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Netanyahu enfrenta revelações sobre avisos relativos ao 7 de outubro com discurso desafiador na ONU

Benjamin Netanyahu
Benjamin Netanyahu -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Peter Barabas
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Com as eleições em Israel a aproximarem-se, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta novas revelações sobre alegados avisos relativos ao ataque do Hamas de 7 de outubro e respondeu à tempestade política com um discurso inflamado na ONU, dirigido aos seus eleitores e ao mundo.

A tempestade política que envolve o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, devido a notícias sobre novos alertas estrangeiros relativos ao ataque do Hamas de 7 de outubro, intensificou-se no sábado e no domingo, quando surgiram mais revelações no contexto das iminentes eleições israelitas, tendo o primeiro-ministro israelita respondido com um discurso inflamado e desafiador sobre a defesa de Israel na ONU.

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No sábado, o "New York Times" confirmou uma notícia anterior do diário israelita "Haaretz", segundo a qual o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, avisou em segredo Netanyahu sobre o ataque de 7 de outubro do Hamas e o primeiro-ministro não transmitiu o alerta aos responsáveis pela segurança do país.

Também no sábado, a revista norte-americana "The Atlantic" noticiou que o chefe dos serviços de informações egípcios, Abbas Kamel, visitou secretamente Israel 11 dias antes do ataque de 7 de outubro para alertar para um ataque de grande envergadura do Hamas.

E no domingo, o antigo ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, afirmou à rádio do Exército israelita que Israel recebeu uma mensagem do Hamas, por via dos canais do serviço de segurança interna Shin Bet, semanas antes do ataque de 7 de outubro, na qual o então líder do movimento, Yahya Sinwar, avisava que iria “abalar as prisões”.

As revelações surgem numa altura em que a campanha eleitoral em Israel decorre em pleno, com votação marcada para o próximo mês, e a forma como Netanyahu lidou com o ataque de 7 de outubro é um dos temas centrais. Coincidem também com o discurso inflamado do primeiro-ministro na Assembleia Geral da ONU, amplamente visto como uma mensagem dirigida aos eleitores israelitas.

Os líderes da oposição em Israel lançaram uma série de ataques contundentes a Netanyahu, pedindo uma investigação aos avisos que o primeiro-ministro alegadamente terá recebido antes dos ataques e à eventual decisão de os ignorar.

O gabinete do primeiro-ministro israelita negou repetidamente as notícias, classificando-as como falsas.

O "Haaretz" tinha já noticiado que, dez dias antes do ataque, o presidente dos Emirados Árabes Unidos terá alertado Netanyahu, numa chamada de 45 minutos, de que o líder do Hamas em Gaza na altura, Yahya Sinwar, preparava um ataque de grande dimensão contra Israel. Segundo o jornal, Netanyahu “reagiu com relativa calma” e garantiu a bin Zayed que Israel estava preparado para qualquer cenário.

Na altura, o gabinete de Netanyahu classificou a notícia como “uma mentira absoluta” e negou ter falado com o dirigente emiradense. “As notícias são falsas. Nenhum aviso foi transmitido ao primeiro-ministro pelos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro em comunicado.

Netanyahu enfrenta novo escrutínio sobre alegados avisos antes do 7 de outubro

Mas, no sábado, o "New York Times" publicou a sua própria investigação exaustiva, citando vários responsáveis que confirmam o que foi revelado pelo "Haaretz" e alegando que Netanyahu foi alertado pelo presidente emiradense antes do ataque do Hamas e que o aviso não foi partilhado com os chefes da segurança israelita.

Em paralelo com a reportagem do "New York Times", a "The Atlantic" publicou a sua própria investigação, segundo a qual, em 26 de setembro de 2023, o chefe dos serviços de informações egípcios, Abbas Kamel, realizou uma visita secreta de 67 minutos a Israel para alertar para um possível ataque do Hamas, embora o aviso não incluísse detalhes específicos.

