquiridos continuam a apoiar a neutralidade da Suíça.

O referendo fez parte da ronda de votações a nível nacional realizada no domingo sobre questões nacionais e locais.

Ao abrigo do sistema de democracia direta da Suíça, os cidadãos votam normalmente quatro vezes por ano sobre propostas legislativas, alterações constitucionais e outras questões políticas.

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