Loader
Encontra-nos
Publicidade

Etiópia acusa vizinhos enquanto rebeldes do Tigray avançam em Afar

Pessoas caminham em Mekelle, capital da região de Tigray, na Etiópia, numa altura de combates crescentes com o governo central, 24 de setembro de 2026
Pessoas caminham em Mekelle, capital da região etíope do Tigray, numa altura de escalada dos combates com o governo central, 24 de setembro de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Aleksandar Brezar & Africanews
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Após tomar Erebti, o TPLF avançou para Afdeera, deslocando pelo menos 150 000 pessoas em Afar. A ofensiva visa o corredor para Djibuti, por onde passa quase todo o comércio externo da Etiópia, dando aos rebeldes influência sobre o governo federal.

Combates no norte da Etiópia continuaram intensos durante o fim de semana, alimentando receios de um regresso à guerra de 2020-2022, que terá causado a morte de cerca de 600 000 pessoas.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Desde quarta-feira, retomaram-se combates violentos entre a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e o governo federal.

A TPLF tomou aeroportos e lançou ataques nos vizinhos estados etíopes de Afar e Amara, afirmando estar envolvida numa “guerra defensiva” contra o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed.

A sede da Tigrai TV, considerada o principal órgão de comunicação das autoridades rebeldes na capital do Tigré, Mekelle, foi atingida por um drone no domingo.

As comunicações estão limitadas desde sexta-feira, depois de operadores de telecomunicações terem reportado fortes perturbações nos serviços de telefone e internet no Tigré, o que dificulta a cobertura do conflito.

Muitos habitantes do Tigré receiam a repetição do bloqueio imposto pelo governo federal durante a guerra anterior, quando a eletricidade, o sistema bancário e quase toda a ajuda foram cortados.

Uma fonte humanitária afirmou que a cidade afar de Erebti, perto da fronteira com o Tigré, foi tomada pelos rebeldes no domingo, depois de ser bombardeada com artilharia pesada.

A TPLF avançava agora em direção à localidade de Afdeera, cerca de 100 quilómetros (60 milhas) a leste.

A mesma fonte estimou que pelo menos 150 000 pessoas foram deslocadas em Afar, mas disse ser impossível fornecer números precisos.

“Com o aumento dos combates na Etiópia, vemos o risco para os civis a espalhar-se numa altura em que a atenção diplomática e o escrutínio da situação diminuíram, tendo em conta a dinâmica mais ampla e as catástrofes em toda a região”, afirmou Laetitia Bader, diretora-adjunta da divisão África da Human Rights Watch (HRW).

“A região já enfrenta crises devastadoras de direitos humanos e humanitárias”, acrescentou. “No vizinho Sudão, estamos a falar da maior crise humanitária do mundo.”

Etiópia acusa países vizinhos

Entretanto, o comandante do exército etíope acusou no domingo o Egito, a Eritreia e o Sudão de apoiarem grupos armados que combatem as suas tropas no norte do país.

Num vídeo no canal do exército no YouTube, o chefe das forças armadas, marechal Birhanu Jula, declarou: “Estamos a combater forças organizadas e aliadas para servir os interesses de potências externas.”

“Nem o Shaebia (Eritreia) nem a TPLF conseguem alcançar nada sozinhos, mesmo aliados, a menos que sejam apoiados, sustentados e abastecidos pelo Sudão, pelo Egito e por outras potências externas”, acrescentou.

As forças armadas sudanesas afirmaram, num comunicado divulgado já no final de domingo, que “rejeitam categoricamente estas alegações e as consideram infundadas”, acrescentando que o Sudão está “comprometido com o direito internacional e com os princípios de boa vizinhança”.

A TPLF aliou-se a outros seis grupos armados em todo o país numa estrutura que designou Aliança das Forças Populares da Etiópia para a Sobrevivência, com o objetivo de derrubar o governo de Abiy e instaurar uma administração de transição.

Na aliança participam também as milícias Fano, nacionalistas amaras — que combateram ao lado das forças federais contra a TPLF na última guerra — e o Exército de Libertação Oromo, uma insurgência ativa na região mais populosa da Etiópia, além de quatro grupos provenientes de outras três regiões, o que representa metade dos 12 estados regionais do país.

A TPLF governou a Etiópia entre 1991 e 2018, antes de ser afastada com a ascensão de Abiy, processo que acabaria por desencadear a guerra em 2020.

O Acordo de Paz de Pretória pôs fim à guerra e manteve uma calma precária até ao final de 2025, quando os confrontos recomeçaram.

Na mais recente vaga de combates, iniciada na semana passada, os rebeldes do Tigré parecem, para já, repetir a estratégia da guerra anterior, avançando para sul através de Amara em direção a Adis Abeba.

A ofensiva da TPLF em Afar visa cortar o abastecimento a partir de Djibuti, que fornece quase toda a carga do comércio externo da Etiópia, incluindo combustíveis.

Etiópia: Abiy vê combates como “controláveis”, segundo especialistas

“Para já, o governo federal parece encarar a retoma dos combates como um desafio controlável”, afirmou Jalale Getachew Birru, analista sénior para a África Oriental no ACLED, em comentário especializado partilhado com a Euronews.

“O seu corredor crucial de comércio e abastecimento através de Djibuti continua aberto, enquanto as forças governamentais recuperaram terreno em e à volta de Sekota, na zona de Wag Hamera, e em Alamata, na zona sul do Tigré.”

“O avanço da TPLF em colaboração com o grupo Ugugumo em direção a Afar pode alterar esse cálculo se ameaçar a rota Semera-Djibuti”, explicou Jalale.

“Mas perturbar esse corredor implica também o risco de antagonizar Djibuti, um parceiro regional importante que não mantém relações com a emergente aliança anti-governamental”, acrescentou.

“Controlar esta rota pode dar à TPLF uma margem de manobra significativa sobre o governo federal, ao ameaçar o principal corredor comercial da Etiópia para o porto de Djibuti.”

O porta-voz de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, afirmou que a ONU está “particularmente preocupada com relatos sobre o uso de drones, bem como com incidentes que causaram danos a civis”.

A União Africana apelou igualmente à “máxima contenção e cessação imediata de todas as ações que possam agravar ainda mais as tensões”, instando à retoma imediata das conversações no âmbito do Acordo de Pretória.

Entretanto, milhares de cristãos ortodoxos etíopes reuniram-se em Adis Abeba para celebrar o Meskel, festividade anual que assinala a descoberta da “Vera Cruz” em que os cristãos acreditam que Jesus foi crucificado na Sexta-Feira Santa.

Na mensagem divulgada no sábado, Abiy apelou aos etíopes para que se unam na construção de “uma grande força nacional”.

“O Meskel tem uma dimensão familiar e social. As famílias juntam-se, o bairro reúne-se, a cidade e os arredores convergem para a mesma praça”, afirmou Abiy.

Outras fontes • AP, AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Rússia sob o regime de Putin perdeu quase metade das suas escolas. Propaganda de guerra ocupa as restantes

Notícias do dia | 28 de setembro 2026 - Tarde

Notícias do dia | 28 de setembro 2026 - Manhã