Segundo a revista, Kamel instou Israel a reduzir as tensões na Faixa de Gaza e não ficou claro com quem se encontrou durante a sua permanência de cerca de uma hora no país.

De acordo com a "The Atlantic", responsáveis de sete países afirmaram aos seus jornalistas que uma deslocação pessoal, ainda que breve, do próprio chefe dos serviços de informações egípcios deveria ter sido notada pela liderança política e de segurança israelita e que os avisos egípcios terão continuado até dois dias antes do ataque, embora sempre sem mais pormenores.

Poucos dias depois do ataque de 7 de outubro, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que Netanyahu “não falou nem se encontrou com o chefe dos serviços de informações egípcios desde a formação do governo, nem diretamente nem indiretamente”. No sábado, o mesmo gabinete reiterou que a reportagem da "The Atlantic" foi "desmentida na altura e está a ser reciclada para manipular o público israelita”, noticiou o "Jerusalem Post" no domingo.

“A 11 de outubro de 2023, o Egito negou oficialmente ter avisado Israel do ataque de 7 de outubro”, acrescentou o gabinete do primeiro-ministro, sublinhando que “nos meses que antecederam o 7 de outubro, o primeiro-ministro Netanyahu não se encontrou nem falou com Abbas Kamel, então chefe do Serviço Geral de Informações do Egito. Nenhum responsável dos serviços de informações israelitas transmitiu tal aviso ao primeiro-ministro”.

As notícias vindas dos meios de comunicação norte-americanos foram seguidas, no domingo, por novas revelações do antigo ministro da Defesa israelita Yoav Gallant, que afirmou que o líder do Hamas por altura do ataque de 7 de outubro, Yahya Sinwar, avisou Israel, antes das ações levadas a cabo, que iria “abalar as prisões”.

Numa entrevista à rádio do Exército israelita, Gallant explicou que Sinwar terá enviado essa mensagem ao serviço de segurança Shin Bet através de um antigo alto responsável da Fatah, durante negociações secretas para um acordo de troca de prisioneiros, antes do ataque do Hamas.

Gallant alegou ainda que Netanyahu não o incluiu, nem a altos responsáveis pela segurança, em conversas sensíveis com os Estados Unidos durante a guerra.

“Durante a guerra, soube muitas vezes de conversas importantes que Netanyahu manteve com os norte-americanos sobre questões das mais sensíveis, como reféns e munições, apenas depois de os americanos me ligarem e tentarem verificar o que tinha sido dito nessas conversas”, afirmou Gallant à rádio do Exército israelita, acrescentando que “a confiança deles no primeiro-ministro era baixa”.

Questionado sobre as alegações de avisos estrangeiros, Gallant disse que não foi informado de nada durante o seu mandato como ministro da Defesa.

“Fiquei a saber destes avisos pela primeira vez através de notícias na comunicação social", disse ele, acrescentando que "partindo do princípio de que estas coisas são verdadeiras, um aviso deste tipo que um primeiro-ministro recebe do líder de um país não é um trunfo político; é uma falha fundamental na avaliação global da situação".

Netanyahu ataca críticos na ONU à medida que se aproximam as eleições em Israel

Os israelitas deverão dirigir-se às urnas a 27 de outubro para uma eleição nacional destinada a eleger os 120 membros do Knesset (parlamento).

Apesar da crescente ofensiva da oposição, Netanyahu tem rejeitado, até ao momento, múltiplos apelos para que o governo realize um inquérito oficial sobre os acontecimentos relacionados com o ataque de 7 de outubro, na sequência de outras acusações relativas à sua gestão da crise.

Com a campanha eleitoral israelita em pleno andamento, Netanyahu aproveitou o seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na passada quinta-feira, para reafirmar a sua posição de linha dura sobre a proteção de Israel perante os eleitores no país, mas também para enviar uma série de mensagens ao mundo.

“Conhecem algum outro país do tamanho de Nova Jérsia capaz de travar uma guerra em sete frentes? E durante três anos? Todos se uniram contra nós para nos varrer da face da Terra”, afirmou o primeiro-ministro israelita no discurso em que expôs a sua doutrina contra os inimigos de Israel, mas também contra os seus críticos.

Mas, quando se dirigia ao púlpito para iniciar o discurso, dezenas de delegações abandonaram a sala da Assembleia Geral em protesto contra as políticas de Israel, enquanto muitas outras permaneceram, incluindo as dos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Ucrânia, Japão, Índia e outras, levando Netanyahu a dizer: “Se houver mais cobardes morais que ainda não tenham saído desta sala, façam-no agora”.

“Agora, querem ouvir a ironia suprema? Israel também está a defender muitos dos países cujos delegados acabaram de sair desta sala. Na verdade, quero que saibam que muitos dos seus líderes até nos agradecem em privado por eliminarmos as armas nucleares do Irão”, reagiu Netanyahu às saídas.

Em seguida, lançou uma série de ataques incendiários a países e líderes que considera inimigos de Israel ou seus adversários pessoais.

Sobre o Irão, previu que “este regime maligno vai cair”, porque “o poder do povo vai ultrapassar o poder dos que mandam”, à medida que “o regime assassino será derrubado pelas suas mentiras, pela sua corrupção, pela sua crueldade”.

Para ilustrar o perigo dos mísseis iranianos, explicou à assembleia que um míssil balístico de uma tonelada “aniquilaria todo o complexo” e que “dois desses mísseis destruiriam a ONU”.

Ironizou ainda quando se referiu ao Hezbollah, tirando um pager do bolso e dizendo: “Lembram-se dos bips? Lembram-se destes aparelhos? Lembram-se? Pois posso dizer-vos que o Hezbollah certamente se lembra deles.”

Destacou "pessoas" no Reino Unido e em França ao falar das acusações de "colonialismo" contra Israel, dizendo: "Quem nos acusa? Entre elas, pessoas no Reino Unido e em França. Mas, pelo amor de Deus, foram eles que inventaram o termo! As suas colónias estendiam-se por todo o planeta. Colonialismo? Deixem-nos em paz!"

Acusou novamente o Qatar, dizendo que o país gastou milhões para “lavar o cérebro de jovens mentes para odiarem Israel, odiarem a América e odiarem o Ocidente”, rematando: “É o mesmo Qatar que acolhe os carniceiros do Hamas do dia 7 de outubro.”

Acusou ainda vários países, incluindo o Qatar e a Turquia, de gastarem milhares de milhões para espalhar mentiras nos meios de comunicação contra Israel.

O Qatar rejeitou as acusações, afirmando que “esta retórica contínua contra o Qatar não passa de uma tentativa de desviar a atenção das atrocidades cometidas pelo seu governo nos territórios palestinianos ocupados e das suas graves consequências humanitárias”.

Mas as palavras mais duras foram dirigidas ao presidente Recep Tayyip Erdoğan, a quem acusou de ser “um tirano que também acolhe dirigentes terroristas do Hamas”, que “ocupa ilegalmente o Norte de Chipre, membro da UE”, que “sendo membro da NATO, viola regularmente as fronteiras da Grécia”, “que quer tomar conta da Síria” e, sobretudo, que “apela à destruição de Israel e diz que será o governante de Jerusalém”.

“Não, senhor, não será. É a nossa cidade”, disse o primeiro-ministro israelita.

Enquanto Netanyahu sustentou que acusar Israel de “genocídio” é “a maior mentira do século”, o presidente turco Erdoğan declarou, no seu próprio discurso na Assembleia Geral, que “enfrentamos uma mentalidade genocida que nunca se sacia de matar. Ninguém com humanidade, misericórdia ou consciência pode fechar os olhos”, descrevendo Gaza como “o mais desumano e mais vergonhoso campo de concentração do nosso tempo”.

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